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'A Grande Aventura do Reino das Astúrias': Antes de Dom Afonso Henriques

Livros e discos

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Se é fã de A Guerra dos Tronos, nunca perca de vista que a realidade supera sempre a ficção – e que a História é a mestra da vida. A Grande Aventura do Reino das Astúrias, de José Javier Esparza, já está à venda nas livrarias

O escritor e jornalista valenciano José Javier Esparza tem-se dedicado à divulgação da História medieval peninsular

O escritor e jornalista valenciano José Javier Esparza tem-se dedicado à divulgação da História medieval peninsular

Lembra-se de, na escola, ter aprendido acerca do reino das Astúrias, que mais tarde passaria a chamar-se de Leão, de onde haveria de separar-se no século XII Portugal, fundado a partir do condado leonês de Portucale? Certamente que sim, mas para a grande maioria dos portugueses os séculos que antecedem a entrada em cena de D. Afonso Henriques permanecem bastante nebulosos. O “nosso” primeiro rei parece surgir do nada, por obra e graça do mesmo clarão divino que, segundo a lenda, o iluminou na polémica batalha de Ourique. Já os espanhóis, que têm uma História paralela à nossa, estão mais esclarecidos acerca destas épocas. A Reconquista da Península Ibérica aos Mouros é uma realidade cultural incontornável, em toda a sua vastidão temporal e complexidade, de cujo contexto, em nome da clareza, não devem isolar-se episódios. O escritor e jornalista valenciano José Javier Esparza, que se tem dedicado à divulgação da História medieval peninsular, oferece-nos agora, em edição portuguesa, o livro A Grande Aventura das Astúrias – Assim Começou a Reconquista Cristã, no qual transmite de modo simples e apaixonante o portentoso feito que foi a progressiva expansão de um minúsculo reino cristão que soube sempre manter-se independente dos mouros.Sob a direção de D. Pelágio (nobre sobrevivente das hostes visigodas desfeiteadas pelos invasores árabes em Guadalete), uma comunidade nunca vencida porque protegida pela barreira natural da Cordilheira Cantábrica inicia logo em 722, apenas 11 anos após essa derrota fulminante, o longo processo militar, político e diplomático que conduziria à paulatina formação de diversos estados cristãos posteriormente unidos (à exceção de Portugal) sob a coroa de Espanha.
Agora, que o radicalismo ideológico islamista – que não devemos confundir com o Islão – dá que falar pelos piores motivos sem se eximir de, por vezes, invocar o direito do “califado” ao domínio sobre o Al-Andaluz (a Península Ibérica em árabe), a leitura deste livro é mais útil e oportuna do que nunca.

A Grande Aventura do Reino das Astúrias (Esfera dos Livros, 382 págs., €23) é o primeiro volume publicado em português da trilogia A Reconquista, que vendeu milhares de exemplares em Espanha e na qual o autor se empenha em reconstituir a identidade espanhola (ibérica, podemos dizer) a partir da sua História