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Apaixonados pela botânica: As melhores lojas para comprar plantas, de folha grande ou miudinha

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As plantas de interior voltaram em força. Nestas dez lojas, em Lisboa e no Porto, há filodendros, begónias maculata, fetos arbóreos, catos e suculentas, para tornar os dias mais verdes

Florbela Alves, Inês Belo, Sandra Pinto, Susana Lopes Faustino e Susana Silva Oliveira

José Carlos Carvalho

1. Superbotânica, Lisboa

Quando o casal Roberta Gontijo e Márcio Orsi da Silva apostou em Portugal para abrir um negócio próprio, pensou imediatamente em plantas. “Somos arquitetos e no Brasil eu já trabalhava com paisagismo. Depois de uma passagem por Londres, onde a cada dia abria uma loja deste género, e de algumas viagens a Lisboa, percebemos que era uma área pouco ou nada explorada por cá”, conta Roberta. Desde junho de 2018 que a Superbotânica vende plantas de interior e acessórios online. “Um dos produtos que nos distinguem são os suportes desenhados por nós, e os clientes pediam para os ver. Por isso, abrimos uma loja”, continua Roberta.

É através da conta de Instagram que a maior parte dos clientes descobre a Superbotânica, de porta aberta em Alcântara desde o início de fevereiro, com uma seleção de plantas de interior que, dizem Roberta e Márcio, “não se encontra com facilidade”. São cerca de 30 a 40 espécies (a partir de €4), com nomes como orelha-de-elefante, feto-azul, cato-macarrão e zâmia. Todas as semanas, chegam novidades. “Estamos sempre à procura de coisas interessantes e diferentes.” A mais vendida é a begonia-maculata, mas quem vem à Superbotânica também procura plantas de maior porte, como a figueira-lira, e o serviço de plant styling, em que indicam quais as melhores plantas para determinado espaço, seja casa, escritório, restaurante. “Entregamos um guia de cuidados [quem compra na loja também o recebe], e um mês depois voltamos para ver se as plantas se adaptaram e se estão a conseguir cuidar delas.” R. Luís de Camões, 122, Lisboa > T. 21 156 6038 > ter-sáb 11h-19h > www.superbotanica.pt

Diana Tinoco

2. Vintage Cactus / Esteva, Lisboa

A maior parte dos catos não precisa de muitos cuidados para durar uma vida. Gostam de estar à janela a receber os raios de sol e de beber pouca água. “São muito fáceis de cuidar”, garante Camila Nascimento, proprietária da Vintage Cactus (a loja é provisória), no Cais do Sodré, e da Esteva, aberta há um mês, em Campo de Ourique, com uma cafetaria de ementa vegan. Nestas duas moradas, há mais de 250 variedades de suculentas e de catos, desde a espécie lithops, uma das mais curiosas, parecida com pedras, às suculentas rosário, mais comuns e que lembram vagens com ervilhas. Podem ser levados à unidade ou em composições, para pôr em cima da mesa ou pendurar num suporte em macramé, ali também à venda.

Antes de continuar, expliquem-se as diferenças entre estas duas plantas. Os catos, originários de regiões desérticas, são resistentes a grandes oscilações de temperatura, de manhã aguentam o calor e, ao anoitecer, o frio acentuado. Também dão flor, mas para que tal aconteça é “necessário cuidar bem deles”, avisa Camila. Por sua vez, as suculentas “sobrevivem facilmente à falta de água e de luz, pois possuem armazenamento de água nas raízes, caules e folhas”. E que bem que ficam juntas, num vaso, estas duas plantas. Vintage Cactus > R. do Arsenal, 116, Lisboa > ter-sáb 11h-20h > Esteva > R. da Infantaria, 16, 123, Lisboa > qua-dom 10h-22h

3. AzoresBotanic, Lisboa

Não são cultivadas em estufas nem levam adubos químicos, como a maioria das plantas à venda (vindas sobretudo da Holanda). As palmeiras, os fetos arbóreos, os filodendros ou as costelas-de-adão da AzoresBotanic nascem no solo vulcânico da ilha do Faial, ao sabor do vento do Atlântico, alimentadas pela água das chuvas. “São mais orgânicas”, diz Francisca Maltez, que quis trazer para Lisboa o verde dos Açores, onde cresceu. A ideia ganhou forma num cantinho da Comcor, loja de moda e design de criadores portugueses que teve na Rua Alexandre Herculano. “Coincidiu com esta tendência de voltar a ter plantas em casa”, conta. Há um ano, fechou a porta e lançou-se no novo projeto (além do showroom, a AzoresBotanic está à venda na loja Poeira, em Lisboa).

