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'Pleasure': Feist na intimidade

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Depois do elogiado Metals, lançado em 2011, a artista canadiana Feist dá um passo em frente com Pleasure, um disco de maturidade

'Pleasure' é apenas o quinto álbum de estúdio de uma carreira musical que começou em 1991, mas que só em 1999 deu origem ao primeiro álbum a solo com o nome de 'Feist: Monarch (Lay Your Jewelled Head Down)'

'Pleasure' é apenas o quinto álbum de estúdio de uma carreira musical que começou em 1991, mas que só em 1999 deu origem ao primeiro álbum a solo com o nome de 'Feist: Monarch (Lay Your Jewelled Head Down)'

Houve um tempo, na carreira de Leslie Feist, em que tudo poderia ter sido diferente. Basta lembrar o equilíbrio entre a folk redonda e a pop colorida de álbuns como Let it Die (2004) ou The Reminder (2007), para perceber que a artista canadiana poderia facilmente ter assumido o estatuto de menina bonita da música alternativa. Optou por outro caminho, muito mais desafiante tanto para os fãs como para a própria, tal como já se anunciava no aclamado (mas muito mais complexo do que os anteriores) disco Metals, de 2011. Com Pleasure, eleva ainda mais a fasquia: é a prova que faltava da total maturidade e vitalidade artística de Feist.

A primeira sensação, mal se começa a ouvir o tema de abertura, que dá nome ao álbum, é que poderíamos estar na casa de Feist, a ouvi-la tocar só para nós. Sim, é um álbum íntimo, pelo modo como nos sussurra histórias pessoais de amor, ternura, perda, desilusão, separações e tudo o resto que faz das pessoas isso mesmo, pessoas. Assim continua, numa (falsa) crueza, construída com a mestria de uma produção perfeita, a cargo da própria, do conterrâneo Mocky e do francês Renaud LeTang, que consegue levar toda a riqueza musical e instrumental deste disco em direção ao essencial: as palavras e a voz de Feist. Basta ouvir Any Party, um dos momentos mais rock de todo o disco, quase a fazer lembrar o compatriota Neil Young, quando canta palavras como “You know I’d leave any party for you, no party’s so sweet as our party of two”. Ou a doçura de A Man Is Not His Song… Ou, ainda, o crescendo épico de Century, em dueto com o vocalista dos Pulp, Jarvis Cocker. E ir por aí fora, faixa a faixa, até ao fim, apenas para ter vontade de voltar ao início.

Veja o vídeo de Pleasure