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Entre o pão e o vinho

Visão Se7e

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O moscatel e o trigo de quatro cantos são, desde há um mês, peças de museu

O visitante não precisa beber um copo daquele vinho adocicado para pensar que caiu dentro da bebida e se encontrou, de repente, com um mundo escondido, onde cabem histórias, cheiros, sabores, imagens deslumbrantes...



É mais ou menos isso que acontece quando se atravessa a bonita fachada do século XVIII e se entra num edifício feito de raiz para contar a história do mais célebre moscatel do País e do outro ícone de Favaios, um pão criteriosamente moldado.



Primeiro vem o vinho. Vemolo fotografado por Egídio Santos, quando ainda é uva. Trata-se de uma casta específica, o moscatel galego, que se sente em casa neste planalto metido entre os relevos durienses. Um expositor permite, depois, espreitar o subsolo, ver a conjugação do xisto e da argila e perceber que a videira cresce num terreno que retém a água. A este habitat ficará o vinho a dever o seu sabor frutado, cujos aromas se podem adivinhar numa mesa de cheiros (desvendamos só alguns: o mel, a tangerina, a tília, a uva-passa...). Antes, tempo para ver como se faz a poda, conhecer instrumentos antigos ligados à produção ou ao laboratório.



O suporte encontrado para mostrar a variação das cores do vinho ao longo do tempo parece uma obra de arte: tubos de acrílico simulam uma palete que vai do laranja mais vivo do favaíto (três anos) até uma cor escura, quase negra, de um moscatel centenário.



Os lagares escavados na rocha, que atestam a produção de vinho já na época romana, só se veem através de fotos. Marcam a transição para o núcleo do pão.



Aqui, nova experiência sensorial, desta vez tátil - a mão sente as texturas várias por que o cereal passa desde que é grão até ser farinha. Quando deixa a sala, poderá sentir-se apto para fazer o afamado trigo de quatro cantos. As etapas são bem explicadas. Se dúvidas houver, veja-se o vídeo de Manuela Barriguda, a padeira mais famosa da terra. Os homenageados (pão e vinho) saboreiam-se no final, com vista para vinhas douradas.



NÚCLEO MUSEOLÓGICO DE FAVAIOS, PÃO E VINHO

R. Direita

T. 259 950 073

Ter-Sex 10h30-12h30, 14h30-18h30,

Sáb-Dom 11h-18h30