Francisca, 39 anos, é formada em Arquitetura Paisagista e em Biologia, e sabe do que fala. “Vou introduzindo as espécies, para ver se se adaptam ou se precisam de cuidados especiais. O clima dos Açores é subtropical húmido, aqui temos um clima mediterrânico, o ar é mais seco, no verão as temperaturas são mais altas e no inverno temos geadas.” A quem se encantar pela exótica Heliconia velloziana, que os descobridores portugueses trouxeram do Brasil, ou pela Ravenala madagascariensis, originária de Madagáscar, Francisca Maltez garante que ficarão bem instaladas. “São entregues com o solo adaptado ao tipo de planta e isso é muito importante para ter sucesso”, sublinha. Também faz bonitas composições, o que só resulta quando há tanto gosto e prazer naquilo que se faz. “Acho maravilhoso ter plantas, qualquer uma.” Av. Álvares Cabral, 62 – 4º esq., Lisboa > T. 91 220 8062 > www.azoresbotanic.com

Luis Barra

4. Limbo, Lisboa

É antiga a paixão de Soraia Silva por plantas. “Sempre tive muitas em casa, não é uma coisa de velhinhos, muito pelo contrário”, diz a propósito “desta moda iniciada pelas redes sociais”. No ano passado, decidiu largar a profissão ligada à arte contemporânea e, a 10 de maio de 2018, abriu a Limbo, dedicada a plantas de interior, com cerca de 200 espécies à escolha. Desde então, é com a vizinhança do bairro da Madragoa que passa a maior parte das horas do dia. Nas restantes, dedica-se a pesquisar novas espécies e a visitar mercados e viveiros. “Por cá não há produção, estas que aqui tenho chegam diretamente da Holanda.” Mais de metade dos seus clientes procura plantas “fáceis”, que exijam pouca manutenção, das quais se podem esquecer facilmente. “Mas, a maior parte das vezes, quem me pede isso, na verdade, quer tratar delas”, conclui.

Nesta categoria, destaca a Sansevieria trifasciata (€15), também conhecida como espada-de-são-jorge ou língua-de-sogra, por serem extremamente resistentes e purificadoras do ar. E deixa duas dicas: podem estar em sítios com pouca luz e devem ser regadas de três em três semanas. Já a Mimosa pudica (tem este nome porque fecha as folhinhas ao toque, €8) precisa de mais água e não aguenta baixas temperaturas. Segue-se a begónia maculata (€22), uma das preferidas de Soraia, que se destaca pelo vermelho forte num dos lados da folha. Para lá das plantas, vendem-se vasos de barro (€0,80 a €40) e cerâmicas de autor de Paula Valentim (otchipotchi), Cecile Mestelan (atelier Olho Cerâmica) ou Maud Téphany e Úrsula Duarte (atelier Sedimento). “Uma planta, se for bem tratada, dura uma vida”, remata Soraia Silva. R. do Machadinho, 48, Lisboa > T. 21 390 1549 > ter-sáb 11h-20h

D.R.

