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'A História' dos Gaiteiros de Lisboa: Com muito fôlego

Livros e discos

O disco A História reúne mais de duas décadas de carreira dos Gaiteiros de Lisboa, na altura em que a banda apresenta uma nova formação

'A História' é uma espécie de arrumação da obra dos Gaiteiros de Lisboa antes do novo disco de originais, já em preparação

'A História' é uma espécie de arrumação da obra dos Gaiteiros de Lisboa antes do novo disco de originais, já em preparação

Há histórias assim, que merecem ser contadas todas de uma só vez, como se não houvesse passado, presente ou futuro, mas apenas um momento único. No caso dos Gaiteiros de Lisboa esse momento dura desde que, em 1995, editaram o disco de estreia Invasões Bárbaras, um registo que os afirmou de imediato como um dos mais importantes grupos de música popular portuguesa de raiz tradicional, pelo modo como a renovaram e reinventaram. A história que aqui se condensa pode ser contada na sua versão mais longa, nos cinco álbuns de originais e um ao vivo já editados até agora. Foram eles a base desta coletânea, construída não de uma forma cronológica, mas de modo a “representar os três elementos básicos presentes na obra dos Gaiteiros de Lisboa”, conforme se lê no texto que acompanha o disco. Esses elementos são as vozes, as percussões e os sopros, porque afinal este foi um grupo fundado com o objetivo militante e pedagógico de divulgar a gaita de foles. Com o talento de gente como Carlos Guerreiro, José Mário Branco, Rui Vaz ou José Manuel David foram muito mais longe.

Mais que uma simples antologia, este disco representa uma página única na história recente da música popular portuguesa. 
E a prova de que este não é um círculo fechado − como muitos best of... − chega logo na faixa de abertura: Roncos do Diabo, que serve de apresentação não só ao novo álbum de originais, já em preparação, mas também à nova formação do grupo liderado por Carlos Guerreiro e Paulo Marinho, a quem se juntam agora Sebastião Antunes (voz e percussões), Miguel Quitério (gaitas de foles, uillean pipes, flautas e voz), Carlos Borges Ferreira (voz e percussões) e Paulo Charneca (percussões e voz).