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Tacos e companhia: Os melhores restaurantes mexicanos, em Lisboa e no Porto

Comer e beber

Nestes 14 restaurantes mexicanos de Lisboa e do Porto, o guacamole, as enchiladas e as tortilhas rimam com molhos picantes e cocktails à base de mescal e de tequila. Um roteiro para saborear com muita diversão ou, como dizem no México, com muito cotorreo

A mexicana Natasia Ocejo inspirou-se numa barraquinha de praia, na costa de Acapulco, onde o pescador Paco Bigotes servia ceviches, pratos de pescado e marisco, para abrir uma taqueria na Linha de Cascais
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A mexicana Natasia Ocejo inspirou-se numa barraquinha de praia, na costa de Acapulco, onde o pescador Paco Bigotes servia ceviches, pratos de pescado e marisco, para abrir uma taqueria na Linha de Cascais

Marcos Borga

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Marcos Borga

Os churros do Paco Bigotes
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Os churros do Paco Bigotes

Marcos Borga

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Marcos Borga

1. Paco Bigotes, Cascais: Ninguém sai daqui sem provar os churros

A mexicana Natasia Ocejo inspirou-se na barraquinha de praia, na costa de Acapulco, onde Paco Bigotes, um pescador ancião, serve ceviches, pratos de pescado e de marisco, bem como cocktails, para abrir o seu restaurante na Linha de Cascais. Filas à porta e sempre casa cheia denunciam o êxito da taqueria. Na ementa, só o grau de picante foi adaptado, de resto é uma viagem por várias regiões do México: queijo fundido (€5,50) muito apreciado no Norte, ceviches (€9,50, 11,50) da costa do Pacífico, tostadas (€6,50, €7,50) como as do mercado de Coyoacán, cochinita pibil (€6,50) (carne de porco cozinhada muito lentamente em folha de bananeira) de Yucatán. Muito do que se come no Paco Bigotes é o mesmo que se encontra na street food mexicana. Na hora de escolher os tacos, pensemos que sujar as mãos faz parte da experiência. Só os de camarão (€7) são servidos em tortilha branca, os restantes vêm em tortilha de milho azul. O de cochinita pibil é divinal. Ninguém sai do Paco Bigotes sem provar os churros (€4). E, quando na parede lemos “barriga cheia, coração feliz”, não poderíamos estar mais de acordo. S.C. R. Nunes dos Santos, Lote C, Anexo, Cascais > T. 21 407 6708 > qua-dom 12h30-15h30, 19h30-23h, sex-sáb até 2h

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José Carlos Carvalho

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José Carlos Carvalho

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José Carlos Carvalho

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José Carlos Carvalho

2. Coyo Taco, Lisboa: Os tacos preferidos de Obama, genuína comida de rua

A principal diferença entre a comida de rua do México do Coyo Taco, aberto há quatro anos em Miami, e doutros restaurantes mexicanos centra-se numa questão muito simples: produtos frescos e locais, e tortilhas de milho feitas à mão e na hora. Agora, os tacos servem-se à unidade e o difícil é escolher entre conchinita pibil (€3,75), com porco assado; milho com hongos (€3,75), que mais não é do que o fungo da maçaroca de milho, uma iguaria que chamam “caviar asteca”; pescado (€6) em tempura e alioli de jalapeños. Tacos de fazer lamber os dedos. Mas também há burritos (€12,50-€16) desmontados e servidos em taças, quesadillas (€13-€16) deliciosas e churros (€5) para molhar no dulce de leche e no chocolate mexicano. Uma verdadeira perdição. S.C. R. D. Pedro V, 65, Lisboa > T. 21 052 9201 > dom-qua 12h-24h, qui-sáb, vésp. feriado 12h-1h

Cocktail de camarão
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Cocktail de camarão

Bruno Calado

Pollo Acapulco a la brasa
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Pollo Acapulco a la brasa

Tostada de bonito
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Tostada de bonito

