Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Ver mais além: 8 marcas de óculos portuguesas

Comprar

A paleta de cores faz inveja ao arco-íris, e os modelos são tantos que não há como lhes resistir. Muitos destes óculos saltam do desenho ganhando vida nas mãos de artesãos nacionais, em materiais como o acetato e a madeira. Eis oito marcas portuguesas para conhecer

Moel um dos novos modelos da Paulino Spectacles

Moel um dos novos modelos da Paulino Spectacles

D.R.

1. Paulino Spectacles

Ainda a Paulino Spectacles não tinha um ano e já era possível comprar um par dos seus óculos em Londres, Paris, Madrid ou Filadélfia. Hoje, são cerca de 90 as óticas espalhadas pelo mundo que distribuem os modelos manufaturados na Sociel, uma fábrica no Norte do País, onde o saber-fazer permite ter armações perfeitas, confortáveis e que assentam bem em qualquer tipo de rosto. Descendente de uma família de óticos, Ramiro Pereira decidiu criar uma linha de óculos, depois de uma viagem ao Brasil.

A Paulino Spectacles só se concretizaria dois anos depois, em setembro de 2012, mas o empenho em criar uma marca, na qual aplica os conhecimentos herdados do pai (Ramiro Paulino Pereira) e utiliza como matéria-prima o acetato italiano e reciclável da Mazzucchelli, depressa lhe deu visibilidade. O design é de Ramiro, que atribuiu, aos primeiros modelos, o nome dos seus familiares, como Martim, um dos mais vendidos. Entretanto, a coleção cresceu e há 25 formatos diferentes (armações €180, óculos de sol €190). “Os mais recentes batizei-os com nomes de vilas que me influenciaram de alguma maneira, como Óbidos, já os Saudade e Nostalgia remetem para o tempo em que trabalhava com o meu pai.” www.paulinospectacles.com > à venda em várias óticas e lojas multimarca

A Fora é a única marca portuguesa com lojas próprias. Esta fica no Chiado

A Fora é a única marca portuguesa com lojas próprias. Esta fica no Chiado

D.R.

2. Fora

Desenhada em Lisboa e fabricada no Norte do País. Assim é a Fora, nascida em 2013, a única a ter lojas próprias – uma no Rato, sazonal, outra no Chiado, onde estão todos os modelos da marca, doze no total, cada um em 6 ou 7 cores (a partir de €98). Mas há mais. Nesta loja também é possível trocar as lentes standard (da marca alemã ZEISS) por outras, das polarizadas às antirreflexo (são mais de 40 disponíveis).

Em 2010, com 20 anos e sem nunca ter tido um par de óculos na vida, Miguel Barral (atualmente o único sócio da marca) e o amigo João Veiga decidiram comprar, por brincadeira, um stock de óculos vintage. Venderam-se todos, e assim surgiu a ideia de criar uma marca. Os primeiros cinco modelos (500 pares) foram fabricados em Itália, e as vendas correram tão bem que, hoje, a Fora é uma marca de referência, tendo optado por produzir em Portugal. “A primeira coleção tinha modelos clássicos e intemporais, com uma interpretação muito nossa. Agora, o caminho passa por termos formatos mais diferenciadores, como os Rider, de lentes planas que criam um efeito visual diferente”, explica Miguel Barral que, em breve, deverá abrir outra loja na Baixa. www.fora.pt > R. da Misericórdia, 90, Lisboa > T. 21 346 1135 > seg-dom 11h-20h

Fabricados no Norte, na Sociel, um par de óculos Darkside demora cerca de três semanas a ser feito e requer muito acetato italiano

Fabricados no Norte, na Sociel, um par de óculos Darkside demora cerca de três semanas a ser feito e requer muito acetato italiano

D.R.

