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"The Shape of Nothing to Come": o novo disco dos The Parkinsons está carregado de ironia

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O novo álbum de uma das bandas mais influentes do punk rock português

D.R.

Em tempos vista como salvadora do punk rock português, a banda de Coimbra, com sede em Londres, nunca conseguiu, no entanto, alcançar a popularidade de nomes como Censurados ou Tara Perdida − isto apesar de álbuns, como A Long Way To Nowhere (2002) ou Reason to Resist (2004), e sobretudo de os concertos explosivos lhe garantirem um lugar de relevo na história da música portuguesa, da primeira década deste século.

Foi graças a isso, por exemplo, que os The Parkinsons tocaram no festival de Reading, foram convidados para atuar no aniversário de Joey Ramone ou acompanharam, em digressão, bandas como Jon Spencer Blues Explosion e The Fall. Depois desta primeira vida, repartida entre os EUA e a capital inglesa, a banda separou-se em 2005. Voltaria em 2012, com Back To Life, e agora edita este The Shape Of Nothing To Come, verdadeiro manifesto punk dos tempos modernos − a revolta e o inconformismo de antigamente deram lugar a uma mordaz ironia, sob a qual se esconde uma ténue esperança de melhores dias no futuro.

Alicerçado num punhado de boas canções (14 ao todo, mais polidas do que o habitual na história da banda), como See no Evil, Do You Know, Bad Wolf, Talk to Us ou Sexy Jesus, este é o disco em que os The Parkinsons mostram a banda que poderiam ter sido, mas se calhar nunca lhes apeteceu ser. Há lá coisa mais punk do que isso?