Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Seis destinos para umas miniférias em Portugal

Escapar

A pensar nos fins de semana prolongados que aí vêm, reunimos seis sugestões de passeios para um merecido descanso. Do Minho ao Algarve – com paragem em Lamego, Ponte de Lima, Mértola, Grândola, Ourém e Aljezur –, escolha o destino e saiba onde dormir, o que visitar e onde comer

Florbela Alves, Inês Belo, Sandra Pinto, Susana Lopes Faustino

Frente à Regua, aproveite-se a estadia no Vila Galé Douro para fazer um cruzeiro no rio, visitar as quintas produtoras de vinhos ou fazer um passeio de comboio

Frente à Regua, aproveite-se a estadia no Vila Galé Douro para fazer um cruzeiro no rio, visitar as quintas produtoras de vinhos ou fazer um passeio de comboio

D.R.

1. Lamego: O Douro aos pés

Não faltam motivos para visitar o Alto Douro Vinhateiro – agora e sempre. A região demarcada mais antiga do mundo vale pela paisagem, mas também, claro, pelos vinhos, conhecidos aquém e além-fronteiras. Quem chega ao Vila Galé Douro, aberto desde maio de 2015, na outra margem da Régua, já em Cambres, Lamego, vai à procura desse “doiro sublimado” de que Miguel Torga falava. Se os dias forem de descanso, é possível encontrá-lo neste hotel com vista para o rio, com 38 quartos (30 standard e oito familiares), decorado com fotografias das vindimas e vinhas da região. O hotel possui piscina interior, spa (massagens a partir de €40) e um restaurante – chefiado por Miguel Santos onde a cozinha tradicional portuguesa combina com risotos (há 11 diferentes, como os de bacalhau, polvo com vinho tinto, alheira ou de queijo da Serra). O jacuzzi, na varanda exterior do hotel, só estará disponível a partir de maio. Estar mergulhado nas águas quentes, com o Douro em frente, será, garantem-nos, uma experiência inesquecível. Nesta altura do ano em que o rio ainda não é navegável – só o é entre março e novembro –, há, contudo, pequenos passeios de barco rabelo disponíveis junto ao cais do Pinhão. A visita aos 24 painéis de azulejos da Estação do Pinhão fará parte de qualquer roteiro da região. E, obviamente, a viagem às quintas, como a do Bonfim, a da Pacheca ou a das Carvalhas, vendo as vinhas e provando os vinhos de outras colheitas. Se se preferir percorrer a região de uma forma mais calma, a Go on Bike aluga bicicletas (€20/meio dia, €30/dia) e promove visitas guiadas (a partir €45). Nesta região, não faltam cenários para fotografar, como o Miradouro de São Leonardo de Galafura, situado a 18 km da Régua, na estrada para Vila Real. Se se quiser melhorar a experiência, é levar um cesto de piquenique e brindar a esta paisagem orgulhosamente nossa.

Guia de Viagem

DORMIR
Vila Galé Douro

Lugar dos Varais, Cambres, Lamego > T. 254 780 700 > quatro duplo (desde €100), familiar (dois adultos, duas crianças) a partir €130

COMER
(por Manuel Gonçalves da Silva, crítico gastronómico da VISÃO Se7e)
A Repentina

O cabrito assado em forno a lenha com batata e arroz, vitela assada ou leite-creme são os pratos regionais mais conhecidos. R. da Mó, Lugar da Mó, Poiares, Peso da Régua > T. 254 906 145 > ter-dom 12h30-15h, 19h30-22h > €20

VER
Museu de Lamego

No ano em que se assinala o seu centenário, o museu tem várias iniciativas previstas, como um Jantar Monástico, inspirado no cereal mais importante da história: o milho. Lgo. Camões, Lamego > T. 254 600 230 > seg-dom 10h-18h > €3, bilhete família 50% desconto

COMPRAR
Loja do Museu do Douro

Vinhos e azeites da Região Demarcada do Douro, amêndoas de Figueira de Castelo Rodrigo, sabonetes das águas termais das Caldas de Aregos, compotas e joias em filigrana. R. Marquês de Pombal, Peso da Régua > T. 254 310 193 > seg-dom 10h-18h

2. Ponte de Lima: Com as memórias de outros tempos

A Mercearia da Vila fica no centro histórico de Ponte de Lima

A Mercearia da Vila fica no centro histórico de Ponte de Lima

D.R.