3. Darkside Eyewear

Os Ophélia, clássicos e mais femininos, e os Orion, de armação redonda, são, neste momento, dois dos modelos da Darkside Eyewear com mais procura. No entanto, diz Carolina Castro, é o design dos Drako, com que se estreou, que melhor define a marca nascida no Porto, no final de 2015. “Formas intemporais, com algumas tendências à mistura, bons materiais aliados ao saber-fazer português. As peças duram mais e, com isso, tornam-se mais sustentáveis”, explica Carolina, que entre fazer revenda online de óculos e o emprego de web designer, entretinha-se a desenhar o seu acessório preferido.

Fabricados no Norte, na Sociel, um par de óculos Darkside demora cerca de três semanas a ser feito e requer muito acetato italiano. “São muito grossos, surpreendem também por isso”, nota a responsável. Atualmente, existem 12 modelos diferentes de óculos de sol (a partir de €159), em cores que variam do vermelho ao tartaruga, passando pelo rosa e laranja. O número produzido nunca chega aos 500 e, uma vez por ano, em março, há sempre novos lançamentos. “São óculos de sol para quem gosta de usar este acessório todos os dias, tal como eu”, revela Carolina que, para dar a conhecer melhor a marca, enriqueceu o site da Darkside com uma série de entrevistas a pessoas que lhe são próximas, acompanhadas por fotografias nas quais os óculos são os protagonistas. www.darksideeyewear.com > à venda em várias óticas e nas lojas Scar.Id (Porto), The Feeting Room (Porto e Lisboa), M Oculista (Lisboa), +351 (Lisboa) e Cura (Monte Estoril)

Produzidos em madeira de forma artesanal, não há dois óculos Resso iguais

Produzidos em madeira de forma artesanal, não há dois óculos Resso iguais

4. Resso

Ter um par de óculos da Resso é sinónimo de peça única. É impossível produzirem-se dois óculos iguais, quando se trabalha com uma matéria natural como a madeira, de origem sustentável, seja ela de nogueira, de carvalho, de sucupira ou de roxinho, e com mão de obra artesanal.

Assim são produzidos, desde 2013, os óculos da Resso, marca que ganhou forma na marcenaria do pai das irmãs Catarina e Rita Rocha, em Barcelos. “Queríamos uns óculos de sol em madeira, mas não os encontrávamos. E fomos pedir ao meu pai que nos fizesse uns. Esperámos cerca de cinco meses, porque eles eram feitos no intervalo do trabalho”, conta Catarina. Com as armações na mão, foi preciso pôr-lhes as lentes. Foi na ida à ótica, e depois de vários elogios, que começaram a encarar a ideia como um negócio. Cabe a Rita desenhar os modelos, cerca de uma dúzia (entre €145 e €220, armações e óculos de sol), uns mais femininos, outros unissexo, fabricados na empresa da família, que também produz para outras marcas e estilistas. Graças a uma abertura na armação, um sistema criado pela marca, é possível aplicar lentes oftálmicas ou alternar as solares. www.resso.pt > à venda em várias óticas e lojas multimarca

O esboço do modelo Lagos

O esboço do modelo Lagos

5. Skog

Um dos óculos mais originais da marca chama-se Blaenau (€70), um modelo de formato cat eye, em madeira de pinho e com uma camada final de ardósia. A Skog, que em sueco quer dizer floresta, iniciou atividade em 2014, com um objetivo específico: “Mostrar que se pode ter uns óculos de qualidade, duráveis e produzidos com materiais sustentáveis, a preços acessíveis”, diz Filipa Silva, diretora criativa da marca, criada por Hugo Janes e por Afonso Caldeira que ganharam um novo sócio, Tim Vieira, em 2015, na primeira edição do programa Shark Tank, Portugal. Inicialmente produzidos em madeira, a Skog passou a ter vários modelos em acetato e edições especiais, como a Dublin JFK Edition (€65, 100 exemplares numerados) que leva gravado no interior da haste “Só quem ousa falhar grandemente pode alcançar a grandeza”, uma citação de John F. Kennedy, antigo Presidente dos Estados Unidos da América. www.skogeyewear.com

