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Pico do Refúgio – Casas de Campo: Os Açores no centro do mundo

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Em São Miguel, longe de invasões e atrações turísticas, Bernardo Brito e Abreu transformou uma quinta do século XVII num lugar de tranquilidade e de artes

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Está cheia de histórias, esta quinta – Bernardo Brito e Abreu conta-nos algumas, à volta da mesa comprida de madeira, na sala que em tempos serviu de cave de vinhos e que agora recebe quem chega ao Pico do Refúgio – Casas de Campo. Aqui mesmo, ao pequeno-almoço, já as terão ouvido também os hóspedes deste turismo na costa norte de São Miguel, nos Açores. A herdade, construída no início do século XVII, foi forte de milícias, quinta de laranjais e fábrica de chá. Hoje, quem aqui chega vem em busca de tranquilidade e encontra-a em passeios por estes 20 hectares, com o mar mesmo ali ao lado, mas também em mergulhos na piscina ou banhos de sol quando o tempo ajuda. E se o clima pedir aconchego, não faltam lareiras por cá.

Bernardo Brito e Abreu, antigo marinheiro e atual estudante de arquitetura, não quis deixar ao abandono a quinta da família. Transformou as casas ali existentes em cinco lofts e três apartamentos, todos T1 com cozinha aberta para a sala, todos confortáveis e todos muito bonitos. Nas paredes, saltam à vista desenhos, quadros e fotografias – alguns são resultado das residências artísticas de um mês que ali se organizam. A realizadora Cláudia Varejão foi a mais recente hóspede-artista do Pico do Refúgio e por lá já passaram, entre outros, o artista plástico Miguel Palma, os fotógrafos Daniel Blaufuks e António Júlio Duarte, o bailarino e coreógrafo Gustavo Ciríaco e o músico Thurston Moore. No final da residência, deixam uma obra, que Bernardo expõe nas áreas comuns. “A coleção de arte e design do Pico do Refúgio é para os hóspedes”, sublinha.

A ideia das residências é uma outra história das que este lugar tem. O historiador de arte Luís Bernardo Leite de Ataíde, bisavô de Bernardo, fazia da quinta a sua casa de campo, tal como, depois, o fez também a sua avó, a pintora Maria Luísa Ataíde. Mas foi sobretudo a mãe de Bernardo que o inspirou: Luísa Constantina, escultora e professora de arte, viveu aqui e convidava, com frequência, os seus alunos. “Ter aqui residências é como fazer aquilo que a minha mãe fazia quando era viva e trazia artistas e estudantes de arte que vinham para cá acampar. Lembro-me de ser pequeno e de estar aqui com eles. É como um legado. Acredito que as pessoas devem continuar a vir”, afirma. Os Açores no centro do mundo, pois. E da tranquilidade, também.

A ideia de Bernardo Brito e Abreu é desenhar novos espaços dentro da propriedade do Pico do Refúgio. Um deles, garante o futuro arquiteto, há de ser uma galeria.

Pico do Refúgio – Casas de Campo > Roda do Pico 5, Rabo de Peixe, Ribeira Grande, São Miguel, Açores > T. 296 491 062 > a partir de €76