Já não é um segredo bem guardado, o desta casa de três andares, onde outrora funcionou uma das mercearias com maior clientela da vila mais antiga de Portugal, e onde os peregrinos carimbavam o passaporte a caminho de Santiago de Compostela. É como parar no tempo, com as memórias do antigamente e o conforto dos dias modernos. Há cinco anos, quando Rodrigo de Melo, professor de Matemática, 61 anos, reabriu a antiga casa dos avós e dos pais como turismo de habitação, não imaginava que o projeto seria tão acarinhado como tem sido. E com todo o mérito. Dele, da mulher, Cândida, dos filhos, e da designer Madalena Martins, a quem foi entregue a recuperação do mobiliário e, até, o desenho de marcadores e menus a lembrarem os antigos livros de fiado. Os seis quartos têm nome de alguns dos produtos mais vendidos na mercearia de outros tempos: sabão amarelo, pimentão vermelhão, chocolate, chá verde, canela e açúcar. Este último (o maior), situado no último piso, decorado de branco, é doce, tão doce, como o açúcar, pois. Basta abrir a janela e olhar o rio Lima, atravessar a ponte romana ou deambular pelas ruas da vila para fazermos as pazes com a vida. Se não houver romarias por aqui, que é coisa que não falta ao Minho, pegue-se na bicicleta e siga-se por uma das muitas ecovias, desde o centro histórico à Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, onde existem mais de 500 espécies identificadas de mamíferos a aves como o chapim-real ou a alvéola-branca.

É com todo este espírito que, dos quartos da Mercearia da Vila, descemos para o pequeno-almoço, servido na antiga mercearia, onde se mantiveram os armários, o balcão e os cartazes antigos. São tantos (e tão bons) os mimos que chegam à mesa – compotas e iogurtes caseiros, queijo fresco, sumos naturais, bolos à fatia (o de espinafres ou agrião tem uma legião de fãs) – que nos apetece ficar por ali, como em casa das avós. Rodrigo de Melo confessa o orgulho em ter recuperado a memória da casa da família. E as suas também. Afinal, era ao balcão da mercearia que passava os dias a ajudar os pais e, quem sabe, terá sido ali que se treinou nas contas de somar e subtrair que o levaram a seguir a carreira de professor de Matemática.

Guia de viagem

Dormir
Mercearia da Vila

R. Cardeal Saraiva, 34, Ponte de Lima > T. 258 753 562/96 610 7856 > €55 a €70

Comer
(por Manuel Gonçalves da Silva, crítico gastronómico da VISÃO Se7e)
Convento da Gula

Situado perto da ponte medieval, serve cozinha minhota: arroz de sarrabulho, broinha de bacalhau e lampreia (aos domingos, até abril). R. do Rosário, 6, Ponte de Lima > T. 258 749 055 > seg, qua-dom 12h-14h30, 19h-22h > €20

Ver
Museu do Brinquedo Português
Viagem por 100 anos da História do País através dos brinquedos (do século XIX até 1986). Até 15 de abril está patente a mostra Brinquedos Mágicos – A Marca Arlo, com as caixas de construção da antiga fábrica do Porto. Lgo. da Alegria, 4, Ponte de Lima > T. 258 240 210 > ter-dom 10h-12h30, 14h-18h > €3 (menores de seis anos grátis), €6 (bilhete família)

Comprar
Loja da Maria

O Minho pode ser levado através da Maria de Ponte – uma boneca em cerâmica – em magnéticos, bolsas ou t-shirts. R. da Abadia, 1, Ponte de Lima > seg-sex 9h-12h30, 14h30-19h

Quando ir
Festival Internacional de Jardins

A 13ª edição abre as portas a 26 de maio, com o tema Jardim das Descobertas.

