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A desbravar o Gerês

Escapar

Na imensidão do único parque nacional português, seguimos caminho ao ritmo dos costumes, da natureza, dos monumentos históricos e das panorâmicas soberbas

O Parque Nacional da Peneda-Gerês abrange cinco concelhos, cada um albergando uma das cinco portas do parque nacional: Lamas de Mouro (Melgaço), Mezio (Arcos de Valdevez), Lindoso (Ponte da Barca), Campo do Gerês (Terras de Bouro) e Montalegre

O Parque Nacional da Peneda-Gerês abrange cinco concelhos, cada um albergando uma das cinco portas do parque nacional: Lamas de Mouro (Melgaço), Mezio (Arcos de Valdevez), Lindoso (Ponte da Barca), Campo do Gerês (Terras de Bouro) e Montalegre

Os blocos, as penhas, as pias, as bolas graníticas, que marcam o relevo das serras do Parque Nacional da Peneda-Gerês, contrastam com o carvalhal, os bosques ripícolas, as turfeiras e os matos secos e húmidos, habitats mais característicos deste território, alimentados por uma densa rede hidrográfica. É difícil resumir uma área com quase 70 mil hectares, que abrange cinco concelhos, cada um albergando uma das cinco portas do parque nacional: Lamas de Mouro (Melgaço), Mezio (Arcos de Valdevez), Lindoso (Ponte da Barca), Campo do Gerês (Terras de Bouro) e Montalegre, esta no centro da vila, junto ao castelo. A partir destas infraestruturas, ajuda-se o visitante a planear a sua visita e a fazer o enquadramento do território, antes de começar a explorá-lo. Existem, por exemplo, dezenas de percursos pedestres devidamente sinalizados, com diferentes paisagens, distâncias, vestígios históricos, perfis topográficos. O caminho faz-se caminhando… mas qual a direção a seguir?

A 1 200 metros de altitude, com as fragas e os picos do Gerês a poente e a noroeste, e o planalto Barrosão da Mourela a nascente e a nordeste, Pitões das Júnias, uma aldeia de construções graníticas, é uma das mais visitadas do concelho de Montalegre. Um percurso pedestre de quatro quilómetros (percorridos em cerca de 1h30), cujo ponto de partida é o cemitério da localidade, oferece inúmeras potencialidades. Desde logo, as ruínas do beneditino Mosteiro de Santa Maria das Júnias, fundado no século XII, encaixado e isolado no vale da ribeira de Camposinho. As portas estão fechadas, mas a belíssima envolvente e as lendas que precedem a sua construção conferem-lhe algo de mágico. A partir daqui, as sinalizações conduzem o visitante pelo carvalhal do Beredo, até se chegar a um passadiço de madeira, conduzindo a uma varanda com uma vista arrebatadora da cascata, com cerca de 30 metros de altura. Nos ares poderá avistar-se uma águia-de-asa-redonda, um peneireiro-vulgar ou um tartaranhão-azulado.

Para quem procure o contacto com o mundo rural, Pitões das Júnias recorda, no polo do Ecomuseu do Barroso, tradições perdidas no tempo. Instalado numa antiga corte, onde se guardava o “boi do povo” – responsável pela reprodução das vacas e defensor do orgulho do povo durante as chegas –, o piso superior reconstitui uma cozinha tradicional e reúne trajes típicos, peças do quotidiano e outras ligadas à produção da lã e do linho. Já o piso inferior é dedicado à agricultura e ao pastoreio, os modos de subsistência da população. Em edifícios próximos, situam-se o moinho de água e o forno comunitário, ainda em funcionamento, igualmente visitáveis. Costumes, natureza, monumentos históricos, panorâmicas soberbas, esta é apenas uma sugestão. Lindoso, Castro Laboreiro, Soajo, Tourém… havia tanto mais por descobrir.

A cascata Fecha de Barjas

A cascata Fecha de Barjas

Alexandre Dias

PARA FOTOGRAFAR

Miradouro da Pedra Bela
Fica num monte na margem esquerda do rio Gerês, a seis quilómetros das Caldas, e dali avista-se a albufeira da Caniçada, uma parte do vale do Gerês e as montanhas que sobem para a Portela de Leonte. A vista pede, por isso, fotografia.

AR LIVRE

Trilho do Sobreiral da Ermida do Gerês
Com uma extensão de 13,3 quilómetros (dificuldade média), que se percorre em cerca de cinco horas, esta rota pedestre circular em Vilar da Veiga, Terras do Bouro, estende-se por zonas campestres, ribeirinhas, florestais e de matos, destacando--se a aldeia de Ermida do Gerês e a cascata do Arado.

DORMIR

Hotel Águas do Gerês
Situado no centro da estância termal, o hotel foi remodelado recentemente.
Av. Manuel Francisco Costa, 136, Gerês > T. 253 390 190 > a partir de €59

Casa dos Braganças, Montalegre
No centro da típica aldeia de Tourém, uma casa de granito foi convertida em turismo de habitação, com 12 quartos.
R. dos Braganças, 8, Tourém > T. 276 579 138 > a partir de €60

Pousada da Caniçada, Gerês
Um chalé de montanha, com muito charme e vista para a barragem da Caniçada.
Av. da Caniçada, 1518, Gerês > T. 21 040 7650 > a partir de €107

COMER

O Abocanhado, Terras de Bouro
Restaurante debruçado sobre o vale do rio Homem. A matéria-prima local é rainha, como a costeleta da serra Amarela e o cabrito assado no forno.
Brufe, Terras de Bouro > T. 253 352 944 > dom, ter-qui 12h30- -15h30, sex-sáb 12h30-15h30, 19h30-21h30

Adega do Ramalho, Gerês
Cozinha minhota em destaque, dos rojões à vitela assada em forno a lenha.
Assureira, Vilar da Veiga Gerês > T. 253 391 336 > seg-dom 12h-15h, 19h-22h

Cantinho do Antigamente, Terras de Bouro
A ementa inclui posta de vitela, pataniscas, arroz de pica no chão e vitela assada (alguns, só por encomenda).
Lugar de Sá, Covide, Terras de Bouro > T. 253 353 195/91 817 0837 > dom-qui 12h-15h (jantar por marcação), sex-sáb 12h-15h, 19h-21h

Dom Pedro Pitões, Pitões das Júnias
Entre as especialidades está a feijoada à transmontana, o cozido à portuguesa, a posta barrosã e o bacalhau na brasa ou no forno.
Lg. Toleiro, 4, Pitões das Júnias > T. 276 566 288 > seg-dom 10h-22h