5. Generosa – Felicidade Envasada

Rosário, Sofia, Cristina, engenheiras agrónomas, e Joana, farmacêutica, formam a Generosa, projeto, nascido em agosto passado, que se traduz numa loja online, onde também partilham dicas para ajudar a escolher e a manter as plantas. Estão divididas por “coleções” e, para cada uma destas, escolheram um conjunto de exemplares que melhor se adapta às várias divisões da casa. “É a nossa seleção, uma espécie de ‘clube das fáceis’, tirando uma ou outra mais comichosa”, diz Rosário Sommer. E porque há espécies difíceis de pronunciar, deram-lhes nomes. A Borrachinha, por exemplo, uma árvore--da-borracha, com as suas folhas brilhantes e de porte alto, fica mesmo bem na sala; a Bambi, uma exuberante chifre-de-veado, é uma boa opção tanto para a cozinha como para a casa de banho; já sobre a Sebas, uma espada-de-são-jorge, dizem que todos devíamos ter uma no quarto, porque continua a produzir oxigénio às escuras (preços a partir de €2,30).

Rosário explica que, na sua maioria, as plantas à venda são as que decoravam as casas nos anos 70, como as monceras, as dracaenas e os filodendros. Depois há outras que estão na moda, como a Pilea peperomioides (chamam-lhe Poppy e é originária da China). A Generosa também organiza workshops. O próximo é já neste sábado, 16, n’A Sociedade, em Lisboa, para aprender a reenvasar – a ideia é levar aquela planta que já cresceu e que está a precisar de vaso novo (e fazer o lixo fora de casa). www.generosa.pt > T. 91 635 5838 / 91 706 3465

6. Terrárea, Matosinhos

Não é uma comum loja de plantas, esta que abriu há pouco mais de dois anos, em Matosinhos. Desde logo, pelo cuidado como tudo está organizado. Márcio Pereira e Sofia Nico, 29 e 28 anos, respetivamente, ambos com formação em Belas-Artes, são os responsáveis pela Terrárea. Márcio é a quarta geração de uma família de floristas e cedo se habituou a ajudar a mãe no horto e na loja. Mais tarde, chegou a trabalhar nos Alpes italianos com a namorada, Sofia, a colher plantas para fazer chá. Nos 400 metros quadrados da Terrárea, que inclui uma cafetaria de cozinha vegetariana, “o fio condutor são as plantas”. São elas, aliás, que dão nome aos pratos do menu. Quem resiste a uma Panqueca Calêndula ou a uma Bruschetta Gardénia?

O cenário vai mudando ao ritmo que chegam as plantas e, a poucos dias da primavera, o volume aumenta. De Portugal ou do estrangeiro, sobretudo da Holanda, vêm vários ficus (como a lyrata), sanseviéria, raphis, pelargónios... de vários tamanhos e feitios. Também o setor dos catos e das suculentas tem crescido. Márcio admite que seja “porque necessitam de menos cuidados”. “As pessoas pedem-nos informações exatas, como quantas vezes precisam de regar as plantas, mas isso depende da humidade ou da luz da casa”, nota. Com este projeto, Sofia e Márcio quiseram “romper com a ideia de que as floristas são para pessoas velhotas”, e conseguiram-no. Na Terrárea, entram clientes de todas as idades, seja para comprar uma planta, uma peça de decoração (há almofadas, jarrões, molduras) ou um ramo campestre de flores frescas. R. Brito Capelo, 1211, Matosinhos > T. 22 317 0414 > seg-sáb 10h-20h

7. Fiu – Jardins Suspensos

Inspirada na técnica milenar japonesa chamada kokedama, a Fiu cria autênticos jardins suspensos, com uma variedade enorme de plantas – pequenas árvores, fetos, suculentas, exóticas, aromáticas e condimentares – que dão um toque bastante original a qualquer lugar. Os tamanhos variam entre o mini e o grande mais, e os preços acompanham o diâmetro da bola de musgo que envolve as raízes (€6 a €40).

“A ideia surgiu da necessidade de as pessoas terem um espaço verde”, conta Rui Salgado, que partilha o projeto com Ana Miguel. Além de contribuir para “uma melhoria da qualidade do ar”, defendem os arquitetos paisagistas, o jardim suspenso “é sustentável e terapêutico” e não exige grande manutenção: apenas algum cuidado e rega semanal (basta mergulhar a planta num recipiente com água, cerca de dez minutos), assegura Rui Salgado. À venda em www.fiujardinssuspensos.com e em lojas de todo o País

8. Manel Jardineiro, Porto

Abriu há um ano a loja-oficina de Manuel Silva, 53 anos, que, desde então, tem mudado a imagem do Centro Comercial Bombarda, cujos corredores e pátio funcionam como um showroom das kokedamas (bolas de musgo, em português) que saem das suas mãos hábeis. Manel Jardineiro, como se tornou conhecido, tem aperfeiçoado a técnica japonesa que envolve as raízes – de oliveiras, suculentas, espadas-de-são-jorge, catos-zebra, heras de folha pequena (a partir €20) – numa bola, “com substratos adaptados a cada tipo de planta”, e que é, depois, envolta em casca de coco e de musgo.

