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"The Unseen and Between", de Steve Gunn: A voz de um guitarrista

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Um virtuoso das seis cordas que se assume, também, como um dos grandes escritores de canções da nova música norte-americana. O disco The Unseen and Between, de Steve Gunn, já se ouve por aí

A revista Rolling Stone chamou a Steve Gunn, a propósito deste The Unseen and Between, “o segredo mais bem guardado do rock”

A revista Rolling Stone chamou a Steve Gunn, a propósito deste The Unseen and Between, “o segredo mais bem guardado do rock”

Constance Mensh

Os ouvintes mais atentos às novas tendências da folk norte-americana já há muito terão ouvido falar de Steve Gunn, guitarrista com extensa obra publicada em nome próprio, anterior companheiro de Kurt Vile nos The Violators e colaborador em variadíssimos projetos musicais (incluindo um álbum, gravado a meias com o inglês Mike Cooper, chamado Cantos de Lisboa). Desde o disco de estreia homónimo, lançado em 2007, o percurso a solo do músico nascido em Filadélfia, mas desde há muito radicado em Brooklyn, Nova Iorque, era visto mais como um capricho do que propriamente como uma carreira. Tudo isso mudou há três anos, com o disco Eyes on the Lines (editado pela Matador Records), no qual, pela primeira vez, deixou à solta o excelente escritor de canções que também é. Nada, aliás, que o público dos seus concertos já não soubesse; tem sido na estrada, onde passa a maior parte do tempo, que Steve melhor tem exercitado essa capacidade, elevada, agora, com The Unseen and Between, a um novo patamar.

Segundo o próprio, trata-se do seu registo “mais pessoal”, criado durante um “período de reflexão”, após a morte do pai. Pela primeira vez, o protagonismo é mais dado à voz e não tanto à guitarra. À boleia dessa pequena mudança, Gunn assume-se não só como o tal excelente escritor de canções mas, possivelmente, também como uma das principais figuras do novo rock norte-americano. Reduzir Steve Gunn a um só género musical é injusto, como depressa se percebe nas canções de The Unseen and Between, que circula entre a pop perfeita de Vagabong, a folk acústica virtuosa de Stonehurst Cowboy, o psicadelismo elétrico de New Familiar e o tom mais confessional de Paranoid, tema que encerra, em grande, este álbum num surpreendente duelo entre piano e guitarra.