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Dióspiro: fruta em verso

Visão Se7e

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Lucília Monteiro

Parece tosco, rude, mas é bom que conste: tal como a nêspera, também tem um poema

O dióspiro dá até nome a uma coletânea de poesia, de Daniel Maia Pinto-Rodrigues (o da nêspera é de Mário Henrique Leiria). "Depois do almoço/ Quando arrastamos a cadeira um pouco para trás/ Uma sonolência morna entrelaçada de luz entra pelas janelas/ Ludibria as cortinas e difusa poisa no vinho. É nessa altura que dizemos: vou comer este dióspiro antes que apodreça."

Talvez as palavras amoleçam o coração (no caso, a boca) dos que se recusam a prová-lo por aquela polpa mole, com textura rara ou pelo rasto áspero que o fruto deixa quando consumido na altura errada.



Prove-se o dióspiro (leva mesmo acento...) bem maduro, mesmo que a casca apresente manchas escuras e esteja rasgada pelo tempo, e aprecie-se toda aquela doçura de comer às colheradas.



Até dezembro, é tempo deles e os nutricionistas apontam-lhes muitas vantagens: rico em vitaminas A e C, minerais (ferro, zinco, magnésio...), fibra, tem também propriedades anticancerígenas, graças à presença de fitoquímicos com elevada capacidade antioxidante.



Pegue lá numa colher...