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Rota dos Vinhos do Tejo: Um dia com Fernão Pires no copo

Escapar

Sónia Calheiros

Vários programas com vindimas, gastronomia e passeios de barco ajudam a explorar um rio completamente diferente, a 50 quilómetros de Lisboa. A VISÃO Se7e foi acompanhar as vindimas da casta Fernão Pires, para ver no vídeo

Vestidos com calções, polo e chapéu de palha, numa mão vai a água, na outra a tesoura de poda. Toca a subir para o trator que vai levar-nos para o Monte d’Adua, uma das três vinhas da Casa Cadaval, em Muge. Estamos a sul do Tejo, na margem esquerda do rio, na Charneca, onde os solos são arenosos e menos férteis do que no Bairro ou na Lezíria, os três terroirs da região. Vamos tratar apenas da casta branca mais cultivada em Portugal, com cerca de 7% da área de vinha nacional, a mais expressiva do Tejo, presente em cerca de três mil hectares. Uma série de diferentes programas organizada pelos produtores de vinho e pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo querem elevar a casta Fernão Pires como embaixadora desta zona vinhateira.

Neste dia de escaldão, algumas uvas já estão queimadas, devemos colher de preferência as de baixo. Com o sol a fazer suar em bica, enchem--se 22 caixas de plástico, com 350 kg de uvas. Seguimos para a adega, onde lavamos os pés antes e depois da pisa. Há qualquer coisa de relaxante na pisa a pé, é quase terapêutico sentir a maciez do bago a transformar-se em mosto.
É preciso repor energias e nada melhor do que um almoço no restaurante Escaroupim, na terra com o mesmo nome. Só as entradas, tantas e variadas, são quase uma refeição, mas guardamos apetite para a consistente sopa de peixe e o bacalhau à lagareiro com o típico mangusto ribatejano (pão de milho, feijão branco e couve). Não saímos sem sermos os primeiros a provar o novo gelado de uva Fernão Pires, uma criação da Pascoalini, geladaria de Santarém com lojas também em Lisboa e em Almeirim.

Do cais palafítico de Escaroupim, aldeia avieira, uma das 12 desde Lisboa até à Golegã, partimos para um passeio de barco calmo, rasante à água. Para ali mudaram-se os pescadores vindos da Praia da Vieira, em Leiria, por ser muito mais fácil pescar no rio do que no mar revolto pelo inverno. Estávamos no princípio do século XX e as águas eram abundantes em sável. Hoje, continua a pesca de sável e também de enguia, lampreia e fataça, num rio em que o mais exclusivo são mesmo os seus pescadores. Despedimo-nos na praia fluvial de Valada, depois de um dia regado por brancos leves, frescos e frutados. À vossa!

Rota dos Vinhos do Tejo > Informações e reservas na Comissão Vitivinícola Regional do Tejo > T. 243 309 400 > www.cvrtejo.pt > programas mediante marcação com os produtores