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As artes do pescador no restaurante Astrolábio, em Oeiras

Comer e beber

Junto da Avenida Marginal, em Paço de Arcos, um pequeno restaurante com ambiente simpático e gastronomia apelativa, à base de peixe fresco da costa. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Astrolábio

Decorria o ano de 2002 quando Manuel Piló, pescador de Sesimbra, decidiu vender o seu barco para abrir o restaurante Astrolábio, em Paço de Arcos, junto da Avenida Marginal, diante do Tejo e ao lado do Jardim Municipal, no coração da vila. A ementa baseia-se no produto que ele melhor conhece: o peixe. “Sempre e só peixe do mar”, afiança Manuel Piló, que o adquire diariamente nas lotas de Sesimbra e da Costa da Caparica, exceto algum de maior tamanho que as pequenas embarcações de pesca costeira não apanham e que “vem do MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa), também do mar e também fresco”.

Num tempo em que se assiste ao encerramento de restaurantes com História e à abertura de outros que não trazem marca de origem, é consolador entrar no Astrolábio e ver, à entrada, a montra repleta de peixe “vivinho”, como diz o dono, que ainda se considera pescador. E o prazer aumenta, quando o peixe vem à mesa, grelhado ou cozinhado no tacho com esmero, à boa maneira tradicional portuguesa, na sala principal branca e discreta, ou na esplanada, à sombra das pimenteiras bastardas e a ver o grande rio na sua chegada à meta.

A qualidade do peixe é excelente e a escolha depende da variedade que se encontra na lota, raramente faltando robalo, dourada, sargo, linguado, imperador e garoupa

A qualidade do peixe é excelente e a escolha depende da variedade que se encontra na lota, raramente faltando robalo, dourada, sargo, linguado, imperador e garoupa

A qualidade do peixe é excelente e a escolha depende da variedade que se encontra na lota, raramente faltando robalo, dourada, sargo, linguado, imperador e garoupa, a menos que haja mau tempo na costa e nos Açores. Menos constantes, mas também habituais: cherne, choco, lulas, goraz, pregado e salmonete, entre outros. E não falta sardinha, no tempo dela. A grelha é o destino mais provável do peixe, de onde vem com a textura, o sabor e até o aspeto desejados, com legumes cozidos e/ou salteados a acompanhar. A ementa também fala de arroz de tamboril (que pode ser de outro peixe, a pedido), de massada de garoupa (que também se faz de sargo e nada fica a dever àquela, tal como a de cherne, por exemplo), de arroz de gambas (ele malandrinho, elas descascadas, numa ligação tentadora) e da açorda de gambas, tudo em doses para duas pessoas, tudo a merecer aplauso.

O capítulo das carnes é breve e simples, mas com qualidade: bifes do lombo à portuguesa, com natas, com pimenta e grelhado, bifes da vazia fritos e grelhados, e secretos de porco preto grelhados. Para entrada, pedem-se amêijoas (legítimas, com certificação) e mexilhão ao natural ou à Bulhão Pato, casco de santola, lingueirão marinado, carapauzinhos e choco frito, quando há, entre outros petiscos agradáveis. Para terminar, doce da casa, arroz-doce, musse de chocolate, bolo de bolacha, cheesecake, tarte de maracujá e outra doçaria caseira, que é boa. Garrafeira adequada à oferta gastronómica. Serviço simpático e eficiente.

Astrolábio > Pç. Guilherme Gomes Fernandes, 9, Paço de Arcos, Oeiras > T. 21 441 0381 > seg-sáb 12h-15h, 19h-23h > €25 (preço médio)