Marcos Borga

3. Mértola: Uma vila-museu

Estamos no Parque Natural do Vale do Guadiana, à beira-rio, na vila-museu de Mértola. As águas do Guadiana correm mesmo ali ao lado do Hotel Museu, pontuadas aqui e acolá por caiaques ou barcos de recreio. Estas atividades náuticas estão disponíveis por marcação na receção do hotel, e nem é preciso ser hóspede para usufruir do serviço. O mesmo se passa com o museu de 100 metros quadrados que o hotel tem e que mostra as ruínas de um bairro islâmico e de um armazém romano, e cerca de 40 peças arqueológicas. Estes vestígios, encontrados durante a construção e que quase impediram a obra, são uma atração. “Quando os clientes chegam cá, ficam muito surpreendidos”, diz a responsável, Maria Paula Palma. Quem ficar hospedado neste três estrelas, com 24 quartos, poderá acordar com esta vista para o Guadiana ou para o castelo e muralha da vila. Também poderá usufruir da esplanada para tomar um gin ou uma aguardente de São Barnabé, e, a partir daqui, avançar Mértola adentro. Junto ao hotel, existem umas escadas que levam os visitantes até à zona histórica.

O rio fica para trás, mas nunca se perde de vista. Pelas ruas íngremes de pedra gasta, descobrem-se miradouros, o casario branco e a paisagem vista lá do alto do castelo. Cruzamo-nos com restaurantes de comida tradicional alentejana, artesãs a trabalhar em teares antigos, de onde saem as mantas tradicionais. De visita obrigatória é o Museu de Mértola. Constituído por 11 núcleos, dispersos pela vila e zona envolvente, conduz-nos numa viagem ao passado, com paragens numa Basílica Paleocristã, nas ruínas de uma habitação romana, no castelo e numa das maiores coleções de arte islâmica do País. Inaugurado há seis anos, durante uma das edições do Festival Islâmico de Mértola, o Hotel Museu e toda a sua história cruza-se com a história de Mértola e com o trabalho arqueológico que tem vindo a ser feito ao longo dos anos. E que transformou esta vila-museu à beira-rio.

Guia de viagem

Dormir
Hotel Museu

R. Dr. Afonso Costa, 112, Mértola > T. 91 340 2033 > a partir €55 > museu: 11h-16h (se não estiver hospedado), grátis

Comer
(por Manuel Gonçalves da Silva, crítico gastronómico da VISÃO Se7e)
O Brasileiro

Na ementa destacam--se os pratos de caça, como o estufadinho de javali ou a açorda de perdiz, mas também há migas de túberas ou de ovas de saboga e grelhados de porco alentejano. Cerro de S. Luís, Mértola > T. 286 612 660 > seg-dom 12h-15, 19h-22h > €15

Ver
Pulo do Lobo

É a maior queda de água a sul do País e fica a cerca de 20 quilómetros de Mértola.
Aldeia da Mina de São Domingos
Visitas guiadas ao antigo complexo mineiro, que dão a conhecer o bairro operário (marcação prévia pelo T. 286 647 534).

