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A alquimia certa do novo álbum dos X-Wife

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Uma máquina bem oleada continua a fazer o seu caminho num disco em que descobrimos como o castelhano de João Vieira é muito bom

A maior surpresa deste regresso está na oitava faixa, quando, em Coconuts, João Vieira troca o inglês de sempre por um castelhano escorreito e festivo que bem pode vir a aquecer as pistas no próximo verão

A maior surpresa deste regresso está na oitava faixa, quando, em Coconuts, João Vieira troca o inglês de sempre por um castelhano escorreito e festivo que bem pode vir a aquecer as pistas no próximo verão

D.R.

O primeiro álbum dos X-Wife (depois do EP Rockin’Rio, 
de 2003) chamava-se Feeding the Machine. E, de alguma maneira, é isso que estão a fazer em 2018: alimentar a máquina. Sem qualquer desprimor, já que o mecanismo está notoriamente bem oleado, pleno de eficácia e sem acusar demasiado os anos de uso... Pode dizer-se que em todas as dez faixas do novo álbum dos X-Wife (com a originalidade de, como se fosse um disco de estreia, ter o nome da banda como título) os primeiros segundos são invariavelmente contagiantes, com aquela sensação de hedonismo e urgência de correr para a pista de dança 
que faz parte do ADN desta banda do Porto (e do mundo).

Desde o disco anterior (Infectious Affectional é já de 2011...), 
Rui Maia e João Vieira dedicaram-se a vários projetos – com destaque para Mirror People com assinatura a solo de Rui e White Haus de João. Agora, provam que os X-Wife estão bem vivos, com a identidade 
e a energia intactas. É mesmo uma espécie de regresso a casa, 
e com um pormenor importante: o disco é editado pela própria 
banda através da sua novíssima Blackout Records.

A 28 de abril, os X-Wife tocam no Hard Club, no Porto

A 28 de abril, os X-Wife tocam no Hard Club, no Porto

D.R.

Desde a sua criação, sempre foram uma das bandas nacionais (ao lado, diga-se, de vários outros exemplos neste século) mais sintonizadas, em direto, com um certo espírito do tempo sem fronteiras. São contemporâneos dos LCD Soundsystem, de James Murphy (que os elogiou e facilitou uma apresentação da banda em Nova Iorque), com quem partilham a alquimia certa da mistura de eletrónica, pop e rock – uma fórmula que está longe de estar esgotada.

A maior surpresa deste regresso está na oitava faixa, quando, em Coconuts, João Vieira troca o inglês de sempre por um castelhano escorreito e festivo que bem pode vir a aquecer as pistas no próximo verão: “Uno dos, uno dos tres quatro!/ Caminando por la calle disfrutando del sol/ nada va a pasar/ com mis gafas enamorado 
de todo y de nada...”