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Pixies estão (finalmente) de volta com o álbum "Beneath the Eyrie"

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Depois de dois registos pouco mais do que sofríveis, os Pixies apresentam um disco à altura do seu nome. Beneath the Eyrie já se escuta por aí

A produção do novo disco dos Pixies, Beneath the Eyrie, esteve a cargo do britânico Tom Dalgety, que já havia trabalhado com a banda norte-americana no anterior, Head Carrier

A produção do novo disco dos Pixies, Beneath the Eyrie, esteve a cargo do britânico Tom Dalgety, que já havia trabalhado com a banda norte-americana no anterior, Head Carrier

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É um desafio difícil de superar este de uma banda com um legado como o dos Pixies (ao nível do indie rock talvez apenas comparável com o dos Velvet Underground, pelo modo como influenciaram muita da música que se fez depois) continuar a gravar discos. Desde a reunião do grupo de Boston, em 2003, exatamente uma década depois do final anunciado por Black Francis aos microfones da BBC, que a questão se colocava, especialmente entre os fãs: deviam ou não apostar em material novo? A resposta, afirmativa, apenas surgiria outros dez anos depois, quando em 2014, editaram Indie Cindy, um álbum competente mas que mas soube a muito pouco (já sem a icónica Kim Deal na formação). O mesmo aconteceu dois anos depois, com Head Carrier, álbum com um par de canções orelhudas, mas que, mais uma vez, apenas estava a tornar os Pixies uma boa banda de versões deles próprios.

Pelo caminho, Kim Deal foi substituída pela argentina Paz Lechantin (ex-Smashing Pumpkins e A Perfect Circle), que aos poucos foi conquistando o seu lugar. Como agora se comprova neste Beneath The Eyrie, em que (quase) faz esquecer Kim em temas como Long Rider ou Los Surfers Muertos, canção que descende diretamente do clássico Isla de Encanta (editado em 1987 no EP de estreia Come on Pilgrim). Ao contrário dos dois álbuns anteriores, este é um disco que apetece ouvir porque soa a Pixies nas dinâmicas, letras e vozes. Soa, afinal, àquilo a que os Pixies devem soar em 2019 e não a uma simples (e morna) imitação do que foram nos anos 80. E é isso que se sente ao ouvir temas como On Graveyard Hill, Catfish Kate, St. Nazaire ou Daniel Boone – que os Pixies estão, finalmente, de volta.