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Pink House: Era uma casa muito engraçada

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Respeitando a tradição arquitetónica e artesanal da ilha de São Miguel, nasceu, na Fajã de Baixo, a Pink House, um turismo rural contemporâneo em tons de rosa, ocre, cinza e cru. Tudo ali é bonito e confortável

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Estamos na sossegada Fajã de Baixo, a sete quilómetros de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, a freguesia onde ficam os terrenos dos Ananases Arruda, com que nos cruzamos para cá chegar. Pelo caminho, há muros de pedra compridos que guardam casas cor de rosa – a cor escolhida, há muitas décadas, pela família Cogumbreiro, quando aqui tinha várias casas, de férias e de apoio à atividade agrícola. É o portão num desses muros que se abre para nos deixar entrar na Pink House. Manuela e Emanuel Oliveira ficaram, em partilhas entre herdeiros, com este terreno onde existiam dois torreões (refúgio de trabalho de Afonso Chaves, naturalista, geofísico, meteorologista e fotógrafo de final do século XIX e princípio do século XX) e uma cavalariça com anexos para animais. Dos primeiros, fizeram a casa de família, já há vários anos. O segundo é agora a Pink House, turismo rural que inclui uma casa principal e um estúdio.

Os arquitetos Joana Oliveira (filha dos proprietários) e Giacomo Mezzadri (ambos são os responsáveis pelo Mezzo Atelier, a funcionar entre Milão e os Açores) tomaram conta da remodelação do espaço e criaram alguns móveis e peças de decoração, como o candeeiro de nove luzes (tantas quantas as ilhas do arquipélago) pendurado no teto da entrada, os candeeiros de cabeceira que pedem a forma emprestada à Pink House, ou as cadeiras das Furnas, que redesenharam com a ajuda do único carpinteiro que ainda as faz. “Quisemos manter a herança cultural e familiar desta rua, mantendo o cor de rosa no exterior e usando a cor ocre, não nas bandas, como habitualmente, mas nas portadas, de forma a manter o volume da casa limpo e o seu caráter maciço e rural”, explica Joana.

O que se sente, mal se entra, é o cheiro a madeira de criptoméria, mas também ali usaram pinho resinoso e acácia. No andar de baixo, ficam os quartos: um duplo e uma suíte que liga a um outro, individual, com uma pequena janela que transforma aquele num dos recantos mais fotogénicos da casa. Lá em cima, uma enorme sala, cozinha e área de refeições, com uma mesa comprida, também desenhada por Joana e Giacomo. Nas paredes, estão algumas fotografias antigas, feitas por Afonso Chaves, a lembrar a vida na ilha noutros tempos. As cores da decoração são claras, entre os crus e os pálidos e até o chão cinzento de microcimento. Dos azulejos da Cerâmica Vieira, usados em pequenas peças nas casas de banho, e de antigos tapetes de trapos feitos na ilha ao cesto de boas-vindas onde não falta o bolo levedo, o leite e a manteiga, tudo aqui é Açores. E que bonito que é.

“Quisemos manter a herança cultural e familiar desta rua, mantendo o cor de rosa no exterior", diz Joana Oliveira, arquiteta responsável, com Giacomo Mezzadri, pela remodelação

“Quisemos manter a herança cultural e familiar desta rua, mantendo o cor de rosa no exterior", diz Joana Oliveira, arquiteta responsável, com Giacomo Mezzadri, pela remodelação

Com horário definido (9h-19h), os hóspedes podem usufruir da piscina da casa de família durante a sua estada. E, ainda, servirem-se do que estiver a dar a horta nessa altura.

As cores da decoração são claras, entre os crus e os pálidos, e o chão cinzento de microcimento

As cores da decoração são claras, entre os crus e os pálidos, e o chão cinzento de microcimento

Pink House > R. José Medeiros Cogumbreiro, 65, Fajã de Baixo, São Miguel, Açores > T. 296 642 836/ 96 728 5621 > a partir de €70 (estúdio, máx 2+1 pessoas) e de €200 (casa, máx 6 pessoas) > www.pinkhouseazores.pt