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A magia de sempre na obra revisitada "Die Zauberflöte" ("A Flauta Mágica"), de Mozart

Livros e discos

Uma boa gravação nova de uma obra como A Flauta Mágica nunca é demais. Para renovar o prazer, aí está o disco Die Zauberflöte, uma das grandes óperas de Mozart revisitada pelo maestro canadiano Yannick Nézet-Séguin

Luís M. Faria

Esta edição d'A Flauta Mágica, com a marca da Deutsche Grammophon, faz parte duma série das grandes óperas de Mozart que o maestro canadiano Yannick Nézet-Séguin está a gravar com a Orquestra de Câmara da Europa

Esta edição d'A Flauta Mágica, com a marca da Deutsche Grammophon, faz parte duma série das grandes óperas de Mozart que o maestro canadiano Yannick Nézet-Séguin está a gravar com a Orquestra de Câmara da Europa

A morte é sempre lamentável, mas há mortes que ao fim dos séculos ainda nos fazem sentir de uma forma particular aquilo que se perdeu com o desaparecimento de alguém. Uma delas é a de Wolfgang Amadeus Mozart, em 1791, aos 35 anos. Não muito antes, ele tinha escrito a sua última grande ópera, ou pelo menos aquela, das suas óperas, que mantém uma enorme popularidade (La Clemenza di Tito, com tema sério, é um caso diferente). Mistura de ópera e teatro cómico, A Flauta Mágica (Die Zauberflöte no título alemão original) foi uma encomenda comercial. Tem um libreto que é um disparate, com uma guinada completamente arbitrária a meio do argumento que seria suicida num filme. Mas nunca ninguém disse que as óperas tinham de fazer sentido e Mozart já havia tido o benefício de três extraordinários libretos produzidos por Lorenzo da Ponte (Le Nozze di Figaro, Don Giovanni e Cosi Fan Tutte), um literato aventureiro que acabaria os seus dias em Nova Iorque.

A Flauta Mágica é mais do que digna de estar ao lado dessas três obras, mas não por causa do texto. O mérito deste é ter proporcionado a Mozart a exploração musical de um mundo de fantasia, com dragões, bruxas, uma congregação de sacerdotes puros, um casal romântico a sério, com todo o devido pathos, e um passarinheiro mentiroso e carente de mulher que no final acaba feliz. Muita gente conheceu a Flauta a partir do filme que Ingmar Bergman fez dela, mas existe uma abundância de gravações que permitem apreciar as infinitas cambiantes de encanto melódico e descritivo que Mozart prodigalizou na obra. As gravações de gente como Fricsay, Karajan e Jacobs junta-se a do bastante prolífico maestro Yannick Nézet-Séguin. O ritmo é expedito sem ser exagerado, e nem a orquestra nem o coro nem os cantores (entre eles Rolando Villazon, como Papageno) desmerecem.