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Sejam bem-vindos à casa nova d'A Avó Veio Trabalhar, em Lisboa

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O projeto de inovação social A Avó Veio Trabalhar mudou-se do Poço dos Negros para a Penha de França, para continuar a crescer. Na nova loja-atelier, vão poder receber mais avós – e os avôs também estão convidados

O projeto começou em 2014, com 12 avós, agora estão inscritas cerca de 80 e, com regularidade, junta-se um grupo de cerca de 36. Das suas mãos saem alfineteiras, fotografias antigas bordadas, colchas, tapetes, bonecos e – novidade – uma coleção de originais almofadas em forma de comprimido

O projeto começou em 2014, com 12 avós, agora estão inscritas cerca de 80 e, com regularidade, junta-se um grupo de cerca de 36. Das suas mãos saem alfineteiras, fotografias antigas bordadas, colchas, tapetes, bonecos e – novidade – uma coleção de originais almofadas em forma de comprimido

Luis Barra

O riso e o burburinho que se ouvem da rua são contagiantes e não deixam margem para dúvidas: as avós já estão a trabalhar na casa nova. A mudança para o Largo Mendonça e Costa, na Penha de França, tem poucos dias mas “foi uma lufada de ar fresco” para o projeto de inovação social A Avó Veio Trabalhar, dizem Susana António e Ângelo Campota, da Fermenta, a associação responsável pela iniciativa que combate a solidão dos mais velhos através dos lavores, criando peças de design artesanal.

“Estávamos estagnados na loja/atelier do Poço dos Negros. Há mais de um ano que não conseguíamos trabalhar como queríamos, nem receber mais avós.” Na nova casa, um piso térreo com montra para a rua, há mais de 300 metros quadrados para ocupar e muito para fazer. “Ainda estamos em soft opening”, brinca Ângelo. “Só em setembro, quando fizermos a festa de inauguração, que terá uma ação de recolha de fundos e a participação da cantora brasileira Mallu Magalhães, é que vai estar tudo pronto. E vão recomeçar os workshops.”

É Ângelo que nos faz uma visita guiada: “À entrada vai funcionar a loja, com a mesa comunitária, onde as avós já estão a trabalhar. Na zona do atelier vamos montar um estúdio de serigrafia e outro de fotografia, e as secções de tricot, costura e bordado vão estar divididas. A ideia é eleger uma representante para cada área, de forma a dar-lhes mais autonomia e responsabilidade. É também para isso que serve o projeto, para empoderarmos as avós, para elas sentirem e perceberem o seu real valor.” O projeto começou em 2014, com 12 avós, agora estão inscritas cerca de 80 e, com regularidade, junta-se um grupo de cerca de 36. Das suas mãos saem alfineteiras, fotografias antigas bordadas, colchas, tapetes, bonecos e – novidade – uma coleção de originais almofadas em forma de comprimido.

Maria Idémia Correia, 77 anos, vizinha do novo bairro, é a mais recente avó. “A minha filha achava que eu precisava de sair de casa. Levou-me a vários sítios, mas eu não gostei de nenhum, até vir aqui”, conta. A nova loja/atelier também vai estar aberta a artistas que queiram desenvolver os seus trabalhos com as avós. “Já estamos a criar uma comunidade, há pessoas daqui a quererem juntar-se a nós”, diz Susana António. E são muito bem-vindas.

Há quatro meses, A Avó Veio Trabalhar chegou aos Açores. O convite foi feito pelo Centro Regional de Apoio ao Artesanato, e o projeto está a ser desenvolvido em parceria com Susana António e Ângelo Campota, fundadores da Fermenta, a associação responsável pela iniciativa.

A Avó Veio Trabalhar > Lg. Mendonça e Costa, 10, Lisboa > T. 93 624 3762 > seg-sex 10h-18h