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"Infest the Rats’ Nest", dos King Gizzard & The Lizard Wizard: Heavy metal para o século XXI

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Depois do rock psicadélico, da música microtonal e até do jazz, a banda australiana do guitarrista e vocalista Stu Mackenzie aventura-se pelo trash metal. O disco Infest the Rats’ Nest já se escuta por aí

"Infest The Rats’ Nest" começa a alta velocidade, embalado pelo pedal duplo de bateria, como mandam as regras do trash metal, ao longo dos nove temas do disco

"Infest The Rats’ Nest" começa a alta velocidade, embalado pelo pedal duplo de bateria, como mandam as regras do trash metal, ao longo dos nove temas do disco

Dizer que os King Gizzard & the Lizard Wizard se reinventam a cada disco é algo tão redutor como encaixá-los na cada vez mais ampla prateleira do rock psicadélico, assim demasiado curta para este septeto australiano, onde muitos ainda teimam em colocá-los. Se dúvidas houvesse sobre esta capacidade de baralhar rótulos por parte do grupo de Melbourne, bastava recuar até 2017, quando editaram, não um, nem dois nem três, mas cinco álbuns de originais, todos eles diferentes, numa odisseia que começou com música microtonal, passou pelo rock progressivo, foi até ao jazz, continuou com um álbum oferecido na internet e terminou com um disco feito com as sobras disto tudo, lançado a 31 de dezembro.

Depois de um hiato de pouco mais de um ano, regressaram em fevereiro aos discos, com o muito elogiado Fishing for Fishies, apontado pela crítica como um dos melhores trabalhos do grupo em quase dez anos de carreira. Mas como isto é gente que não consegue ficar quieta, aí estão eles de novo, com este Infest the Rats’ Nest, um surpreendente disco no qual pretendem replicar os bons velhos tempos do trash metal, um estilo ao qual o guitarrista e vocalista Stu Mackenzie chegou ainda na escola primária, quando um amigo lhe mostrou uma canção dos alemães Rammstein. Daí, depressa chegou aos Metallica, depois aos Slayer e pouco tempo depois, segundo o próprio, já ouvia Kreator e Sodom.

Para recriar esta sonoridade tão própria, Stu reduziu o habitual septeto a um trio que começa a alta velocidade, embalado pelo pedal duplo de bateria, como mandam as regras do trash metal, ao longo dos nove temas do disco, todos eles com potencial para se tornarem clássicos do heavy metal do século XXI – especialmente Planet B, Mars for the Rich ou Self-Immolate. Não se admirem, portanto, se qualquer dia estes rapazes australianos forem vistos por aí, a partilhar palcos com os Metallica. Ou não, porque o mais certo é, entretanto, debandarem outra vez para um qualquer novo e exótico território musical.