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À flor da pele: 9 marcas portuguesas de saboaria artesanal que vale a pena conhecer

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Sabão de rosmaninho e alecrim ou figo e laranja? Nestas nove marcas portuguesas de saboaria artesanal, não faltam combinações para descobrir – todas feitas à base de azeite, com ervas aromáticas, frutos ou leites vegetais

O leite de cabra serpentina ajuda a hidratar e a manter o equilíbrio da pele

O leite de cabra serpentina ajuda a hidratar e a manter o equilíbrio da pele

Marcos Borga

1. Olivae

É a partir da combinação de azeite, leite de cabra e óleos essenciais de plantas que nascem os sabonetes naturais da Olivae. A fórmula, aparentemente simples, tem, no entanto, muito para contar. Fabricados à mão, levam azeite virgem da Cooperativa Agrícola de Portel, leite de cabra serpentina, raça autóctone portuguesa, em risco de extinção, e ervas aromáticas de produtores locais. “A ideia é trabalhar com esta economia e aproveitar recursos”, diz Elza Neto, fundadora da Olivae.

Criado em 2013, em plena crise económica, como faz questão de referir, o projeto é inspirado nos produtos portugueses, principalmente da região de Évora, onde Elza vive. “Queria fazer algo com o que havia à volta, plantas, ervas, entre outras coisas”, conta. Um dia, cruzou-se com uma queima de folhas de oliveira e esse costume, diga-se assim, aguçou-lhe a curiosidade. Bióloga de formação, percebeu que as folhas, que acabavam na fogueira sem qualquer aproveitamento, eram ricas em oleuropeína, um composto fenólico com propriedades regenerativas com o qual se podia fazer, por exemplo, um sabonete. O plano acabou por não resultar – o produto final não mantinha as características –, mas deu frutos. Os sabonetes hidratantes da Olivae são feitos, não com folha de oliveira, mas com o bom azeite português, em quatro variedades: neutro, tomilho bela-luz, alecrim e rosmaninho (€5). “Vamos buscar coisas boas, não inventamos nada. É simplesmente voltar ao básico”, afirma Elza. www.olivae.eu > T. 91 919 4486

As formas irregulares dos sabões distinguem a Ode Sabão, inspirada nas cores e nos ingredientes do Mediterrâneo

As formas irregulares dos sabões distinguem a Ode Sabão, inspirada nas cores e nos ingredientes do Mediterrâneo

Luis Barra

2. Ode Sabão

Trabalhados à mão por Sara Domingos, estes sabões ganham formas únicas, irregulares e de aspeto inacabado. “Por estar ligada às artes, o que me dá mais gozo é trabalhar a matéria em si e as formas”, explica a artista plástica. Também a corda, que serve para pendurar os sabões, tem tanto de função como de criatividade.
A inspiração mediterrânica da marca revela-se nas cores – sempre entre os tons terra, do branco ao cinza – e nos ingredientes com que são feitos os sabões – uma base de azeite e plantas aromáticas, como louro, urtiga, alfazema, alecrim e flor de laranjeira. A ideia nasceu para suprir uma necessidade. Por ter de lavar muitas vezes as mãos, quando está a trabalhar, Sara desenvolveu um produto que não fosse tão agressivo para a pele. Depois de algumas pesquisas, passou às experiências, e assim surgiu a Ode Sabão. www.facebook.com/odesabao > www.instagram.com/odesabao

Cada sabonete da ArteSana é embrulhado, delicadamente, num tecido de algodão que pode vir a ser reutilizado

Cada sabonete da ArteSana é embrulhado, delicadamente, num tecido de algodão que pode vir a ser reutilizado

Lucília Monteiro

3. ArteSana

Há muito que Susana Santos, 46 anos, se lembra de fazer os próprios sabonetes em casa, no Porto, depois de ter aprendido a técnica com uma engenheira química. Mas foi em 2012, quando ficou desempregada, que decidiu pensar na saboaria artesanal como um negócio. “É mais um hobby que me dá algum lucro”, diz, uma vez que a produção é limitada. Entre as 13 referências (o sabonete para a barba e o de cabelo foram os últimos a chegar), o de óleo de grainha de uva e vinho do Porto e o de camélia e chá verde dos Açores são os que têm mais procura (a partir de €3,50).

