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Benamôr: Uma receita de beleza com 92 anos

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A histórica marca de cosmética criada em Lisboa renasceu e tem agora uma loja. A Benamôr é uma das escolhas para o nosso Se7e de 2017, uma seleção do que mais gostámos de conhecer e experimentar durante o ano que agora chega ao fim, que faz o tema de capa da edição desta semana, esta quinta-feira, 21, nas bancas

Fundada em 1925, a Benamôr volta a ter uma loja em Lisboa. Os produtos estão também à venda n'A Vida Portuguesa, El Corte Inglés, na Perfumes & Companhia e em farmácias
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Fundada em 1925, a Benamôr volta a ter uma loja em Lisboa. Os produtos estão também à venda n'A Vida Portuguesa, El Corte Inglés, na Perfumes & Companhia e em farmácias

Igor Monsigna

A loja foi pensada como uma 'cozinha de beleza', para lembrar que cada produto continua a seguir a mesma receita antiga
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A loja foi pensada como uma 'cozinha de beleza', para lembrar que cada produto continua a seguir a mesma receita antiga

Igor Monsigna

A história da Benamôr confunde-se com a história da fábrica Nally, maior produtor de cosmética em Portugal até à década de 1980. Funcionou no número 189 do Campo Grande até 2009, ano em que se mudou para Alenquer. Numa das paredes mostram-se também anúncios dos produtos: do Bronzaline, o primeiro bronzeador português, da pasta dos dentes Benamôr e do Creme de Rosto, que atravessou décadas e fidelizou gerações
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A história da Benamôr confunde-se com a história da fábrica Nally, maior produtor de cosmética em Portugal até à década de 1980. Funcionou no número 189 do Campo Grande até 2009, ano em que se mudou para Alenquer. Numa das paredes mostram-se também anúncios dos produtos: do Bronzaline, o primeiro bronzeador português, da pasta dos dentes Benamôr e do Creme de Rosto, que atravessou décadas e fidelizou gerações

Igor Monsigna

O Creme de Rosto foi o primeiro produto a ser desenvolvido na fábrica Nally. Vendia-se na perfumaria Benamôr, no número 200 da Rua Augusta, que deu o nome à marca
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O Creme de Rosto foi o primeiro produto a ser desenvolvido na fábrica Nally. Vendia-se na perfumaria Benamôr, no número 200 da Rua Augusta, que deu o nome à marca

Igor Monsigna

Nos últimos dois anos, a família Benamôr aperfeiçoou-se (retiraram os parabenos, substituíram a parafina mineral por vegetal), cresceu e diversificou-se em sabonetes, manteigas para o corpo, cremes de banho e num óleo seco, a última novidade. A nova linha Jacarandá vai buscar o nome às emblemáticas árvores que na primavera cobrem Lisboa com as suas flores
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Nos últimos dois anos, a família Benamôr aperfeiçoou-se (retiraram os parabenos, substituíram a parafina mineral por vegetal), cresceu e diversificou-se em sabonetes, manteigas para o corpo, cremes de banho e num óleo seco, a última novidade. A nova linha Jacarandá vai buscar o nome às emblemáticas árvores que na primavera cobrem Lisboa com as suas flores

Igor Monsigna

A Benamôr tem uma colaboração com a marca portuguesa de cadernos Fine&Candy. São feitos à mão e têm a cor de cada uma das linhas de produtos: rosa (Rose Amélie), azul (Gordíssimo), lilás (Jacarandá) e verde (Alantoíne)
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A Benamôr tem uma colaboração com a marca portuguesa de cadernos Fine&Candy. São feitos à mão e têm a cor de cada uma das linhas de produtos: rosa (Rose Amélie), azul (Gordíssimo), lilás (Jacarandá) e verde (Alantoíne)

Igor Monsigna

Ao balcão vende-se sabonete a peso. As barras chegam inteiras da fábrica e são cortadas consoante o pedido. Depois, cada pedaço é embrulhado a preceito
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Ao balcão vende-se sabonete a peso. As barras chegam inteiras da fábrica e são cortadas consoante o pedido. Depois, cada pedaço é embrulhado a preceito

Igor Monsigna

Perfumada e com uma boa dose de histórias para contar, assim é a loja da Benamôr virada ao renovado Campo das Cebolas. Nascida em Lisboa há 92 anos, a Benamôr começou a reinventar-se em 2015, fruto da estratégia dos novos donos que viram uma oportunidade num creme de rosto cuja história só tem comparação com o Nívea. Retiraram os parabenos, substituíram a parafina mineral por vegetal e fizeram crescer a gama de produtos.

O passo seguinte é dado agora, com a abertura de uma loja pensada para mostrar de que é feita a Benamôr. “Há uma valorização dos produtos antigos e do fabrico artesanal, mas daqui a uns anos, quando a onda do vintage passar, queremos continuar a fazer um creme que se compra não porque tem uma embalagem bonita, mas porque é bom”, afirma o francês Pierre Stark, administrador e um dos três sócios da empresa.

A nova loja foi pensada como uma “cozinha de beleza”: paredes forradas a azulejos brancos, ao centro uma mesa em mármore inspirada nas bancas dos mercados e, ao fundo, um antigo balcão de madeira restaurado. No chão, os mosaicos hidráulicos recriam o friso art déco das bisnagas, boiões e frascos que se podem abrir, cheirar e experimentar.

O creme “que conserva a mocidade do rosto” e “faz desaparecer borbulhas, pontos negros e rugas prematuras” divide o protagonismo com o creme de mãos Alantoíne, de aroma cítrico, “indispensável após os afazeres domésticos ou outros que agridem, poluem e afetam as funções naturais da pele”, lê-se no folheto incluso. Gordíssimo desdobra-se em sabonete, manteiga para o corpo e creme de banho e a linha Jacarandá vai buscar o nome às emblemáticas árvores que na primavera cobrem Lisboa com as suas flores. Já Rose Amélie é uma homenagem à última rainha portuguesa, cliente dos produtos Benamôr e que, já no exílio, os elogia num pequeno texto que se pode ler ali mesmo.

Também lá estão fotografias e anúncios antigos, quais tesouros de arquivo emoldurados: da antiga fábrica Nally no Campo Grande, da perfumaria Benamôr no número 200 da Rua Augusta (e que deu nome aos produtos) ou do anúncio ao Bronzaline, o primeiro bronzeador português. Pierre Stark faz questão que tudo continue a ser feito como antes: os produtos na fábrica de Alenquer, as bisnagas de alumínio na Sociedade Artística, em Monção, parceira de há 90 anos, e as caixas de papel em Braga. É caso para termos orgulho, não?

Benamôr > R. dos Bacalhoeiros, 20A, Lisboa > T. 21 800 3037 > seg-sáb 10h-20h