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Estes são os 45 livros de 2017 que vale a pena ler

Livros e discos

Foi um ano a escrever (também) sobre o que de melhor se foi publicando em Portugal ao longo de 2017. Em jeito de balanço literário – e a pensar nos presentes de Natal, claro – aqui se reúnem 45 livros que valem a leitura

FICÇÃO E POESIA

O TEU ROSTO AMANHÃ I, II, III, de Javier Marías (Alfaguara. Volume I Febre e Lança, 416 págs., €20,50; Volume II Dança e Sonho, 360 págs., €20,50; Volume III Veneno e Sombra e Adeus, 552 págs., €24,90). Uma trilogia que é um único romance – monumental – do espanhol Javier Marías, finalmente, publicado por inteiro em português.

OS CEM MELHORES POEMAS PORTUGUESES DOS ÚLTIMOS CEM ANOS, organização de José Mário Silva (Companhia das Letras, 192 págs., €17,50). Poeta e crítico do Expresso, José Mário Silva assume ser esta uma escolha pessoal com critérios simples: um poema por autor, encontrado entre 1917 e 2017, despreocupação com parâmetros cronológicos, vontade de chegar a todos os leitores, sobretudo os que não têm o hábito de ler poesia.

MUSEU DO PENSAMENTO, de Joana Bértholo (Caminho, 79 págs., €16,90). Um livro com muito mais perguntas do que respostas, excelente ponto de partida para a arte de filosofar. Ou, simplesmente, pensar.

POESIA, de Mário Cesariny (Assírio & Alvim, 776 págs., €44). A obra quase completa de Mário Cesariny, num louvor anotado por um velho cúmplice, é uma das grandes edições de poesia do ano.

QUANDO AS GIRAFAS BAIXAM O PESCOÇO, de Sandro William Junqueira (Caminho, 192 págs., €14,90). Neste que é o seu quarto romance, Sandro William Junqueira faz um retrato do País em crise, por dentro e por fora.

A CARNE, de Rosa Montero (Porto Editora, 192 págs., €16,60). Um livro híbrido que mistura o suspense do thriller, uma paixão desavisada, uma meditação sobre a velhice, e a lucidez da autora.

A REVOLTA DOS ANJOS, de Anatole France (Cavalo de Ferro, 240 págs., €15,98). Último livro de ficção de Anatole France, autor que ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1921, que mistura uma biblioteca idílica, anjos caídos e a tentação da inteligência.

MIKE TYSON PARA PRINCIPIANTES, de Rui Costa (Assírio & Alvim, 214 págs., €16,60). Coletânea da poesia de Rui Costa, falecido em 2012, que inclui alguns inéditos.

ATOS HUMANOS, de Han Kang (D. Quixote, 232 págs., €14,90). A escritora sul-coreana criou um imersivo romance carnal sobre a violência. Uma leitura quase intolerável... se não fosse extraordinária.

A SIBILA, de Agustina Bessa-Luís (Relógio D'Água, 268 págs., €17). Um novo ciclo para o vasto espólio literário agustiniano, agora abrigado e bem cuidado na editora Relógio D'Água, que começou com A Sibila, um livro icónico.

AS OITO MONTANHAS, de Paolo Cognetti (Dom Quixote, 224 págs., €15,90). O escritor italiano encontrou na paisagem alpina a inspiração para este romance de personagens fortes e bem desenhadas, que conta a história de uma amizade ao longo dos tempos. Best-seller em Itália, trata-se do primeiro livro do escritor italiano publicado em Portugal.

O MEU NOME ERA EILEEN, de Ottessa Moshfegh (Alfaguara, 264 págs., €18,90). Romance que vai buscar a sombra de Hitchcock, escrito com mão despachada, e que marca a estreia da autora norte-americana Ottessa Moshfegh, de 36 anos, nas livrarias portuguesas.

DIAS ÚTEIS, de Patrícia Portela (Caminho, 112 págs., €12,90). Numa lógica temporal reconhecível (em que cada capítulo corresponde a um dia da semana), Patrícia Portela escreve sobre morte, amor, identidade, refugiados, perda, o planeta, sonhos, de forma verdadeiramente original, mas a previsibilidade é torpedeada pela autora com fugas filosóficas e marcações teatrais.

O MINISTÉRIO DA FELICIDADE SUPREMA, de Arundhati Roy (Asa, 463 págs., €19,90). O regresso da escritora indiana Arundhati Roy à ficção, aguardado há 20 anos.

O DESLUMBRE DE CECÍLIA FLUSS, de João Tordo (Companhia das Letras, 336 págs., €16,90). O capítulo derradeiro de uma trilogia iniciada por João Tordo, com O Luto de Elias Gro, seguido de O Paraíso Segundo Lars D., ambos de 2015.

