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O rock intensivo dos Linda Martini

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O quarteto lisboeta está de regresso, reinventando-se sem perder a identidade. Um disco feito em três residências artísticas, que já anda em digressão pelo país

É um dos maiores lugares-comuns do rock: há momentos em que é necessário, aos artistas, saírem da sua zona de segurança para poderem avançar. E foi precisamente essa máxima que os Linda Martini levaram à letra para fazer este quinto álbum de originais, composto ao longo de três residências artísticas em Amares (Braga), na Arrábida (Setúbal) e na Catalunha, em Espanha. Segundo a banda, o objetivo era apenas um: focarem-se a tempo inteiro na criação do novo disco. E enquanto no álbum anterior, o aclamado Sirumba, de 2016, o conceito criativo tinha que ver com uma abordagem mais comedida aos instrumentos, agora centra-se totalmente num método de trabalho intensivo, que elevou a música dos Linda Martini a um novo patamar, sem no entanto abandonar a identidade muito marcada do som da banda. Veja-se o caso do tema de abertura Gravidade, em que regressam ao seu passado punk-hardcore à boleia de um rock abrasivo e urgente. Esse registo vai adocicando-se à medida que o disco avança, com pitadas de jazz e até, podemos dizê-lo, uns pozinhos de fado. O resultado de tudo isto é talvez o mais coeso trabalho da discografia da banda lisboeta, que aos 15 anos de vida, e ainda com fome de palco, vive um momento de plena maturidade musical.

Oiça aqui Boca de Sal, um dos temas do novo disco dos Linda Martini