Comprar
Mantas tradicionais

Têm motivos decorativos inspirados nas tradições berberes e são feitas artesanalmente com lã de ovelha campaniça. Cooperativa Oficina de Tecelagem > R. da Igreja, 35, Mértola > T. 286 612 036 > seg--sex 9h-13h, 14h-17h, sáb-dom 9h15-12h30, 14h-17h15

Quando ir
Feira do Mel, Queijo e Pão

28-30 abr
Festival Islâmico de Mértola
18-21 mai

Em Sobreiras Altas, perto de Grândola, fica A Serenada, uma propriedade convertida em enoturismo

Em Sobreiras Altas, perto de Grândola, fica A Serenada, uma propriedade convertida em enoturismo

Fernando Marques

4. Grândola: A ver praias e cabos

Ao fim de dois quilómetros de terra batida e já na entrada da herdade, vê-se a vinha, o olival e o montado de sobro. Só depois se dá de caras com a casa principal e as duas suítes do enoturismo A Serenada, em Sobreiras Altas, perto de Grândola. Apetece parar e, com todo o vagar alentejano, contemplar a vista. “É o nosso cartão de visita”, diz Telma Pereira, a responsável por receber os hóspedes n'A Serenada, propriedade que, no verão de 2013, Jacinta Sobral e Manuel Rodrigues da Silva converteram ao enoturismo.

Voltemos, porém, costas à vista para dar atenção aos quatro quartos duplos e às duas suítes que funcionam em casas separadas (equipadas com salamandra e uma pequena cozinha de apoio) e que têm nomes de castas. No quarto Touriga Nacional, por exemplo, duas barricas de madeira servem de mesa de cabeceira; no Verdelho, a cortiça surge bem evidenciada na cabeceira da cama e, na Suite Ramisco, o destaque vai para o azulejo português na parede. Espreitem-se, em seguida, as áreas comuns deste enoturismo, no qual se realizam provas e jantares vínicos. Na sala da lareira onde são servidas as refeições (mediante reserva), podem saborear-se bochechas de porco estufadas em vinho tinto, frango do campo com pimentos, bacalhau assado no forno. Durante a digestão, nada melhor do que folhear um dos muitos livros da biblioteca, jogar uma partida de cartas ou de dominó, esticar as pernas num passeio pela vinha velha. É daqui que saem as uvas para o Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias. Perto da piscina, um dos lugares mais procurados no verão nestes 23 hectares, é um bom poiso para simplesmente beber um copo e não fazer mais nada. Ou, em alternativa, dar um passeio até à Praia da Aberta Nova, a 13 quilómetros, e à aldeia da Comporta, nos limites da Reserva Natural do Estuário do Sado, conhecida pelos seus areais, águas límpidas, bares de praia e restaurantes de peixe.

Guia de viagem

Dormir
A Serenada Enoturismo

Outeiro do André, Sobreiras Altas, Grândola > T. 269 498 014 > a partir de €80 (quarto duplo twin standard), €95 (twin superior) e €105 (com vista panorâmica), €120 (suíte com varanda panorâmica)

Comer
(por Manuel Gonçalves da Silva, crítico gastronómico da Visão Se7e)
A Talha

Migas de espargos e carne de alguidar, ensopado de borrego e javali com castanhas são os pratos mais procurados neste restaurante de cozinha alentejana. R. D. Nuno Álvares Pereira, Centro Comercial O Lagar, Grândola > T. 269 086 942 > ter-sáb 12h-15h, 19h22h, dom 12h-15h > €17

Ver
Centro da Ciência Viva da Lousal

A reconstituição da Mina do Lousal em funcionamento, desde o final do século XIX até 1988. Av. Frédéric Velge, Grândola > T. 269 750 520 > ter-dom 10h-18h > a partir de €10 bilhete família (dois adultos e um número indefinido de crianças)

O boutique hotel Luz Houses, perto de Fátima, tem 15 quartos decorados com madeira natural e cores pastel

O boutique hotel Luz Houses, perto de Fátima, tem 15 quartos decorados com madeira natural e cores pastel

