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"The Deconstruction", dos Eels: Regresso do confiável Sr. E

Livros e discos

A banda de Mark Everett, olham o mundo sem perder a sua perspetiva pessoal muito própria

Tiago Freire

Tiago Freire

DIRETOR DA EXAME

Ao décimo segundo disco de originais, poderíamos sempre desculpar os Eels, banda centrada no norte-americano Mark ‘E’ Everett, de não terem nada de novo para dizer. Mas “o mundo está uma desgraça”, como o próprio músico admite no lançamento do novo disco, e há que fazer alguma coisa acerca disso. O que há a fazer, no particular universo dos Eels, é visitar os temas que, no fundo, são seus desde sempre: a perda, a desilusão, a depressão, mas sempre com os olhos postos na redenção e na resistência. O mundo pode estar de pantanas, mas não é agora que os Eels se vão transformar numa banda panfletária. Tudo aqui é filtrado pelas experiências pessoais de E, tornando os grandes temas em temas nossos, nos quais cada um se pode rever.

The Deconstruction é um disco que cumpre um dificílimo duplo propósito: agradará sem dúvida aos fãs de sempre, mas funciona sem dificuldade como uma segura porta de entrada para os mais distraídos

The Deconstruction é um disco que cumpre um dificílimo duplo propósito: agradará sem dúvida aos fãs de sempre, mas funciona sem dificuldade como uma segura porta de entrada para os mais distraídos

Musicalmente, The Deconstruction funciona como um verdadeiro cardápio de tudo o que de melhor os Eels têm feito nas últimas décadas: há pop sorridente, há rock, há eletrónicas discretas e eficazes, há baladas lindíssimas. Como se os Eels fizessem, em 2018, um best-of, só que preenchido inteiramente com temas originais.

A qualidade do alinhamento faz com que este seja um dos melhores discos da carreira da banda, que nunca fez um álbum abaixo do nível médio. O que falta aqui é a tal “desconstrução”, algum tipo de rutura com o passado que o título poderia indiciar. No seu lugar, temos uma banda a fazer, muito bem, aquilo que sempre fez. Mr. E pode estar zangado, mas não é homem de revoluções. Este é o regresso de um velho amigo, que não desilude. E a quem poderemos dar um abraço na edição deste ano do festival NOS Alive.