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Lima & Smith: Vinhos de paixão

Comer e beber

Quatro projetos em duas regiões vitivinícolas prendem o brasileiro Marcelo Lima e o inglês Tony Smith a Portugal e aos seus vinhos. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

A recente apresentação da colheita de 2016 da Quinta da Boavista – uma das mais antigas, belas e históricas do Douro, ligada ao Barão de Forrester – proporcionou a prova de outros vinhos produzidos pela Lima & Smith, do empresário brasileiro Marcelo Lima e do jornalista britânico Tony Smith, nas regiões do Douro e dos Vinhos Verdes. Da Quinta da Boavista vieram cinco vinhos notáveis: os monocastas Boa-Vista Donzelinho Tinto 2016 e Boa-Vista Tinto Cão 2016 e os topo de gama Quinta da Boavista Vinha do Oratório 2016 e Quinta da Boavista Vinha do Ujo 2016, dos quais iremos falando; e ainda o Boa-Vista Reserva 2016, que não resistimos a apresentar já por ser, talvez, o que melhor sintetiza a união entre a Natureza e o Homem para criar um produto nobre e único. Também do Douro, mas da Quinta das Tecedeiras, no Douro Superior, chegaram dois vinhos do Porto, LBV 2015 e Vintage 2017, ambos com excelente relação entre qualidade e preço, e os Douro Flor das Tecedeiras 2018 branco e tinto, sendo este mais um dos escolhidos da semana. A Quinta da Covela, onde começou o projeto Lima & Smith, apresentou o seu Fantástico Branco 2016, de produção muito pequena e qualidade enorme, e a vizinha Fundação Eça de Queiroz, cujos vinhos são da responsabilidade da Lima & Smith, fez-se representar pelo Tormes Branco 2018, simples, ou não fosse entrada de gama, mas tão fácil de beber que o elegemos por lhe assentar bem a descrição de Eça sobre o vinho verde: “Fresco, esperto, seivoso, e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo.”

Boa-Vista Reserva Tinto 2016
De um lote feito com uvas de vinhas novas e velhas com estágio em barricas de carvalho francês, seguido de um ano, pelo menos, em garrafa, tem cor rubi, aroma complexo com notas de frutos vermelhos e de especiarias, leve tostado, paladar cheio, com grande equilíbrio, e final longo. €50

Tormes Fundação Eça de Queiroz Branco 2018
Uvas das castas Avesso e Arinto deram este vinho de cor verde-limão, aroma intenso com notas cítricas e tropicais, paladar fresco e macio com boa fruta madura, acidez bem calibrada, e final vivo. Para aperitivo, tal como para acompanhar petiscos e pratos leves. €5,50

Flor das Tecedeiras Tinto 2018
De um lote de castas tradicionais do Douro, tem cor rubi de média intensidade, aroma forte a frutos vermelhos com um toque floral e alguma mineralidade, paladar suave, final fresco e vivo. Pronto para beber, a acompanhar grelhados, por exemplo. €9,90