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Estas rainhas valem um livro e muitas moedas

Livros e discos

Princesas de Portugal, Rainhas da Europa é um livro que começa onde os outros sobre princesas costumam acabar: na frase “casaram-se e viveram felizes para sempre”. Luís Almeida Martins e Marta Monteiro contam as histórias de quatro princesas portuguesas que se casaram com reis de outros países europeus – tudo explicado aos mais novos, com muito humor e muitos desenhos à mistura

Era uma vez… Melhor: eram quatro vezes. Em Princesas de Portugal, Rainhas da Europa, o jornalista Luís Almeida Martins e a ilustradora Marta Monteiro contam a(s) história(s) de quatro princesas portuguesas que se casaram com reis de outros países europeus. Leonor de Portugal, Isabel de Portugal, Catarina de Bragança e Maria Bárbara de Bragança são as protagonistas deste livro para crianças editado pela Imprensa Nacional e o Museu Casa da Moeda, com design e direção de arte da editora Pato Lógico – e que vem na sequência de terem sido elas as escolhidas para serem homenageadas pela Casa da Moeda através de emissões especiais de moedas de cinco euros.

E que ninguém tenha receio do tédio. Aqui não há princesas frágeis e cor de rosa – aliás, é de cor de laranja, azul e preto que Marta Monteiro ilustra estas histórias que atravessam os séculos, do XV ao XVIII, e onde não faltam coroas, sapatos de ponta arrebitada, vestidos com muitos folhos, punhos de renda e chapéus de plumas. Com uma linguagem simples e acessível e sempre com bom humor (só quem não conhece o autor se surpreenderá com o tom), Luís Almeida Martins vai contando as vidas destas quatro princesas-rainhas. Dentro da História com H grande cabem muitas outras histórias e curiosidades e, de caminho e como se nada fosse, ainda se fala de arte, de política, de religião, de economia e de outros temas que, à partida, poderiam afastar os leitores mais novos.

Escreve Luís Almeida Martins que os soberanos andavam “de um lado para o outro com os ombros muito enchumaçados e de mão no queixo” e nós até os conseguimos imaginar assim mesmo atarefados, nos salões da época, a arquitetar casamentos estratégicos, a bem da nação de Portugal e do mundo. O que aconteceu depois de cada uma dessas uniões é o que aqui descobrimos. É, por isso, um livro que começa onde os outros sobre princesas costumam acabar: na frase “casaram-se e viveram felizes para sempre”.

De Leonor de Portugal, a princesa nascida em Torres Vedras que casou com um imperador alemão “pouco cavalheiresco”, ficamos a saber que, além de – como todos os outros nessa altura – não tomar muitos banhos e não saber o que era pasta dos dentes, foi mais do que um bibelô e chegou mesmo a ser ela a defender o castelo do reino de um ataque inimigo, na ausência do marido, D. Frederico III. Já Isabel de Portugal, lisboeta bonita e culta, tornou-se mulher do soberano mais poderoso do mundo, Carlos V do Sacro Império e I de Espanha, e, depois de muitos anos esquecida pelo marido haveria de morrer antes dele e de o deixar com um grande desgosto de amor.

Catarina de Bragança, uma alentejana que foi rainha de Inglaterra depois de ter desposado D. Carlos II, nunca se deu bem com o casamento e com o país que (não) a acolheu. “A cidade era muito diferente das do seu país e as pessoas falavam uma língua estranha, feita de palavras curtas e sincopadas (naquele tempo, só os Ingleses é que sabiam falar inglês)”, escreve Luís Almeida Martins. A rainha, que era infeliz e suspirava pelos corredores, terá sido a responsável por tornar comum o chá das cinco em Inglaterra. E diz-se também que poderá ser por causa dela que, em Nova Iorque, existe um bairro chamado Queens.

Com a sua sobrinha neta, Maria Bárbara de Bragança, se termina este rol de realeza. A lisboeta que foi rainha de Espanha era conhecida como A Gorda e foi trocada por uma princesa espanhola, em pleno rio Caia, num esforço para selar a paz entre os dois países. Com D. Fernando VI, nunca teve uma vida muito feliz, à custa de uma madrasta malvada, conta Luís Almeida Martins, mas terá sido ela a lançar, na época, a ideia daquele que viria a ser o Museu do Prado – e só por isso, dizemos nós, já mereceria um livro e uma moeda.

Princesas de Portugal, Rainhas da Europa traz uma sobre-capa que se desdobra num cartaz com uma cronologia que assinala as datas importantes de Portugal e o Mundo. Ao longo do livro, mostram-se ainda as árvores genealógicas das quatro princesas-rainhas e, no final, junta-se informação sobre as moedas emitidas pela Casa da Moeda e um glossário com algumas palavras mais difíceis para os leitores.

Princesas de Portugal, Rainhas da Europa > de Luís Almeida Martins e Marta Monteiro > Imprensa Nacional e Museu Casa da Moeda > 56 págs. > €10