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Hotel 1908: A arte de bem receber

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Num edifício distinguido com o Prémio Valmor, em Lisboa, dorme-se agora entre peças de arte e com vista para um dos bairros mais boémios e multiculturais da capital

Da renovação do hotel, feita pelo Ateliê Pardal Monteiro, resultaram 36 quartos, com nomes que variam consoante a dimensão e a vista

Da renovação do hotel, feita pelo Ateliê Pardal Monteiro, resultaram 36 quartos, com nomes que variam consoante a dimensão e a vista

Mário João

Um grande besouro dá as boas-vindas aos hóspedes na receção do Hotel 1908, aberto esta terça-feira, 14, entre o Largo do Intendente e a Avenida Almirante Reis, em Lisboa. A peça foi criada por Bordalo II, com as antigas portadas das janelas, caixilhos e móveis, retirados das obras de renovação deste edifício de 1907, distinguido no ano seguinte com o Prémio Valmor e uma das referências arquitetónicas da cidade, da autoria do arquiteto Adães Bermudes, um dos expoentes da Arte Nova em Portugal. Também no lobby bar há outro animal de Bordalo II, desta vez uma libelinha de asas vermelhas que ocupa quase uma parede de cima a baixo.

Neste hotel de quatro estrelas, pertencente à empresa Villa de Santana e gerida pela Amazing Evolution, não falta espaço para a arte. No saguão, as pinturas de Vanessa Teodoro sobem pelos quatro andares, contando a história do prédio e desta zona boémia. Do elevador envidraçado, veem-se pintadas referências aos dois inquilinos mais antigos do prédio, A Lotaria Boa Sorte e a Casa de Gouveia, que ali moraram no rés do chão durante muitos anos.

Da renovação do hotel, feita pelo Ateliê Pardal Monteiro, resultaram 36 quartos, com nomes que variam consoante a dimensão e a vista: The Square Rooms, voltados para o Largo do Intendente; The Avenue Rooms, com vista para a Avenida Almirante Reis; The Attic Rooms, no último piso, com uma zona de estar independente e que podem ser reservados por grupos; The King of Dome, a suite principal, com acesso a uma sala na cúpula, e The King Rooms, quartos com tipologias maiores. Lá dentro, foi tudo pensado do detalhe e recorrendo a produtos nacionais: das mantinhas de lã d’A Vida Portuguesa aos móveis da We Wood e à pedra lioz trabalhada por Alfredo Antunes Flor para as casas de banho. “Privilegiamos, o mais possível, as marcas portuguesas e recuperamos materiais já existentes”, conta Margarida Almeida, diretora da Amazing Evolution.

Uma viagem pela História, a do 1908, que começa dentro de portas e pode continuar pelas ruas da cidade com a ajuda do mapa oferecido pelo hotel, desvendando lugares inusitados, como a Biblioteca de São Lázaro, ali tão perto.

No lobby bar, está um dos animais criados por Bordalo II para o Hotel 1908

No lobby bar, está um dos animais criados por Bordalo II para o Hotel 1908

Mário João

No Hotel 1908 fica o restaurante Infame, chefiado por Nuno Bandeira de Lima. A ementa de raiz portuguesa não esquece outras cozinhas do mundo. O Pho Go, caldo de rabo de boi com noodles de arroz e pak choi (€7) e a salada Martim Moniz, com couve-chinesa, clementinas, queijo da ilha, amendoins, entre outros ingredientes, são duas das opções.

Hotel 1908 > Lg. do Intendente, 6, Lisboa > T. 21 880 4000 > a partir de €130