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As reflexões de Paul Virilio no livro "Guerra e Cinema"

Livros e discos

Uma reflexão crítica sobre a capacidade persuasiva das imagens de guerra deixada pelo filósofo francês Paul Virilio, falecido no ano passado. Guerra e Cinema já está nas livrarias

(Orfeu Negro, 208 págs., €16)

(Orfeu Negro, 208 págs., €16)


Numa era em que fantasmas nucleares e da Guerra Fria e os estertores do terrorismo islâmico dominam os média, ler Guerra e Cinema, escrito em 1983, tem travo de confirmação. O francês Virilio, que tem escrito sobre o poder e a aceleração das ideologias na sua relação com os média, mapeia, aqui, as ligações entre as técnicas dos conflitos militares e a cultura contemporânea.

A guerra é “um espetáculo mágico”: há que dissuadir o adversário, criar a perceção certa, vigiar as suas representações visuais (cinema e, hoje, redes sociais). Dos nazis aos avanços tecnológicos (das metralhadoras sincronizadas com câmaras da Primeira Guerra Mundial à era dos computadores), do cinema de Coppola ou Eisenstein às músicas dos Rolling Stones e às medidas de Marilyn, tudo serve a Virilio para questionar a imediatez dos conflitos.