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Em "Respeitosa Mente", Ricardo Ribeiro procurou novos caminhos. Para ouvir com atenção

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Respeitosa Mente, disco de Ricardo Ribeiro que menos soa a fado, também tem alma e saudade dentro. O novo trabalho do fadista tem a participação do pianista João Paulo Esteves da Silva e do percussionista Jarrod Cagwin

D.R.

Quando é para cantar fado tradicional, ninguém bate Ricardo Ribeiro. Ele sabe da história, das personagens, das melodias, das letras, dos intérpretes. Em cada nuance respira-se a tradição e aquilo a que os fadistas gostam muito de chamar “verdade”. Só que o homem não vive num casulo. Tem ouvidos e boca, deixa-se influenciar, procura novos caminhos. E no caso de Ricardo Ribeiro, é constante essa busca de (novos) horizontes. Tal foi visível no seu primoroso trabalho com o alaudista libanês Rabih Abou-Khalil. E aparece aqui, de forma diferente mas autêntica, em Respeitosa Mente, ao lado do pianista João Paulo Esteves da Silva. Não se trata de fado de fusão, não se procura aqui um “novo fado”, tão-só uma outra “verdade” que preencha o cantor em todas as suas dimensões.

Ao contrário do que acontece nas derivas pop de alguns jovens fadistas, não cabe em Respeitosa Mente a ideia de aligeiramento. Pelo contrário, é bastante mais difícil e complexo do que um disco de fados tradicionais. Este álbum pede especial dedicação para ser ouvido – até porque foge a parâmetros convencionais e obriga-nos a uma deslocação para território incerto. Há uma lógica de funcionamento jazzística: através de elementos simples, abrem-se espaços para a utilização livre, e libertadora, de cada um dos instrumentos e da própria voz. Musicalmente, é uma mescla de influências que passa naturalmente pelo fado, mas também pela música árabe, o flamenco, o jazz e até alguma música erudita.

A cumplicidade com João Paulo Esteves da Silva é fundamental, até porque o músico se revela aqui como letrista. É um pianista insubmisso de formação clássica, que há muito procura territórios de fronteira, não só com o fado, mas com outras músicas. Encontra em Ricardo Ribeiro um espelho para levar as suas ideias por um outro caminho, libertando-se de ancoradouros. A estes junta-se Jarrod Cagwin, um percussionista norte-americano especialista em ritmos orientais. E depois há, claro, a voz de Ricardo Ribeiro.

"Respeitosa Mente" é um dos mais surpreendentes discos portugueses dos últimos tempos. Nele, fundem-se os talentos do pianista João Paulo Esteves da Silva e de Ricardo Ribeiro

"Respeitosa Mente" é um dos mais surpreendentes discos portugueses dos últimos tempos. Nele, fundem-se os talentos do pianista João Paulo Esteves da Silva e de Ricardo Ribeiro

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