O POBRE DE PEDIR, de Raul Brandão (Ponto de Fuga, 128 págs., €13,30). Uma obra caída no esquecimento, que Raul Brandão deixou escrita pouco antes de morrer, aos 63 anos, agora reeditado pela Ponto de Fuga.

CORAÇÃO MAIS QUE PERFEITO, de Sérgio Godinho (Quetzal, 248 págs., €16,60). O primeiro romance de Sérgio Godinho centra-se na vida de Eugénia, uma mulher a quem acontece (quase) tudo. O escritor de canções já se tinha estreado na prosa literária com o livro de contos Vidadupla, em 2014.

HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO, de Bruno Vieira Amaral (Quetzal, 363 págs., €17,70). O escritor resgata do esquecimento o seu primo João Jorge, assassinado há 30 anos. E arrisca-se na reconstrução de memórias que revelam a sua própria identidade, onde a fronteira entre realidade e ficção se torna irrelevante perante a força da narrativa.

POESIA COMPLETA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO (Tinta-da-China, 696 págs., €30). Reedição da poesia de Mário de Sá-Carneiro num só livro, pela editora Tinta-da-China, que inclui alguns inéditos de juventude.

VAICOMDEUS, SARL, de Júlio de Almeida (Caminho, 184 págs., €16,90). Primeira obra de ficção de Júlio de Almeida (o Comandante Juju, deputado do MPLA e pai do escritor Ondjaki), que narra, com desencanto, a passagem da Angola das lutas de libertação para os primeiros anos da independência, um pouco antes de chegar o fim da guerra civil.

REINO DO AMANHÃ, de J.G. Ballard (Elsinore, 352 págs., €19,99). Ballard leva-nos, mais uma vez, a reboque de uma das suas obsessões, que o acompanhariam até ao fim (Reino do Amanhã foi o seu último romance, publicado em 2006; o autor viria a morrer em 2009): os subúrbios das sociedades pós-industriais, autossuficientes, fechadas sobre si próprias e com as suas gentes a morrer de tédio.

PRAÇA DE ITÁLIA, de Antonio Tabucchi (D. Quixote, 168 págs., €14,90). Reeditado pela Dom Quixote, Praça de Itália é o primeiro passo da obra extensa de Antonio Tabucchi e traz-nos uma saga familiar no contexto da história italiana.

OS NAUFRÁGIOS DE CAMÕES, de Mário Cláudio (D. Quixote, 192 págs., €14,90). O autor convoca a figura de Camões para uma trama narrativa ficcional e audaz. E se o poeta não tivesse concluído a sua epopeia?

LANZAROTE, de Michel Houellebecq (Alfaguara, 106 págs., €13,50). Mais do que “contar uma história”, em Lanzarote, Michel Houellebecq expõe-se nesta espécie de caderno de impressões sobre a ilha, o turismo e a vida contemporânea.

O CORAÇÃO É UM CAÇADOR SOLITÁRIO, de Carson McCullers (Relógio D’Água, 328 págs., €17). Pela vida breve e pelos amores errantes, a norte-americana Carson McCullers (1917-1967) é ainda hoje autora de culto. Em ano de centenário, O Coração É um Caçador Solitário, a obra que lançou a sua carreira, precoce e fugaz, tem nova tradução.

A GORDA, de Isabela Figueiredo (Caminho, 290 págs., €14,90). Primeiro romance de Isabela Figueiredo, professora de Português no ensino secundário, ex-jornalista do Diário de Notícias, que conta a história, talvez de teor autobiográfico, de Maria Luísa, uma menina gorda que sofre ao olhar-se ao espelho e cuja vida é um teste permanente à autoestima.

NÃO FICÇÃO

JORGE MOLDER, da Série Ph (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 136 págs., €19). Primeiro volume de uma belíssima coleção, nascida para editar os grandes nomes da fotografia portuguesa.

O SILÊNCIO NA ERA DO RUÍDO, de Erling Kagge (Quetzal, 160 págs., €15,50). Livro-peregrinação de Erling Kagge, homem que já desbravou os dois pólos, em busca do último luxo contemporâneo: o silêncio interior.

SILÊNCIO, de João Francisco Vilhena e Pedro Oliveira (Objetiva, 80 págs., €21,90). O fotógrafo de José Saramago e o cofundador da banda Sétima Legião criaram um belo livro de fotografias com disco dentro.

HISTÓRIA DO SEXO. HISTÓRIA DA SEXUALIDADE OCIDENTAL EM BD, de Philippe Brenot e Laetitia Coryn (Gradiva, 203 págs., €19,80). A primeira banda desenhada a contar a história da sexualidade, acabando com uma previsão do que virá a ser o futuro, com um psiquiatra e uma ilustradora como guias.

A CONQUISTA DO INÚTIL, de Werner Herzog (Tinta da China, 352 págs., €19,90). Werner Herzog percorreu várias vezes as terras da Amazónia por causa do megalómano filme Fitzcarraldo e tomou notas num caderno que se transformou em livro.

ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES, de David Grann (Quetzal, 424 págs., €19,90). Uma investigação do jornalista da New Yorker, David Grann, sobre expropriações manhosas, preconceitos raciais e os primeiros dias do FBI, escrita com o ritmo de um thriller.

VIAGEM AO SONHO AMERICANO, de Isabel Lucas (Companhia das Letras, 380 págs., €19,30). Um livro escrito na estrada, entre ficção e realidade, que parte da convicção da jornalista Isabel Lucas de que “está tudo na literatura”. “Daí esta viagem ser a partir de livros que levam a outros livros”.

ITÁLIA – PRÁTICAS DE VIAGEM, de António Mega Ferreira (Sextante Editora, 280 págs., €16,60). António Mega Ferreira soma quatro décadas de viajante amorosamente dedicado a Itália, numa escrita seduzida pela história e pela arte, pela curiosidade e pela capacidade de observação, pelo ethos e pelo pathos dos lugares que visita.

CLÉRIGOS: GUIA PARA CONHECER O EX-LÍBRIS DO PORTO, de Germano Silva (Porto Editora, 77 páginas €9,90). Viagem pelo conjunto barroco mais visitado do Porto, a Igreja e a Torre dos Clérigos, conduzida pelo jornalista, historiador do Porto e cronista da VISÃO, Germano Silva. Disponível em português, inglês, francês e espanhol.

LIVRARIAS, de Jorge Carrión (Quetzal, 344 págs., €19,90). O jornal britânico The Guardian escolheu Livrarias, do jornalista e professor universitário Jorge Carrión, como um dos dez melhores livros de viagens. Talvez até lhe assente bem mas, mais do que um guia para viajantes – estão aqui livrarias de quase todo o mundo –, este é um ensaio sobre o mais misterioso e infinito dos objetos: o resistente livro.

CARNAVAL NO FOGO, de Ruy Castro (Tinta-da-China, 240 págs., €18,90). O jornalista Ruy Castro faz um trajeto pela História do Rio de Janeiro, cidade “que recebe todo mundo sem fazer perguntas”, sempre com o seu refinado e solto humor tipicamente carioca.

ESCRAVOS EM PORTUGAL, DAS ORIGENS AO SÉCULO XIX, de Arlindo Manuel Caldeira (A Esfera dos Livros, 524 págs., €24,10). Sobre o tráfico negreiro bastante tem sido escrito a nível académico e divulgado no plano do manual escolar. Faltavam os escravos de carne e osso, mulheres, homens e crianças de todas as cores e credos que, ao longo dos séculos e de formas diversas, constituíram uma boa parte da população do País.

TUDO POR UMA BOA HISTÓRIA – CONFIDÊNCIAS E RELATOS DE JORNALISTAS PORTUGUESES (A Esfera dos Livros, 200 págs., €13,50). Com coordenação de Anabela Natário, Isabel Nery e Sofia Branco, Tudo Por uma Boa História reúne textos de 24 jornalistas sobre a sua profissão, cada vez mais em risco.

QUANDO PORTUGAL ARDEU, de Miguel Carvalho. Uma investigação jornalística de Miguel Carvalho, grande repórter da VISÃO, que questiona as “memórias consensuais” do período que se seguiu ao 25 de Abril.

EM VIAGEM PELA EUROPA DE LESTE, de Gabriel García Márquez (D. Quixote, 192 págs., €14,90). É um repórter nos despojos de Estaline este Em Viagem pela Europa de Leste, de García Marquez, a revelar a desilusão do autor com a natureza estática e repressora dos governos-satélite da URSS.

STREET ART LISBON 2 (Zest Books, 208 págs., €11). Segundo volume dedicado à arte urbana de Lisboa, a mostrar os trabalhos de artistas nacionais e estrangeiros realizados entre 2014 e 2016, em formato livro-álbum, prático e leve, com mapa e coordenadas GPS.

ERA UMA VEZ LISBOA, de Luís Ribeiro (A Esfera dos Livros, 280 págs., €17). Jornalista da VISÃO, Luís Ribeiro mergulha nos arquivos e traça várias histórias da capital, sem esquecer o seu lugar no mundo, as personagens e os encantos que conserva.

RETRATO DE JOVENS SENHORAS, CAVALHEIROS & CASAIS, de Charles Dickens e Edward Caswall (Pim! Edições, 200 págs., €15,50). Dois vultos da literatura do século XIX, dissecam a sociedade do seu tempo a pretexto de uma hilariante guerra dos sexos.

ESCOMBROS, de Elena Ferrante (Relógio D’Água, 376 págs., €17). Recolha de textos dispersos, sobretudo cartas e correspondência trocada nos últimos 25 anos, que dão a conhecer as inquietações da escritora perante o seu público e os meios de comunicação, mas também o seu amor pela obra de Elsa Morante, pela sua Nápoles natal e pela mitologia clássica greco-latina.