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Os dez melhores sítios para chorar em Lisboa

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Depois do Porto, a ilustradora Joana Estrela criou o Map for Crying Travellers em Lisboa. São dez lugares melancólicos – justificados com humor –, onde viajantes (e não só) podem deitar uma lágrima sem embaraços. É lançado neste sábado, 21, na Ó! Galeria, em Lisboa

O mapa desdobrável é acompanhado por ilustrações de Joana Estrela

O mapa desdobrável é acompanhado por ilustrações de Joana Estrela

Um miradouro, um jardim, um restaurante, uma estação de metro e até mesmo a montra de uma agência imobiliária fazem parte do Map for Crying Travellers que Joana Estrela desenhou, a pensar não só nos turistas que visitam Lisboa (está escrito em inglês), como para qualquer um que precise de encontrar um sítio onde possa verter uma lágrima, sem que se sinta embaraçado. O mapa desdobrável da capital – que segue a mesma linha do que a ilustradora criou, em 2016, para o Porto, com os dez lugares para chorar na cidade onde vive – é apresentado neste sábado, 21, a partir das 17 horas, na Ó! Galeria, na Calçada de Santo André, 86, em Lisboa.

De um lado do mapa, de cor verde, encontra-se a localização dos dez lugares pensados e testados por Joana Estrela (a artista assume gostar de chorar em público); do outro, a descrição de cada um desses sítios, acompanhada, claro, por uma ilustração. Apenas dois foram sugeridos pelos seguidores do seu Instagram (@dortyparker): os Jardins da Gulbenkian e o Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, que, escreve, “é tão grande que o viajante se conseguirá sempre sentir sozinho”. Já nos Jardins da Gulbenkian, pode chorar-se à vontade nos muitos lugares escondidos, ou mesmo enquanto se observam os patos e as tartarugas. “Eles não se vão importar”, nota.

“Escolho sítios que, na minha opinião, têm alguma coisa de dramático ou de inspirador”, justifica a designer e autora de comics que, em 2016, ganhou o prémio para Melhor Ilustração de Livro Infantil com Mana (editora Planeta Tangerina). É o caso de um restaurante de comida turca, o Turkish Kebab House, nos Anjos, onde “o andar de cima está quase sempre vazio”, garantindo, escreve Joana com humor, "duas coisas boas para quem se sente devastado: privacidade e batatas fritas”. Mas há outros sítios, como o Miradouro de São Estevão, “um lugar pequeno, detrás de uma igreja”, que, talvez por isso, não seja concorrido e, "se ficar vermelho de tanto chorar, não haverá risco de ser fotografado por um turista”; a Estação de Metro do Colégio Militar porque está “habitualmente suja, não tem lojas bonitas ou sítios onde se sentar”; ou a dramática Boca do Inferno, em Cascais, olhando a fúria do mar.

Neste mapa, indicado também para quem gosta de criações bonitas em papel, encontrará outros lugares inesperados (e sempre justificados, com graça). Como o Oceanário, uma opção mais “chique”, que Joana acrescentou a pensar em “quem tem algum dinheiro para gastar e gosta de chorar em locais exóticos”; o Disgraça, um centro cultural perto da Penha de França, onde ninguém perceberá que se chora, tal é a quantidade de fumo dos cigarros; ou mesmo assistir ao Fado Bicha, uma espécie de manifesto queer onde se fala de discriminação, racismo, identidade do género, que levou Joana Estrela às lágrimas… Por último, conta a ilustradora, o que será mais deprimente do que olhar para os anúncios de uma agência imobiliária e perceber que a gentrificação das cidades deixou as casas com um valor impossível de pagar? Após verter uma lágrima, Joana aconselha que se deixe de olhar a montra e se opte por beber uma cerveja ao Jardim Arco do Cego.

Map for Crying Travellers, de Joana Estrela > €7 (mais portes) > à venda Ó! Galeria (Lisboa e Porto), It’s a Book (Lisboa), Galeria Senhora Presidente (Porto) e no site da autora