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O ativismo está a passar pela loja La Rebelión, no Porto

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Criada pela neta de um revolucionário galego e por um chileno mapuche, a La Rebelión não é apenas uma loja “ativista”. Será que a rebeldia chegou a Cedofeita?

Lenços palestinianos, bonecos zapatistas, bijuteria associada a Frida Khalo e minituras inspiradas nas aventuras de Júlio Verne são alguns dos objetos vendidos na loja

Lenços palestinianos, bonecos zapatistas, bijuteria associada a Frida Khalo e minituras inspiradas nas aventuras de Júlio Verne são alguns dos objetos vendidos na loja

Lucilia Monteiro

Por estes dias, uma freira franciscana, vestida a rigor, não se fez rogada: entrou sem desconfiança, deixou os olhos deslumbrarem-se e saiu com materiais alusivos a Zeca Afonso e Che Guevara. Por ali também já apareceu um cliente apressado, “bem vestido e engomado”, com ar de quem já estaria a par do que iria encontrar: deixou o táxi à espera e levou todos os livros que pôde sobre o movimento anarquista.

Estas são as mais recentes histórias de La Rebelión, a loja que abriu no dia 25 de abril e gerou uma curiosidade inusitada na Rua de Cedofeita, no Porto. “Não é uma loja para pessoas passivas”, adverte Tita Alvarez, t-shirt do Exército Zapatista de Libertação Nacional vestida. “É um local de alegria, ativismo e rebeldia que também pretende despertar consciências adormecidas”, assinala a proprietária, neta de um galego de La Guardia fugido à Guerra Civil de Espanha.

"Não é uma loja para pessoas passivas", adverte Tita Alvarez, sobre a loja que abriu no último dia 25 de abril

"Não é uma loja para pessoas passivas", adverte Tita Alvarez, sobre a loja que abriu no último dia 25 de abril

Lucilia Monteiro

Ao balcão do La Rebelión está Marco Curaqueo, chileno da comunidade indígena mapuche, que se aproximou de Tita através das redes sociais. “Partilhamos ideias semelhantes, ela foi visitar o Chile e acabei por vir trabalhar para Portugal.” A loja é o resultado de diversas cumplicidades e “da vontade de homenagear mulheres e homens que mudaram o mundo através da política, das artes e da Ciência ou desencadearam atitudes emancipatórias”, esclarece Tita, acérrima “militante da libertação animal” – tema em destaque nas estantes – e proprietária do bazar esotérico Mundo Místico, na cidade.

Além de materiais relacionados com movimentos libertadores, figuras revolucionárias e redes de ativismo internacional, a loja tem livros e discos de autores indomesticáveis e temáticas insurgentes. “Fui educada numa família em que havia gente de direita e de esquerda, mas identifiquei-me sempre com uma cultura libertária, contracorrente e pacifista”, assume Tita. A La Rebelión foi, pois, “a realização de um sonho”. Porém, como diz o poema feito canção, quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Por isso, Tita já imagina um espaço onde possa multiplicar exposições, tertúlias e... rebeldias. Hasta la victoria, siempre!

La Rebelión > R. de Cedofeita, 211, Porto > T. 91 346 1084 > seg-sáb 10h-20h