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"Done": o segundo disco dos Barry White Gone Wrong

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Os Barry White Gone Wrong são hoje uma das mais bem oleadas máquinas de rock and roll (e de soul e de blues) da música portuguesa. O novo disco, "Done", já se escuta por aí

Tem pouco mais de meia hora este segundo disco da banda composta por Peter De Cuyper (voz), Carlos Borges (baixo), Pedro Frazão (bateria), Mário Moral (guitarra) e Miguel Décio (guitarra e voz), mas também tem tudo o que é necessário para comprovar o que já se esperava depois da estreia, em 2017, com o álbum Tornado. Neste caso, não há qualquer maldição do segundo álbum; pelo contrário: subsiste apenas a certeza de que os Barry White Gone Wrong são hoje uma das mais bem oleadas máquinas de rock and roll (e de soul e de blues) da música portuguesa, cuja maturidade, alicerçada em muitos quilómetros de estrada, está bem patente neste trabalho.

Liderados pela icónica voz do belga Peter De Cuyper, que ora faz lembrar Leonard Cohen ora parece Peter Murphy e, por vezes, até Iggy Pop, os BWGW transportam-nos numa viagem pelo imaginário de um rock cada vez mais em vias de extinção, feito de intermináveis estradas desertas e bares decadentes. Através de canções como o manifesto anticapitalista em crescendo rock de Choices, o cool dueto soul entre Peter e Décio (Finishing Circles), a balada de desamor She Loves a Singer ou a despedida em tons de folk da última faixa, Done, os BWGW conseguem construir, em pouco mais de 30 minutos, um álbum intenso, quase perfeito – só não o é porque a perfeição não faz parte, de todo, dos objetivos destes rockers... – e isso não é para todos.