Susana Santos divide-se entre a loja e alguns mercados, como o Porto Belo, ao sábado, na Praça Carlos Alberto, onde vende há sete anos. Nos dias de produção, tem de fechar a loja para poder trabalhar na oficina, nas traseiras. Agora, é por lá que está a preparar quatro quilos de sabonete camélia e outros tantos de baunilha e de algas, em falta nas prateleiras. O seu sonho é ter um atelier aberto ao público, numa outra morada, no centro histórico do Porto. R. dos Caldeireiros, 224, Porto > T. 96 583 9552 > seg-qui 9h30-18h

A Só Sabão, de Viseu, usa matérias-primas locais, sobretudo da Zona Centro

A Só Sabão, de Viseu, usa matérias-primas locais, sobretudo da Zona Centro

D.R.

4. Só Sabão

Resgatar os produtos da região da Beira Alta para a cosmética tem sido um dos objetivos da Só Sabão, a saboaria artesanal que Vítor Rodrigues e a mulher, Filipa Monteiro, abriram em 2002, em Viseu. Nas 13 referências de sabonetes artesanais, a maioria feita à base de azeite de azeitona galega (Nelas), encontramos matérias-primas como o leite de cabra serrana jarmelista (Tondela), uma raça autóctone da região, o vinho biológico do Dão da Quinta do Perdigão (Silgueiros, Viseu), o mel de apicultura natural d’A Abelha Azul ou o sal das salinas da Figueira da Foz e de Aveiro. Ao mesmo tempo que cria produtos sustentáveis, o casal – ele designer industrial, ela farmacêutica – quer também “apoiar os produtores locais que trabalham bem o seu produto”.

O cuidado dado aos sabonetes (de 25g a 100g, a partir de €5) é igualmente aplicado nas embalagens, feitas com papel reciclado e ilustradas por vários autores de acordo com as coleções temáticas. Depois dos sabonetes para a barba e para o cabelo (com zero desperdício, 100% sustentável e vegan), a marca – à venda em lojas de todo o País e já a exportar para vários países da Europa Central – prepara-se para lançar, em breve, o sabonete de ginja de Óbidos. Além da Só Sabão, dedicada à saboaria, Vítor e Filipa criaram a Amor Luso, com uma gama de produtos de cosmética, como óleos e manteigas corporais, igualmente produzidos de forma artesanal. amorluso.pt > T. 232 458 450

Na Casa Brava, os ingredientes utilizados, ervas aromáticas, especiarias e azeite, são locais e biológicos

Na Casa Brava, os ingredientes utilizados, ervas aromáticas, especiarias e azeite, são locais e biológicos

Alex Reyto

5. Casa Brava

A história desta marca de cosmética natural e vegan começa numa quinta abandonada na serra do Caldeirão, hoje recuperada e também a funcionar como eco bed & breakfast. Foi daqui, aliás, que veio o nome: “Como o terreno estava cheio de vegetação bravia, o senhor que nos estava a ajudar acabou por nos dizer: vocês têm aqui uma casa brava”, conta Marco Pinto. A loja fica no centro de Loulé, junto à muralha. É neste lugar simples e despojado, elegantemente decorado com mobiliário antigo reciclado, que está o atelier de Julie Pereira. Das suas mãos saem sabonetes 100% naturais, elaborados com ingredientes biológicos, do Algarve e Baixo Alentejo – ervas aromáticas (tomilho, lavanda, manjericão), especiarias e azeite (€3,30/ 25g, €6,90/ 110g). O objetivo é sempre o mesmo: cuidar da pele e do planeta, em simultâneo.