Fernando Pereira

5. Ourém: Um lugar de fé

Apesar do Santuário, a região oferece mais atrações a crentes e a não crentes. A 15 quilómetros de Fátima, por exemplo, são deslumbrantes os 600 metros visitáveis das Grutas de Mira Daire, as maiores do País. Para quando o passeio vai longo, e o corpo pede um sítio para carregar baterias, existe o boutique hotel Luz Houses – que na verdade mais parece uma aldeia. Lá dentro, descobre-se um curral de ovelhas, uma ermida, uma cisterna e, para quando o calor vier, uma piscina. Antes de se espreitarem os restantes segredos do jardim, com carvalhos, oliveiras e azinheiras, primeira paragem na Casa Mãe. É nela que se reúnem as áreas comuns e, nomeadamente, a receção e a mercearia, onde é possível comprar sapatos da marca Labuta, vinhos, azeites e loiças típicas da região. Lá perto, no honesty bar, quem se serve é o próprio cliente, como se estivesse em casa. Os copos, as garrafas, o gelo e as especiarias estão à disposição. Existe ainda uma sala de estar com lareira e um restaurante para refeições ligeiras: omeletas (€3,50), saladas (de laranja com cebola, azeite e vinagre balsâmico €3,50) e tábuas rústicas com queijos e enchidos (€17). No total, a Luz House possui 15 quartos, fazendo-se a decoração com mobiliário em madeira natural, cimento afagado, cores pastel, cestas de verga, mosquiteiros em renda e um sem-número de pormenores. De regresso ao jardim, atente-se na gruta natural transformada em sala de massagens. Numa região cheia de hotéis, restaurantes e lojas de recordações religiosas, o Luz Houses é, por assim dizer, um pequeno santuário de bem-estar. E quando a energia estiver de volta aos níveis habituais, sugere-se uma voltinha no kartódromo Fun Park, ali bem perto, na aldeia vizinha de Boleiros. Para acelerar.

Guia de viagem

Dormir
Luz Houses
R. Principal, 78, Moimento, Fátima > T. 249 532 275 > a partir de €98,90 (quarto duplo superior)

Comer
(por Manuel Gonçalves da Silva, crítico gastronómico da VISÃO Se7e)
Tia Alice

O arroz de pato, chanfana, vitela com batata assada no forno a lenha, bacalhau gratinado com molho branco são pratos célebres. R. do Adro, 152, Fátima > T. 249 531 737 > ter-sáb 12h-15h, 19h30-21h30, dom 12h-15h > €35

Ver
Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota

A Batalha de Aljubarrota (1385) é aqui descrita com todos os detalhes, tirando partido das novas tecnologias. O centro inclui também descobertas arqueológicas e um parque de engenhos medieval. Av. D. Nuno Álvares Pereira, 120, São Jorge, Calvaria de Cima, Porto de Mós > T. 244 480 060 > ter-dom 10h-18h30 > €7, €3,50 (6-12 anos), grátis (<5 anos)

Comprar
A Rosa Albardeira

A loja vende produtos regionais como mel, azeite e queijos da serra D'Aire, compotas e Ginjinha d' Castelo de Ourém. R. 13 de maio, Mercado de Fátima, lj. 13, Fátima > T. 249 102 932 > seg 14h30- -18h30, ter-sáb 9h30- -13h, 14h30-18h30

Quando ir
Feira de Maio

O calendário ainda não está fechado, mas do final de abril até ao fim de maio, decorre a maior festa anual de Leiria.

Com 23 quartos, a Amazigh Guest House, à entrada de Vale da Telha, a cinco minutos de carro das praias de Monte Clérigo e Arrifana

Com 23 quartos, a Amazigh Guest House, à entrada de Vale da Telha, a cinco minutos de carro das praias de Monte Clérigo e Arrifana

D.R.

