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As linhas mestras da nova loja de Nuno Baltazar

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O designer de moda trocou a Boavista pela Baixa do Porto e assume, na nova loja-atelier, de paredes cruas e quase industriais, um lado mais urbano e experimental

A nova loja tem um estilo mais urbano e industrial

A nova loja tem um estilo mais urbano e industrial

Lucília Monteiro

Entre a casa do final do século XIX, ao estilo parisiense, na Avenida da Boavista, onde Nuno Baltazar se fixou nos últimos 14 anos, e a loja de paredes inacabadas, quase industrial, inaugurada há dias na Rua do Bolhão, pouco há em comum. “Foi uma mudança muito pensada, queria vir para a Baixa do Porto e, sobretudo, queria um espaço radicalmente diferente”, justifica o designer de moda. “Com o tempo, o gosto vai-se apurando, precisamos de novas experiências e de ter outro tipo de linguagens, e os espaços são determinantes para o processo criativo.” Adotou um lado mais urbano que acaba por se refletir nas coleções.

Nuno Baltazar manterá aqui o atendimento personalizado

Nuno Baltazar manterá aqui o atendimento personalizado

Lucilia Monteiro

Desde sempre ligado à moda feminina (só há três anos voltou a desenhar roupa para homem), Nuno Baltazar reconhece que as mulheres portuguesas mudaram muito em 20 anos. “Estão mais informadas e viajadas, entendem que ser-se feminina é muito mais do que usar um vestido justo ou um tecido com motivos românticos, explorando a feminilidade de forma mais descomprometida e divertida”, nota. Na nova loja, desenhada pelo gabinete Cirurgias Urbanas, procurará manter o atendimento personalizado (no piso inferior está o seu atelier) e as encomendas de peças especiais, para quem se revê no seu universo criativo. Desenha para mulheres “com muitas camadas, muitos estados de espírito: inspiro-me em tantos filmes e é quase como se trabalhasse, ao mesmo tempo, para a personagem e para a atriz que a representa”. Ter uma loja em nome próprio continua a ser fundamental para o designer de moda; “aprende-se muito nesta relação mais próxima com os clientes, obriga-me também a repensar o que foi feito nos desfiles e a olhar para a coleção com um sentido crítico”. Desejável era contar com a presença de outros nomes da moda nacional nas redondezas – como acontece com Luís Buchinho, de quem é amigo, cuja loja está numa rua paralela. “Era interessante se conseguíssemos concentrar aqui outros criadores portugueses, afinal não são as marcas internacionais, presentes em todo lado, que vão suscitar a curiosidade dos turistas”, conclui. Um bairro da moda, a pensar no futuro.

Nuno Baltazar > R. do Bolhão, 37, Porto > T. 22 605 4981 > ter-sáb 10h30-13h30, 14h30-19h30

De tecidos fluidos às cores fortes, as peças da coleção primavera-verão foram inspiradas no livro 'A Amante', de Marguerite Duras (e na sua adaptação ao cinema), remetendo para a Indochina

De tecidos fluidos às cores fortes, as peças da coleção primavera-verão foram inspiradas no livro 'A Amante', de Marguerite Duras (e na sua adaptação ao cinema), remetendo para a Indochina

Lucilia Monteiro