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Mário Cláudio entra no universo de Camões

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Em Os Naufrágios de Camões, Mário Cláudio tece uma ficção com uma releitura da vida do autor de Os Lusíadas. E se o poeta não tivesse concluído a sua epopeia? E se não tivesse sobrevivido ao naufrágio no delta do Mekong?

O escritor tece uma ficção com uma releitura da vida do autor de “Os Lusíadas”. E se o poeta não tivesse concluído a sua epopeia? E se não tivesse sobrevivido ao naufrágio no delta do Mekong?

O escritor tece uma ficção com uma releitura da vida do autor de “Os Lusíadas”. E se o poeta não tivesse concluído a sua epopeia? E se não tivesse sobrevivido ao naufrágio no delta do Mekong?

O tempo das epopeias parece ter chegado ao fim. Por isso, um poeta cuja origem ainda nos é relativamente obscura, que demandou os quatro cantos do império português com vários amores e desamores pelo caminho, será sempre uma figura magnética. Mário Cláudio entra no universo camoniano comunicando com outra das suas obras centrais, Tiago Veiga, uma Biografia (2011). Timothy Rasmussen, linguista norte-americano e neto de Veiga, propõe uma tese revolucionária sobre o poeta maior da língua portuguesa: e se Camões não tivesse escrito (ou melhor, concluído) Os Lusíadas? E se não tivesse sobrevivido ao naufrágio no delta do Mekong e o capitão da nau da carreira da China onde Camões viajava, Bartolomeu de Castro, o tivesse substituído nessa empreitada?

Rasmussen expõe a mirabolante hipótese sem reservas. Diz ele que “o nosso homem [Camões] morreu no Camboja, talvez na ilha de Phu Quoc, e depois o próprio capitão, fazendo-se passar por Camões, e por autor do poema imorredouro, sobrevivente como Camões, e como ele recolhido pelos nativos, rumaria a Goa, a Malaca, e à Ilha de Moçambique, e daria continuidade à empreitada”.

A personagem de Rasmussen, além de aventurosa como o poeta a cujo estudo se dedica, é, por sua vez, um complexo mosaico que acaba por se deixar possuir pela vida e obra de Camões ao ponto de o incarnar a ele e ao capitão impostor. Mário Cláudio aumenta o grau de exigência do puzzle ao convocar para a narrativa um outro camoniano ilustre, o explorador britânico Richard Francis Burton, que, como o vate nacional, passou a vida em atribuladas viagens pela Ásia e por África.

E como os aventureiros vivem em extremos que sempre se tocam, Burton foi tradutor de Camões para inglês, tendo-se dedicado à empreitada de verter Os Lusíadas para o idioma de Shakespeare. E nem ele, Sir Burton, a personagem real deste romance, escapa à tentação de criar teses audazes sobre Camões…

Os Naufrágios de Camões (D. Quixote, 192 págs., €14,90) convoca a figura do poeta para uma trama narrativa ficcional e audaz.