Os óculos da Ponte, desenhados por Bernardo Romão, têm um design mais alternativo

Os óculos da Ponte, desenhados por Bernardo Romão, têm um design mais alternativo

6. Poente

Com pais ligados ao ramo da ótica, Bernardo Romão, 26 anos, tentou de tudo, inclusive estudar Arquitetura, para fugir ao mundo das armações e das lentes. Nada resultou. Veio a licenciar-se em design, no IADE, e a envolver-se na marca de ótica do pai. Foi aí, a manusear as peças e a descobrir os encaixes dos óculos, que ganhou o “bichinho”. O curso deu-lhe as ferramentas para começar a desenhar, e Bernardo acabaria por lançar, há cerca de um ano, a Poente. “É uma marca diferente, para um público mais alternativo, ligado à cultura de rua, o meio onde me movo, entre artistas, músicos, designers e fotógrafos.”
A história da Poente também começou de forma diferente, com o lançamento, em 2017, de um modelo em colaboração com a Daily Day, uma loja do Porto. Um ano depois, tem uma coleção de nove óculos em acetato – feitos à mão, na fábrica da Sociel, em Gondomar –, uns inspirados nos modelos clássicos, outros mais arrojados mas com um design simples (armações e óculos de sol, a partir de €130). Mais recentemente, o street artist Akacorleone desenhou uma caixa e um pano de limpeza para a marca. “Não quero fazer óculos para toda a gente; a Poente é para quem procura uns óculos com personalidade”, afirma Bernardo. Em breve, será possível comprá-los no site da marca, até lá encontram-se à venda em lojas de ótica. www.poente.pt > à venda nas óticas Ildefonso Optical Boutique (Porto), M Oculista (Lisboa), Óptica do Sacramento (Lisboa)

7. Portugal Soul

Foi por trabalharem como distribuidores de algumas marcas internacionais de óculos que os irmãos Teresa e João Domingos decidiram criar uma que fosse 100% portuguesa. “A nossa ideia era mostrar que se faziam óculos de qualidade em Portugal, daqueles que se mantêm durante anos e anos em ótimo estado, permitindo passar de geração em geração”, diz Teresa, arquiteta de formação e responsável pelo desenho dos modelos da Portugal Soul.

Feitos em acetato, porque em Portugal ainda não há a possibilidade de se fazer óculos em metal, inovaram no design, trabalhando o material de maneira diferente, como aconteceu com o modelo Lux. “Normalmente este seria criado com uma combinação de metal, mas nós fizemo-lo todo em acetato”, explica a responsável. A coleção tem cinco modelos – que se multiplicam por várias conjugações de cores, de armações e de lentes (entre os €120 e os €180) – e outros seis, fruto da parceria com a atriz Oceana Basílio. Para identificar a marca Portugal Soul não adianta procurar um logótipo, mas a bandeira portuguesa gravada na haste dos exemplares. www.portugalsoul.pt > à venda em várias óticas e nas lojas Clínica Privada de Oftalmologia (Lisboa), Mundo Óptico (Ourém), Loja Real (Lisboa), Lojas das Meias (Lisboa), Allarts Gallery (Lisboa e Cascais)

8. Pica Pau Woodcraft

No terceiro ano da faculdade, em 2016, Manuel Dias da Silva, Frederico Fernandes e Pedro Leão, todos na casa dos 20 anos, lançaram a Pica Pau Woodcraft. “Os preços dos óculos de sol em madeira eram altíssimos e nada amigos da bolsa de um estudante. Porque não criarmos nós uma marca, com qualidade mas a preços acessíveis?”, conta Manuel. Desde então que os óculos de sol, divididos em duas coleções, podem ser adquiridos no site da marca. Há modelos com hastes de madeira e parte frontal em plástico, outros só em madeira ou com pequenos pormenores em metal e em acetato. Os preços, esses, são amigos dos estudantes e não só: a partir dos €39. www.picapauwoodcraft.com