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"Penas de Pato": O livro de crónicas de Miguel Araújo

Livros e discos

O músico e compositor Miguel Araújo lançou um livro de crónicas, algumas delas publicadas na revista VISÃO, onde escreve quinzenalmente. Penas de Pato já está à venda nas livrarias

Como nas letras das suas canções, Miguel Araújo faz das crónicas microenredos

Como nas letras das suas canções, Miguel Araújo faz das crónicas microenredos

Fernando Negreira

Não atende o telemóvel nem vê futebol, cultiva a preguiça e tem boa opinião sobre quem tem muitas opiniões. Assim é, descontraído e livre, Miguel Araújo no seu perfil de cronista, quinzenalmente aqui na VISÃO. Ao contrário desse exército feroz que ocupa o espaço público, neste ofício não lhe interessa o hoje e o agora. “Não gosto muito de escrever sobre a atualidade, porque as coisas acontecem depressa e a mole humana é célebre em galvanizar-se ou ofender-se com esta ou aquela peripécia da vida pública”, diz o músico. O seu espaço é o da memória.

Ler as suas crónicas, agora reunidas no volume Penas de Pato, valorizado com textos inéditos, é abrir a porta da sua intimidade, dissimulada e reinventada através da escrita. Como nas letras das suas canções, primeiro na banda Os Azeitonas, agora a solo, Miguel Araújo faz das crónicas microenredos, que se desenvolvem através de pormenores, normalmente geracionais (nasceu em 1978), do mundo da música e de um sentimento de não pertença. Tanta vezes, o mundo não pula e avança, mas confunde e entristece. Ao criador resta colocar um “vidro fosco” diante dos olhos, distorcer o jogo a seu favor e criar um mundo novo. A inclusão, neste volume, de “pequenos contos de cordel” sugere o apelo da ficção, o que novas crónicas (ou livros) poderão confirmar.

Penas de Pato (Companhia das Letras, 176 págs., €15,90)

Penas de Pato (Companhia das Letras, 176 págs., €15,90)