O projeto nasceu em 2016, quando o casal Julie Pereira e Marco Pinto, nascidos em França e filhos de pais portugueses, trocaram Paris por Loulé, depois de se terem encantado pela cidade algarvia durante umas férias. Aos primeiros sabonetes da Casa Brava deram o nome de Aroma do Sol (azeite e malagueta cayenna), Caminho Perdido (azeite, argila verde e tomilho biológico) e Origem da Terra (azeite e alfarroba), mas a oferta foi crescendo e tem agora oito variedades – incluindo o Equilibrium, um sabonete redondo, embalado em caixa de cartão, desenvolvido para a higiene íntima, em parceria com dois médicos ginecologistas do Algarve, e clinicamente testado. Para abril, está previsto o lançamento de um sabonete de Alepo, feito com loureiro bio e azeite. “Tem muita fama, é a raiz de todos os sabonetes duros atuais e foi a partir dele que nasceu o sabão de Marselha”, explica Marco. R. da Barbacã, 18, Loulé > T. 96 204 3797 > seg, qua, sex-sáb 10h-13h (fechado até meados de março) > www.casabrava.pt

Na Bonjardim, Teresa Oliveira e Sónia Martins produzem cerca de 2 mil sabonetes por mês

Na Bonjardim, Teresa Oliveira e Sónia Martins produzem cerca de 2 mil sabonetes por mês

Lucília Monteiro

6. Bonjardim

A sustentabilidade sempre foi uma preocupação para Teresa Oliveira, engenheira química, e Sónia Martins, microbióloga. Daí que, em 2015, na sequência de uma investigação que lhes chamou a atenção para os benefícios do azeite virgem extra português na hidratação da pele, lançaram a Bonjardim. A marca, com nome de uma conhecida rua do Porto, tem quatro referências – alfazema e alecrim, árvore do chá e laranja, erva limão e uma sem perfume, indicada para pele atópica (a partir de €7) –, e encontra-se à venda em todo o País, em algumas lojas e museus, como o Museu de Serralves (Porto), o Museu do Oriente e o Museu do Azulejo (Lisboa).

“Tínhamos o gosto pelos padrões de azulejos das fachadas”, contam, daí terem replicado os diferentes desenhos no papel de embrulho. Talvez por isso, os sabonetes sejam muito procurados por turistas e já se vendam em Leipzig, na Alemanha. Nem Teresa Oliveira nem Sónia Martins se dedicam à Bonjardim a tempo inteiro. E, por enquanto, não planeiam aumentar as referências nem a produção (cerca de duas mil unidades por mês). www.bonjardim.pt > T. 22 509 3124

Entre as referências da Árvore de Sabão, há um sabão feltrado, feito com lã cardada de ovelhas da raça churra algarvia, que serve de luva

Entre as referências da Árvore de Sabão, há um sabão feltrado, feito com lã cardada de ovelhas da raça churra algarvia, que serve de luva

D.R.

7. Árvore do Sabão

No Canadá, onde Clara Nogueira viveu vários anos, a saboaria artesanal é muito popular e até se aprende na escola. “Quando regressei a Portugal, vinha com o bichinho, mas estava longe de pensar que viria a fazer sabão”, conta. Os primeiros exemplares, de glicerina, foram feitos em 2012, mas o negócio rapidamente evoluiu para os sabões rústicos e artesanais. São agora cerca de duas dezenas no portefólio da Árvore do Sabão (€3,50 a €6).

Residente em Olhão, Clara, de 43 anos, foi aperfeiçoando a técnica com base em livros estrangeiros – quando começou, ainda não havia muita informação em português –, e através de experiências. “O objetivo é sempre criar sabões que tenham benefícios para a pele”, defende. Com base no método de saponificação a frio, utiliza azeite, óleos vegetais, infusões de ervas em azeite e ingredientes da região algarvia, como figo, laranja e sal marinho, comprados às sacas de 20 quilos. A paixão pela saboaria artesanal e pelos produtos endógenos levou-a a criar um sabão feltrado (€10), que utiliza lã cardada de ovelhas da raça churra algarvia, que serve de luva. Um mimo para a pele. www.facebook.com/ArvoreDoSabao > T. 96 383 7201

Muito hidratantes e macios na aplicação, os sabonetes da Saponina são produzidos pelo método de saponificação a frio

Muito hidratantes e macios na aplicação, os sabonetes da Saponina são produzidos pelo método de saponificação a frio

