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Do Dão vulgar ao excelente

Visão Se7e

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A crónica semanal do especialista da VISÃO, José António Salvador

Há vários modos de conhecer uma região vitivinícola, sendo que o mais seguro e agradável é visitá-la, percorrendo a paisagem vinhateira para ir ao encontro dos seus produtores (onde exista enoturismo a funcionar).

O Dão é, quanto a mim, das regiões portuguesas onde podem nascer dos melhores vinhos tintos, graças à natureza dos solos, ao clima e às suas castas tintas mais relevantes: Touriga Nacional, Roriz, Jaen e Alfrocheiro Preto. No domínio dos vinhos brancos destaque-se a variedade Encruzado, que marca o seu caráter.

Quando na última década do século passado se assistiu a um renascimento da região, com o florescimento de vinhos de quinta e a afirmação do projecto Sogrape (Quinta dos Carvalhais), os vinhos da autoria do eng.º Alberto Vilhena, que durante 30 anos, entre 1958 e 1988, dirigiu o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas, eram fonte de inspiração e referência de qualidade superior.

Ora, para quem não viaja até ao vale do rio Dão, entre as Serras do Caramulo e da Estrela, pode tentar reconhecer a região adquirindo vinhos disponíveis no comércio. A imagem de uma região é-nos dada também pelos produtos standard, aqueles a que a generalidade dos consumidores tem acesso, porque bem sabemos que tal perfil não pode restringir-se aos raros vinhos de topo (na qualidade e no preço).

Durante as feiras de vinho adquirimos cinco tintos do Dão entre os €3 e os €5 (à semelhança de bons vinhos a preços idênticos do Douro e da Península de Setúbal, por exemplo), que se nos revelaram apenas vulgares tanto em prova como nas refeições à mesa: Duque de Viseu 2009, Quinta da Garrida 2009, Quinta da Ponte Pedrinha 2008, Casa da Passarella 2008 e Álvaro Castro 2009. Eram vinhos com defeitos? Não. Mas também não mostravam caraterísticas que me entusiasmassem enquanto consumidor. Vinhos acídulos, um tanto agrestes, decepcionantes. Reconciliei-me depois com o Dão através de dois outros vinhos:

 



Borges Meia Encosta Dão 2011 **** - €3,50

Um branco seco e suave, ligeiramente frutado, muito equilibrado e com prolongado pós-boca. A sua estrutura disfarça os 14% vol. álcool.



Quinta dos Carvalhais Dão Reserva 2007 ****/***** - €25

Um tinto em grande forma que precisa de "respirar" antes de ser consumido.