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'Goethe, O Eterno Amador', de João Barrento: Uma monografia para ter à cabeceira

Livros e discos

Biografia literária, panorâmica sobre vida, obra e máximas do grande autor alemão. Goethe, O Eterno Amador, de João Barrento, já está à venda nas livrarias

Bruno Rascão

O alemão Johann Wolfgang Goethe (1749-1832) é um dos autores-farol da civilização europeia. Se a enunciação, a propósito do autor, de clássicos como Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) ou As Afinidades Eletivas (1809) − que deixou marca no romantismo europeu com obra feita em romances, peças de teatro, reflexões sobre literatura e ciência, escritos autobiográficos e diários (leia-se Viagem a Itália, resultante das suas andanças italianas pelo país dos “limoeiros em flor”, entre 1786 e 1788, que marcariam uma rutura de pensamento) − parece universal e incontestável, também é certo, diz-nos João Barrento, que “qualquer aproximação a Goethe tem de ser criticamente cautelosa e relativista”. E aqui o autor, tradutor, crítico literário e ensaísta (Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2012), socorre-se de uma citação de Erich Heller, que, num ensaio de 1952, argumenta que é “porque o homem é uma figura gigantesca... mas também porque muita coisa na eterna discussão em torno de Goethe, tão erradamente orientada e tão apaixonada, saturou de tal modo a atmosfera à sua volta de cargas elétricas que é fácil produzirem-se curto-circuitos”.

João Barrento biografa o grande Goethe, refletindo sobre a preocupação deste com a posteridade e a sua propensão para uma “camaleónica pluralidade”, e desirmanando-o da aura teutónica: “Poderia facilmente mostrar-se como ele é mais europeu e cosmopolita do que alemão, mais pagão e criptocatólico do que protestante, mais aristocrata ou anarquista do que burguês, mais titânico e prometaico do que equilibrado. Na espantosa diversidade de uma Obra como esta, não é difícil, aliás, provar uma coisa e o seu contrário, revelar uma face e o seu reverso.” É esta “granítica imponência” que aprecia, recorda e contextualiza com estilete fino, providenciando ainda uma extensa cronologia de vida e obra, e não esquecendo facetas menores como as máximas ou o seu estudo das nuvens e meteorologia.

Goethe - O Eterno Amador (Bertrand, 320 págs., €17,70) inclui também uma detalhada ficha sobre Goethe em Portugal, traduções e presença na literatura portuguesa, compreendidas entre 1799 e 2017.