7. Aljezur: Entre a serra e o mar

É lá de cima, do castelo, último reduto mouro na conquista do Algarve no século XIII, que se tem a melhor vista da vila de Aljezur. O casario que serpenteia encosta abaixo, a imensa várzea fértil onde se mantém a tradição do cultivo de frescas hortas, da batata-doce e do amendoim, a Igreja Nova e, a recortar o horizonte, a serra de Monchique. Para poente fica o vale de D. Sancho, onde em tempos se cultivou o arroz, e por onde passa a ribeira até chegar ao mar, na Praia da Amoreira. A paisagem marca de resto toda esta costa, chamada de Vicentina e protegida pelo parque natural, feita também de altas falésias onde se aninham areais selvagens e o mar traz ondas boas para surfar.
João Carvalho, 47 anos, conhece bem estas paragens, ainda do tempo em que vinha de férias com os amigos e a prancha por companhia. Há sete anos abriu o Amazigh Hostel, no centro de Aljezur, e, em junho passado, a Amazigh Guest House, à entrada de Vale da Telha, a cinco minutos de carro das praias de Monte Clérigo e Arrifana. “Era uma antiga albergaria que estava fechada”, conta, “o que implicou algumas obras e a reformulação do espaço”. Com 23 quartos, todos com casa de banho, apostou-se numa decoração simples, em tons claros e com madeiras, pedras, boias de pesca e outros materiais encontrados nas praias. Lá fora, o jardim é grande, com zonas de estar e descansar, e, enquanto não chega o tempo dos mergulhos na piscina (são duas – uma para adultos, outra para crianças), pode sempre jogar--se uma partida no court de ténis. Isso ou dar uma bela caminhada por um dos trilhos da Rota Vicentina, que correm junto à costa. O “golfe desta região”, como lhe chama João Carvalho, “que, fora da época alta, atrai sobretudo estrangeiros, mas que os portugueses começam a descobrir”.

D.R.

Guia de viagem

Dormir
Amazigh Guest House

Urb. Oceano, Lote 10, Vale da Telha > T. 282 995 149, 96 242 4632 > a partir de €59

Comer
(por Manuel Gonçalves da Silva, crítico gastronómico da VISÃO Se7e)
III Geração

Mudou de nome, porque o senhor Ivo já lá não está, mas ficou na família com a mesma cozinha simples e agradável, à base de marisco, peixe fresco e batata-doce. R. 25 de Abril (EN 120), Aljezur > T. 282 998 534 > ter-dom 12h-15h, 18h-22h > €17

Sítio do Rio
A caminho da praia, já nas dunas, oferece a boa cozinha regional, em que predominam os peixes (sargos, douradas e robalos, grelhados a preceito) e mariscos da costa. Outras especialidades são o arroz de peixe e a caldeirada. Estr. da Praia da Bordeira, Carrapateira > T. 282 973 119 > seg, qua-dom 12h-22h > €18

Ver
Museu do Mar e da Terra da Carrapateira

R. do Pescador, Carrapateira > T. 282 970 000 > ter-sáb 10h-13h, 13h30-17h > €2,66, €1,06 (13-17 anos), grátis crianças até 12 anos

Comprar
Mercearia da Ponte

Batata-doce da variedade Lira, pão cozido em forno de lenha, amendoim torrado e manteiga de amendoim ou pastéis de batata-doce. R. 25 de Abril, 94-96, Aljezur > T. 282 998 044 > seg-dom 8h-20h

Quando ir
Festival Lavrar o Mar

O projeto da coreógrafa Madalena Victorino e do encenador Giacomo Scalisi termina em maio com um grande festival, a durar duas semanas, com exposições, espetáculos na natureza, performances e instalações. Aljezur e Monchique > 19-28 mai

  • Da Covilhã a Manteigas, seguindo o fio à meada

    Escapar

    Enquanto há um restinho de neve na serra da Estrela, aproveite-se também para conhecer na região. Uma proposta de passeio até à Covilhã e à vila de Manteigas, construindo um novelo à volta da lã e, no fundo, à volta do passado ligado à indústria dos lanifícios. É a primeira de sete escapadas – a pensar nas férias da Páscoa que aí vêm – que chegarão ainda a Lamego, Ponte de Lima, Mértola, Grândola, Ourém e Aljezur