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"Radio Gemini", o novo disco de David Fonseca é cabeça e coração

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O músico volta à sua zona de conforto − canções pop cantadas em inglês −, num disco que se ouve como um programa de rádio

Depois de, há três anos, ter surpreendido com um disco cantado em português (Futuro Eu), a que se seguiu um tributo às canções de David Bowie, David Fonseca regressa à sua busca pela canção pop perfeita em inglês − no tema Resist, em dueto com a cantora espanhola Alice Wonder

Depois de, há três anos, ter surpreendido com um disco cantado em português (Futuro Eu), a que se seguiu um tributo às canções de David Bowie, David Fonseca regressa à sua busca pela canção pop perfeita em inglês − no tema Resist, em dueto com a cantora espanhola Alice Wonder

A sensação não é nova, mas acreditamos que nunca foi tão intensa como nos três minutos e 50 segundos que dura a canção Oh My Heart, a primeira de Radio Gemini. Pode muito bem vir a ser uma das bandas sonoras omnipresentes deste verão em Portugal, mas − e é dessa sensação que falamos − se David Fonseca tivesse nascido, não em Marrazes, Leiria, mas no eixo Manchester/Liverpool/Sheffield não precisaria de muita sorte e ginástica para aceder àquele circuito que espalha melodias pop por cada centro comercial, cada bar do mundo inteiro. Os ingredientes estão lá todos: um poderoso e orelhudo refrão (que ainda por cima, coisa rara, faz sentido e traduz a velha e imorredoura luta entre razão e emoção: “Oh my heart stay out of my head, my head get out of my heart!”), melodia viciante e em crescendo, ôôô êêê ôôs cantaroláveis por todos e até um irresistível “riki tiki riki tiki”...

Em todo o disco não é raro pressentirmos clichés da pop, fragmentos que nos soam familiares, uns segundos que fazem mesmo lembrar aquela outra canção, como é que se chama?, aquela... Na estrutura escolhida para este disco de 21 faixas, pensado como um programa de rádio, uma espécie de playlist entrecortada por pequenos interlúdios e jingles, acreditamos que há, aqui e ali, alguma ironia. David aplica o filtro da sua identidade musical – construída desde a bombástica estreia em disco dos Silence 4, Silence Becomes It, em 1998 – à gramática pop (aqui mais mainstream, ali mais alternativa) dos nossos dias. Faz isso com uma maestria assinalável e, mais importante ainda, com um bem percetível entusiasmo − que, como é sabido, continua a ser o ingrediente fundamental da boa música pop.

Veja o vídeo de Oh My Heart