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Teresa Gameiro: Reinventar a tradição

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De restos de tecido de algodão, trabalhados em teares manuais, se fazem as toalhas, caminhos de mesa, almofadas e malas desta marca portuguesa

Ana Teresa Gameiro Neves nunca tinha dado a devida atenção aos dotes manuais das suas avós. Sim, tinha um carinho especial pelos crochets e almofadas feitas com retalhos de tecido da avó paterna, uma “exímia no patchwork”, ou ainda pelas pegas que a avó materna fazia com linhas que restavam dos sacos de farinha. Natural de Leiria e formada em design de moda, foi depois de um estágio em Itália, na marca Barena Venezia, que tudo mudou. “É uma empresa que dá grande importância aos materiais utilizados e que privilegia as tradições têxteis locais”, explica. “E isto fez-me perceber que fazia sentido pensar o meu trabalho a partir da história têxtil de uma região e dar-lhe continuidade.”

Além das coleções, Ana Teresa já recebeu pedidos específicos, como um grande tapete que fez para o hotel Casa Mãe, em Lagos, e está neste momento a trabalhar com uma ilustradora que vai desenhar o forro interior de um novo modelo de mala

Além das coleções, Ana Teresa já recebeu pedidos específicos, como um grande tapete que fez para o hotel Casa Mãe, em Lagos, e está neste momento a trabalhar com uma ilustradora que vai desenhar o forro interior de um novo modelo de mala

De regresso a Portugal, Ana Teresa foi viver para Fátima, para perto das avós, e começou a pesquisar sobre tecelagem e reciclagem têxtil. Palavra que antigamente dava por necessidade, de quem sabia o que era viver com pouco e aproveitava todos os trapinhos, e que hoje tem mais a ver com uma consciência ecológica que Ana Teresa quer associar ao seu trabalho. Há três anos, desenhou as primeiras malas, a misturar pano feito de restos de tecido de algodão e pele, e criou uma marca, a Teresa Gameiro. Todo o trabalho é feito por tecedeiras locais, em teares manuais com teia em puro algodão, “ao som da natureza ou da rádio local”. Agora, estreou-se na decoração para a casa, com uma coleção de toalhas, almofadas, caminhos de mesa e um tapete, a que chamou Estremadura 16.3. “Parece o nome de um estação de rádio”, diz, a rir, mas a explicação é simples. “Foi um código que arranjei para esta coleção, inspirada nas cores e texturas da paisagem, que começou a ser trabalhada em março deste ano.” Ana Teresa ainda não se iniciou no tear. “Já aprendi, mas este é um trabalho que, para ser perfeito, exige tempo, dedicação e resistência física.” Antigamente, conta, “quando as tecedeiras da serra vinham à feira mensal receber as encomendas das mantas, quem encomendava dava-lhes os bagoxos (novelos de trapo) e também ovos, para fazerem gemada e terem mais força no tear. Para mim, o que faz sentido é continuar a trabalhar com estas mulheres”.

June > Lx Factory, R. Rodrigues Faria, 103, Lisboa > Museu de Serralves > R. D. João de Castro, 210, Porto > Casa Mãe > R. do Caracol, 11-13, Lagos > www.teresagameiro.com