Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

'Meyerbeer, Grand Opera': bombons musicais

Livros e discos

  • 333

Um disco e um outro tempo revisitado por Diana Damrau, uma das melhores sopranos da atualidade

Luís M. Faria

Uma coleção de árias cómicas e dramáticas extraídas de obras em três línguas, 'Meyerbeer, Grand Opera' traz de volta uma época hoje vista como pomposa, mas que teve muito de brilhante

Uma coleção de árias cómicas e dramáticas extraídas de obras em três línguas, 'Meyerbeer, Grand Opera' traz de volta uma época hoje vista como pomposa, mas que teve muito de brilhante

O compositor Giacomo Meyerbeer (1791-1864) sofreu os efeitos de vários preconceitos. Um, contra artistas de sucesso. Outro, contra artistas cuja família é rica. E o último, ou primeiro, contra judeus. O seu pai era um financeiro alemão, e o menino Jacob Leibmann Beer (como ele se chamava, antes de adotar um nome artístico mais... artístico) foi criado entre a elite cultural de Berlim. É discutível se isso ainda hoje prejudica a sua reputação. Não ajudará o facto de a “grand opera” parisiense, com os seus quatro ou cinco atos e os seus ballets, toda a sua pompa e os seus clichés, ter caído há muito em desfavor. Meyerbeer foi o rei do género, e o extraordinário sucesso internacional que desfrutou na época joga hoje contra ele. Obviamente, não o podemos comparar a génios como Mozart, Rossini ou Bellini. Mas ouvido da forma adequada, ele oferece gratificações quanto baste.

Ombre Légère, da ópera Le Pardon de Plöermel (Dinorah na versão alemã), é um momento de leveza e felicidade melódica ao nível de outras árias francesas do século XIX ainda hoje bastante populares. Não havendo falta de sopranos a cantá-la, a interpretação de Diana Damrau demonstra bem as qualidades de elegância e segurança técnica que têm distinguido esta cantora alemã – uma das melhores sopranos coloratura em atividade – desde o início da sua carreira. O presente disco, segundo ela explica, é uma ideia que remonta aos seus tempos de estudante. Elogiando “o tratamento das vozes, as cores orquestrais e o sentido dramático” de Meyerbeer, ela nota também a facilidade com que o compositor transitava entre línguas (a partir de certa altura, a sua carreira foi um autêntico eixo Paris-Berlim) e a beleza e sensualidade das suas obras francesas. Se alguém duvida de que o amor pode bastante, basta ouvir qualquer uma destas onze árias, melhor saboreadas uma a uma e com um mínimo de informação sobre o contexto.