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A Livraria da Travessa veio do Rio de Janeiro para Lisboa e, com ela, trouxe "aquele jeitinho"

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Tratam os livros como se fossem objetos de desejo, garantem mil e uma iniciativas culturais e ambiente arquitetónico de qualidade. Eis as razões do êxito da histórica Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, que acaba de abrir no Príncipe Real, em Lisboa

Rui Campos, o mineiro que em 1986 abriu uma livraria na Travessa do Ouvidor, no Rio de Janeiro, transformando-a desde então num dos polos culturais mais conhecidos do Brasil

Rui Campos, o mineiro que em 1986 abriu uma livraria na Travessa do Ouvidor, no Rio de Janeiro, transformando-a desde então num dos polos culturais mais conhecidos do Brasil

Diana Tinoco

Agora, os livros já estão todos arrumados nas bonitas prateleiras pretas. Mas, a quatro dias da inauguração da filial lisboeta da Livraria da Travessa (no domingo passado, 19), era vê-los a sair dos caixotes, uns atrás de outros. Rui Campos – o mineiro que em 1986 abriu uma livraria na Travessa do Ouvidor, no Rio de Janeiro, transformando-a desde então num dos polos culturais mais conhecidos do Brasil – não esconde o entusiasmo ao ver a encomenda que chegou da editora francesa Gallimard. A ideia é de que a loja do Príncipe Real (300 metros quadrados espalhados por várias salas, mesmo ao lado da Casa Pau Brasil) venha a ter 40 mil títulos disponíveis: 60% portugueses, 20% brasileiros e outros 20% estrangeiros.

Aos 65 anos, Rui Campos continua a cuidar dos livros como se estes fossem objetos de desejo – e, não parecendo, isso diz muito do espírito da sua Travessa. “Sedução e livro andam sempre juntos. A missão da livraria é valorizar esse desejo do leitor pelo livro”, defende, em jeito de manifesto. O seu objetivo também é, segundo explica, aumentar a presença em Portugal dos livros publicados no Brasil e vice-versa. Como é possível, interroga-se, que, “no mundo da internet”, os livros não circulem livremente entre os dois lados do Atlântico? A Travessa lisboeta – a primeira loja do grupo a abrir fora do Brasil – mantém o projeto arquitetónico da dupla pela qual a “casa-mãe” carioca ficou conhecida: Bel Lobo e Bob Neri, que, em Lisboa, trabalharam em conjunto com o português Pedro Barata. “Foram eles que transformaram a livraria em ambiente”, conta Rui Campos, que no Príncipe Real também quer desenvolver uma agenda intensa de lançamentos, sessões de autógrafos, workshops, clubes de leitura… Em breve, abrirá ainda um café e, nas traseiras viradas para o Jardim Botânico, até já se lembrou de montar um cinema drive-in. Sobre o risco de abrir uma livraria, diz: “Também no Brasil assistimos ao encerramento de livrarias ultrapassadas, mas nós alcançámos uma visão de negócio especial. Temos uma livraria de excelente qualidade e, através do ambiente, conseguimos transformar o livro num objeto de desejo.” Deus é mesmo brasileiro.

A Travessa lisboeta – a primeira loja do grupo a abrir fora do Brasil – mantém o projeto arquitetónico da dupla pela qual a “casa-mãe” carioca ficou conhecida: Bel Lobo e Bob Neri, que, em Lisboa, trabalharam em conjunto com o português Pedro Barata

A Travessa lisboeta – a primeira loja do grupo a abrir fora do Brasil – mantém o projeto arquitetónico da dupla pela qual a “casa-mãe” carioca ficou conhecida: Bel Lobo e Bob Neri, que, em Lisboa, trabalharam em conjunto com o português Pedro Barata

Diana Tinoco

Livraria da Travessa > R. da Escola Politécnica, 46, Lisboa > T. 21 346 0553 > seg-sáb 10h-22h, dom 11h-20h