Divulgacao

8. Saponina

Formada em cosmetologia, Liliana Dinis trabalhou em várias marcas até que, em 2017, decidiu dedicar-se de corpo e alma a um hobby de vários anos – desde que descobriu que a filha, ainda pequena, tinha pele atópica. “O que lhe receitavam não fazia efeito. Com a formação que tinha, criei uma alternativa natural: uns sabonetes suaves, ricos em azeite e manteigas”, conta. Deu à marca o nome de Saponina, a molécula que faz naturalmente espuma. Focada no desperdício zero e na utilização de matérias-primas de qualidade, Liliana desenvolve sabonetes como se fossem para a própria família, sempre com o objetivo de tratar a pele do rosto ou do corpo, seja de que tipo for (seca, mista, oleosa ou acneica). Dois anos depois do lançamento, entre os dez sabonetes biológicos à venda (€5), mas com algumas novidades a chegar, o da linha de bebé com manteiga de karité e calêndula (feito com os ingredientes mais puros) é o que tem mais procura. “É adequado à pele sensível de bebés e crianças, mas também dos adultos com pele atópica”, justifica.

Muito hidratantes e macios na aplicação, uma característica dos sabonetes artesanais, são produzidos pelo método de saponificação a frio, a partir de uma base de azeite à qual Liliana junta várias manteigas vegetais, de manga, coco ou karité, conforme os benefícios que quer dar ao produto. Levam ainda leites vegetais (o de aveia, por exemplo, é feito pela própria), assim como várias infusões que utiliza na base, em vez da água pura. Mas o que os distingue, diz, são os superalimentos que incorpora na sua formulação: moringa (planta nativa da Índia), lucuma (pequeno fruto do Peru) e, em breve, maca (raiz originária também do Peru) e banana, para combater o envelhecimento. Há ainda outra característica que salta à vista nos sabonetes da Saponina: a imagem, que Liliana trabalha com muita dedicação, adicionando-lhes pequenos detalhes como folhas e grãos quando ainda estão no molde. Além destes, a linha de cosmética natural da marca inclui desodorizantes, dentífricos, champôs sólidos e óleos de corpo. www.facebook.com/saponinasoapsfromnature > www.instagram.com/saponina_nature

O Atelier do Sabão tem 30 referências - há, mesmo, um sabonete para lavar as mãos depois de cozinhar, e outro para animais de estimação

O Atelier do Sabão tem 30 referências - há, mesmo, um sabonete para lavar as mãos depois de cozinhar, e outro para animais de estimação

Lucília Monteiro

9. Atelier do Sabão

São às dezenas os sabonetes, de várias cores e forma irregular, a secar nas prateleiras do Atelier do Sabão, em Espinho, num processo de “cura” que demora 45 dias. Criados por Nathalie Moreira, investigadora e engenheira alimentar que, há seis anos, se dedica ao negócio da saboaria artesanal a tempo inteiro, e pelo marido, Luís Valente, têm como base o azeite virgem extra transmontano, “o principal agente responsável pela hidratação”. A essa gordura acrescentam-lhe óleos vegetais (coco, manteiga de karité, rosa mosqueta), além de alfazema, alecrim, eucalipto, leite de cabra ou argila preta.

“A produção depende das encomendas. Tentamos vender um produto fresco”, sublinha Nathalie, que compara o processo ao de fazer um bolo. No caso dos sabonetes, depois de desembrulhados, aconselha--se um prazo de uso de seis meses. O Atelier do Sabão, com loja aberta ao público, tem 30 referências (€4-€5), ou “uma solução para cada problema”, brinca o casal. A verdade é que há, até, um sabonete para lavar as mãos depois de cozinhar (o Pausa para Café), feito com azeite, café e especiarias, e outro para animais de estimação, com repelentes naturais. O champô sólido para o cabelo é a mais recente novidade desta marca artesanal que já exporta para os Países Baixos. R. 36, 416, Espinho > T. 96 111 7222 > seg-sex 10h-13h, 15h-19h, sáb 10h-13h > atelierdosabao.com