Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

A arte da miniatura no disco “Italienisches Liederbuch”, de Hugo Wolf

Livros e discos

No disco Italienisches Liederbuch, dois cantores de topo, Jonas Kaufmann e Diana Damrau, dão forma às muito breves peças do austríaco Hugo Wolf

Luís M. Faria

Ao todo, são interpretadas, nesta nova edição com a marca da Erato, as 46 lieder (canções), para voz e piano, do “cancioneiro italiano” de Hugo Wolf, uma das suas maiores obras. Ao piano, está o veterano Helmut Deutsch

Ao todo, são interpretadas, nesta nova edição com a marca da Erato, as 46 lieder (canções), para voz e piano, do “cancioneiro italiano” de Hugo Wolf, uma das suas maiores obras. Ao piano, está o veterano Helmut Deutsch

Hugo Wolf (1860-1903) dizia ter introduzido o humor na música. Ainda que isso não seja literalmente verdade, ninguém poderá negar que ele enriqueceu a arte musical com dimensões novas de ironia e nuances de outro género. A sua declamação deve bastante à de Wagner, tal como a sua harmonia é tributária das inovações do autor de Tristan. Mas Wolf alimentou-se também de outras influências, em particular Schumann. É da natureza do lied subsumir em brevidade um pequeno universo. Os de Wolf tendem a ser pequenos dramas em miniatura, esboçando cenários emocionais sofisticados em contextos bastante diversos.

O Italienisches Liederbuch (cancioneiro italiano), completado em 1896, é geralmente considerado a súmula da sua arte. Compostos sobre traduções alemãs de poemas de amor anónimos, os lieder nele incluídos têm uma clareza de sentido e de textura que os torna ideais como introdução à obra do compositor. Os textos, de uma única estrofe, têm um tamanho médio de oito versos. A primeira linha do primeiro poema – “As coisas pequenas também podem encantar-nos” – dá o mote da coleção: 46 peças, quase todas com pouco mais de um minuto, alternando com a voz feminina e masculina. O presente álbum foi gravado ao vivo e reúne dois cantores de topo: a soprano alemã Diana Damrau, que há muito demonstrou a sua versatilidade dentro e fora da ópera, e o tenor Jonas Kaufmann, talvez o maior da sua geração e uma estrela global da música erudita. Falta referir o pianista, o veterano Helmut Deutsch, cujo requinte é valioso em música, em que “acompanhamento” é uma expressão injusta para descrever tudo aquilo que o piano faz.