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'Quando se Ama Loucamente', o disco de Aldina Duarte em causa própria

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Uma canção oferecida, um desgosto de amor, literatura que salva... Ingredientes certos para um disco de fado no século XXI. Eis Quando se Ama Loucamente, de Aldina Duarte

A grande força do disco Quando se Ama Loucamente vem das palavras da própria fadista

A grande força do disco Quando se Ama Loucamente vem das palavras da própria fadista

Iluminado pela luz que irradia desse planeta literário único chamado Maria Gabriela Llansol (1931-2008), o novo disco de Aldina Duarte faz pensar nessa palavra tão cara ao universo fadista: “verdade”. Tudo começou no momento em que Manel Cruz (esse mesmo, fundador, há mais de 20 anos, dos Ornatos Violeta) escreveu a canção Quando se Ama Loucamente, letra e música, a pensar na voz de Aldina Duarte. Mas, quando essa oferta chegou às mãos da fadista, não havia sequer a ideia de um disco em perspetiva. Demoraria algum tempo até se tornar uma peça importante de um puzzle feito de vida verdadeira, a de Aldina Duarte na ressaca do fim de uma história de amor.

A canção de Manel Cruz pode ter dado o título ao sexto disco de Aldina Duarte, mas a grande força deste Quando se Ama Loucamente vem das palavras da própria fadista. Dez dos 12 fados (sendo que, para os puristas, não será claro chamar fado à criação de Manel Cruz...) têm letra de Aldina (a outra exceção é Beijo Enganador, de Maria do Rosário Pedreira). São os versos da fadista, escritos em causa própria e associados à cadência de fados tradicionais pouco explorados nos últimos anos (um deles é mesmo inédito), que dão a todo este disco uma verdade e autenticidade à prova de dúvidas.

Cada tema é antecedido por citações, inspirações (outra peças do puzzle, afinal) saídas da obra de Maria Gabriela Llansol, páginas que ajudaram Aldina a navegar os dias difíceis de um amor perdido. Há, por aqui, no puzzle completo, tanto de elogio ao amor e à paixão como, em contraponto, de melancolia e tristeza por um sentimento de perda.

E acreditamos que o efeito de verdade se acentuou, ainda, pelo modo como o disco, com produção de Pedro Gonçalves (dos Dead Combo), foi gravado: em três tardes, voz e músicos (Paulo Parreira e Rogério Ferreira, com quem costuma tocar, há anos, na casa de fados Sr. Vinho) no mesmo take, em perfeita sintonia.

Um dos fados tradicionais a que Aldina Duarte deu as suas palavras neste Quando se Ama Loucamente nunca tinha sido gravado desde a sua criação, há 40 anos. Trata-se do inédito Fado Ferreira, que pode ouvir-se no tema Refúgio.

Ouça aqui Casa do Esquecimento, do novo disco de Aldina Duarte, Quando se Ama Loucamente