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"O Vale dos Imortais-tomo 1, Ameaça sobre Hong Kong": Jacobs aprovaria esta aventura

Livros e discos

Uma nova BD com os heróis Blake e Mortimer – bem fiel à original – aposta no estilo retro, invenções futuristas e orgulho britânico

O Vale dos Imortais – tomo 1, Ameaça sobre Hong Kong (Asa, 56 págs., €15,90) conta com guião do belga Yves Sente, que, com André Juillard, criou seis das dez aventuras protagonizadas por Blake e Mortimer após a morte de Edgar P. Jacobs

O Vale dos Imortais – tomo 1, Ameaça sobre Hong Kong (Asa, 56 págs., €15,90) conta com guião do belga Yves Sente, que, com André Juillard, criou seis das dez aventuras protagonizadas por Blake e Mortimer após a morte de Edgar P. Jacobs

Para os apreciadores das aventuras clássicas e sóbrias legadas pelo autor belga Edgar P. Jacobs (1904-1987), O Vale dos Imortais – tomo 1, Ameaça sobre Hong Kong é um reencontro feliz: o argumentista Yves Sente regressou aos mandamentos e atmosferas da série original, em vez de se distrair com histórias mais rebuscadas e pseudocontemporâneas (como aconteceu em álbuns recentes). Este volume evoca elementos de O Segredo do Espadão, ainda assinado por Jacobs, e junta-lhe um ambicioso e fascinante contexto histórico: a guerra civil chinesa e o caldeirão cosmopolita de Hong Kong, então colónia britânica, na década de 1930.

Logo nas primeiras e espetaculares pranchas, uma Guerra Mundial é evitada quando os espadões britânicos atacam Lhassa, onde estão estacionadas as forças do imperador Basam Damdu, aconselhado pelo eterno vilão, o mercenário coronel Olrik. Perante as lutas entre os nacionalistas de Chiang Kai-shek e as forças comunistas de Mao, uma equipa de arqueólogos tenta pôr a salvo mais de 240 mil tesouros arqueológicos. Um acidente de transporte revela um manuscrito dentro de um guerreiro de terracota da dinastia Qin, escrito por um conselheiro do primeiro imperador chinês: um tesouro cobiçado por muitos, incluindo um Senhor da Guerra, Xi Li, espiões, chefes de tríades, vilãs exóticas, cientistas... E há ainda uma arma futurista em jogo. A história é densa e com muitas pontas narrativas que, às vezes, nos perdem. O desenho é clássico, minucioso, cheio de reconstituições do “postal de Hong Kong” – um prazer visual. Agora, há que esperar pelo tomo II, O Milésimo Braço do Mekong, para descobrir o desfecho...