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'Carnaval no Fogo': O Rio de Janeiro continua rindo

Livros e discos

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A Cidade Maravilhosa é passada a pente fino no livro Carnaval no Fogo, de Ruy Castro, da coleção de viagens da Tinta-da-China

O jornalista Ruy Castro faz um trajeto pela História do Rio de Janeiro, sempre com refinado e solto humor tipicamente carioca

O jornalista Ruy Castro faz um trajeto pela História do Rio de Janeiro, sempre com refinado e solto humor tipicamente carioca

Cidade de samba, sol e Carnaval – há que acrescentar, sempre, o pontapé na bola –, paraíso na Terra, maravilhosa, são alguns dos epítetos que se lhe colam. 
E com razão. Fica demonstrado pelo trajeto que o jornalista Ruy Castro faz pela História do Rio de Janeiro, sempre com refinado e solto humor tipicamente carioca. 
O Rio é, sobretudo, símbolo do Brasil, aquele país onde, segundo o ilustre pai da diplomacia brasileira, Barão de Rio Branco, só há “duas coisas organizadas: a desordem e o Carnaval”. Não é por acaso que Castro o cita. A folia e o Entrudo estão enraizados na alma da cidade e conheceram várias formas, da matriz europeia à africana, que nunca se combateram, antes pelo contrário.

O Carnaval, aliás, ajudou a cidade e o país a mesclarem ainda mais raças e credos, e Ruy Castro diz que a culpa é do Rio que, desde os tempos em que era só habitado pelos índios Tupinambás, vivia uma solta e alegre descontração: “Uma obra-prima da natureza, habitada por uma gente feliz, bronzeada e amoral: homens e mulheres que viviam cantando e dançando ao sol, todo mundo nu, fornicando alegremente nas matas e areias” e com “uma abundância de frutas, pássaros e peixes ao alcance da mão”. 
O tal Éden encontrado por colonizadores portugueses (com incursões de franceses pelo meio) havia de ser o forno ideal para cozinhar um Entrudo à medida para a confusão e a alegria.

Bastava juntar um ingrediente a esta receita de felicidade: a influência africana. Não faltam, a esta história do Rio, os episódios da casa de tia Ciata, escrava liberta que fez fortuna no negócio de roupa e albergava no seu “terreiro” músicos como Pixinguinha, e o apogeu do samba que cruzava músicos negros, brancos e mulatos nos mesmos espaços, ao arrepio das normas da época em todo o mundo.

Entre os anos 30 e 60, nota Castro, foram produzidos milhares de marchinhas e sambas de carnaval. Um dos temas, Cidade Maravilhosa, até se tornou hino oficial da cidade, quando esta 
deixou de ser a capital do país, nos anos 60. Um fenómeno só possível no Rio, cidade “que recebe todo mundo sem fazer perguntas”.

Carnaval no Fogo – Crónica de uma Cidade Excitante Demais (Tinta-da-China, 240 págs., €18,90) é mais uma obra de Ruy Castro sobre símbolos cariocas. O autor é conhecido pelas biografias de dois ilustres residentes no Rio de Janeiro: O Anjo Pornográfico – A Vida de Nelson Rodrigues e Estrela Solitária – Um Anjo Chamado Garrincha.