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Jogo de damas

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Paula Rego e Adriana Molder oferecem as suas visões inéditas sobre a Lenda da Dama Pé-de-Cabra

A moral, no sentido de "moral da história" como lição aprendida à custa de contrição, é matéria distante nas obras quer de Paula Rego quer de Adriana Molder.

As personagens pintadas destas, são singulares, passionais. Eventualmente, há castigos nas telas mas não comedimento. A narrativa histórica de Alexandre Herculano serve-lhes bem: uma misteriosa mulher com um pé fendido como um caprino demoníaco casa com um nobre a quem proíbe de se benzer.

O incauto distrai-se, a dama esfuma-se, e a fábula de culpa e redenção que se segue inclui batalhas, desencontros, pais e filhos, bestas animais, fogos do inferno.

Adriana Molder propôs o projeto e Paula Rego, encantada pelo tema popular que já trabalhou, aceitou. As duas artistas plásticas trabalharam a história, de forma independente, cada uma em cidades diferentes (Berlim e Londres).

O resultado, surpreendente, é uma série de obras inéditas, colocadas frente a frente. Paula Rego criou seis pinturas em papel de grandes dimensões, onde explora uma maior liberdade na composição e na cor. São grupos onde a escala, a autobiografia e os simbolismos permitem leituras várias.

Uma curiosidade: a pintora usou um elevador automático onde trabalhou, sentada numa cadeira. Adriana Molder aprofundou os seus grandes retratos em papel de esquisso, e tingiu de vermelho sanguíneo a mancha branca-negra aquosa. Há tensão, cinefilia, obra aberta. Entre encenação (de Paula) e evocação (de Adriana), a moral da história: sejamos desassossegados por elas.



PAULA REGO E ADRIANA MOLDER

Casa das Histórias Paula Rego

Av. da República, 300, Cascais

T.21 482 6970

8 Jul-28 Out

Seg-Dom 10h-19h