Recentemente, introduziu uma mola avisadora de rega, que funciona “como uma espécie de seguro de vida” para a planta. Também a forma como as pendura mudou, e as bolas de musgo são agora suspensas com varetas de latão, dando-lhes uma maior estabilidade. Manuel Silva também vende plantas em vaso (sardinheiras, eucaliptos de jardim, oliveiras), mas são as kokedamas que o distinguem. Além da sua loja-oficina, pode encontrá-las, ao sábado, no Mercado Porto Belo. Centro Comercial Bombarda > R. Miguel Bombarda, 285 > T. 93 366 7519 > seg-sáb 12h-20h

9. Mia Luzia – Cactos e Suculentas, Santo Tirso

“Começou como um hobby, mas o vício cresceu e surgiu um jardim de inverno”, diz Cláudia Ribeiro, a mentora da Mia Luzia, em Santo Tirso. Com muita luz e dezenas de espécies de catos e de suculentas, nesta loja-estufa ajuda-se a fazer a escolha certa, bem como arranjos criativos. Entre grandes e pequenos, com e sem picos, e muitas variantes de verde, há exemplares com nomes como bola-de-neve-mexicana, aloé vera, crássula, arboreum e echevéria. “É o sítio onde vai ficar a planta que condiciona a escolha”, esclarece. R. da Ribeira, 260, Carreira, Santo Tirso > T. 91 454 6361 > qua-sex 10h-19h, sáb-dom 10h-17h

10. Horto da Boavista, Porto

É uma espécie de jardim, organizado por áreas, ao longo das quais se encontram centenas de plantas, para decorar o jardim ou um recanto da sala. Próteas, orquídeas, espadas-de-são-jorge e kentias estão entre as espécies escolhidas para dentro de casa, ao passo que as resistentes hortênsias e a lavanda ficam no exterior. “Oferecemos soluções e ajudamos na escolha”, diz Carla Santos, a gerente. Também ali se faz a manutenção das plantas e dão-se dicas sobre a rega e a exposição solar. Além de vasos – de cores, formatos e tamanhos variados –, há tesouras para podar, sacos de terra e tudo o mais que precisar. Av. da Boavista, Porto > T. 91 241 8455 > seg-dom 9h-19h

Como não ser um serial killer de plantas

Água
Há maior probabilidade de matar uma planta com água a mais do que com água a menos. Esta deve ser colocada por cima, na terra, e não no prato do vaso. Uma vez por semana será suficiente para a maioria das plantas de interior. Os catos devem ser regados um vez por mês, já as suculentas, de duas em duas semanas

Luz natural
É fundamental garantir a exposição à luz natural, mas quase todas as plantas de interior não gostam de sol direto

Refrescar
Não é só no verão que se deve borrifar as plantas e as folhas, devido ao calor. Durante o inverno, porque as casas são aquecidas, o ar fica seco e a planta também precisa de ser pulverizada

Cuidados continuados
A mudança para um vaso maior deverá ser feita gradualmente. Ficar amarela ou com manchas são dois dos sinais que pedem um recipiente maior

Terra
Para uma planta de interior, convém que a terra seja mais fofa e macia

Ciclo de vida
Não desista à primeira e dê uma oportunidade às plantas. Estas têm o seu ciclo de vida: algumas são anuais (estão em folha o ano todo), outras são vivazes (perdem as folhas e as flores no inverno e voltam a nascer no verão)

“Armas”
Regador, borrifador (o mais importante, por causa do tempo seco) e tesoura são os utensílios essenciais a ter