3. Barra Cascabel, Lisboa: Cozinha mexicana autêntica, preparada com a mestria de um chefe com Estrela Michelin

Aquando da inauguração do Barra Cascabel, em dezembro de 2017, no sétimo piso do El Corte Inglés, em Lisboa, o chefe Roberto Ruiz – nascido na Cidade do México e distinguido com uma Estrela Michelin no Punto MX, em Madrid – explicava a ementa criada a pensar nos lisboetas e baseada na cozinha mexicana, com “carácter artesanal”, com recurso “à tecnologia para conseguir o prato perfeito”. Depois de ter testado a fórmula no Salón Cascabel, sediado na capital espanhola, por cá o negócio foi implementado e gerido pelo Grupo José Avillez e aposta em diferentes sugestões: cocktail de camarão (€11), tostada de bonito (€10) e pollo Acapulco a la brasa (€10). “Interesso-me pelas várias cozinhas do mundo e tinha alguma pena de, em Lisboa, a oferta não ser tão expressiva como é noutras cidades europeias”, afirma Avillez, reforçando que ali estão à prova os “mais autênticos sabores mexicanos e os melhores cocktails à base de mescal, num ambiente animado e irreverente, onde apetece estar”. “É um bom sítio para conviver com amigos”, continua. Já sobre Roberto Ruiz, o chefe português com duas Estrelas Michelin, diz “ser uma das grandes referências da cozinha mexicana na Europa”. Gourmet Experience > El Corte Inglés > Av. António Augusto de Aguiar, 31, 7º piso, Lisboa > dom-qui 12h-23h, sex-sáb 12h-24h

Pedro Leitão apostou no El Taco Chingón, onde serve dez receitas de tacos (carne, peixe e vegetariano), cocktails e sobremesas

Pedro Leitão apostou no El Taco Chingón, onde serve dez receitas de tacos (carne, peixe e vegetariano), cocktails e sobremesas

Marcos Borga

4. El Taco Chingón, Lisboa: Dez receitas diferentes de tacos

Quando viveu na Cidade do México, Pedro Leitão, 42 anos, abriu um restaurante, pastelaria e padaria português. “Era para ficar um ano e acabaram por ser oito naquela cidade gigante com 20 milhões de habitantes, onde há festa todos os dias e a gastronomia é incrível”, conta o proprietário e chefe de El Taco Chingón, em Lisboa. De volta à capital portuguesa, dedicou-se, em 2017, à organização de jantares mexicanos em casa dos clientes. No ano seguinte, “agarrou” nos tacos e levou-os para uma food truck, atualmente estacionada num jardim da Avenida Fausto Figueiredo, no Estoril. Por fim, em maio deste ano, apostou no El Taco Chingón, onde serve dez receitas de tacos (carne, peixe e vegetariano), cocktails e sobremesas.

“Os tacos são um dos pratos que os mexicanos comem a qualquer hora do dia e em todo o lado”, diz. Na ementa, destaca-se a tostada de atum braseado, preparada com atum fresco marinado e selado, abacate, maionese chipotle e alho-francês frito servido em tortilha crocante (€9) e o taco tinga de pollo com frango desfiado em molho de chipotle, tomate, sour cream, requeijão e alface (€8,50). Podem ser acompanhados por uma água de Jamaica (€2,50), uma horchata (€2,50) ou mesmo uma margarita (€5). Para finalizar, uma fatia de bolo de três leites (€3,50), que vai ligar bem com o café e deixar um sorriso nos lábios. R. Quirino da Fonseca, 8, Lisboa > T. 92 566 6685 > dom-qui 12h-15h, 19h-22h30, sex-sáb 12h-23h30

Marcos Borga

5. Guacamole, Lisboa: Cadeia com restaurantes em vários centros comerciais

É a especialidade da casa, o guacamole, que dá nome a este restaurante mexicano, pintado de cores quentes, aberto há cerca de um ano e meio, no Cais do Sodré, em Lisboa. “Feito com abacate, tomate, cebola e coentros, é o tempero e o tipo de abacate que o tornam diferente dos demais”, diz Vera Ferreira, do Guacamole, uma cadeia com restaurantes em vários centros comerciais. É também esta iguaria que acompanha a maior parte dos pratos da ementa baseada no receituário mexicano e que inclui, entre outras sugestões com mais substância, burritos, tacos e totopos. O cliente escolhe o tipo de arroz (mexicano ou integral lima-coentros), o recheio (frango grelhado, carnitas, veggie, tofu e bife grelhado), o molho de salsa (maionese de alho caseiro, salsa verde, amarilla, pico de gallo e a salsa roja), feijão ou pimentos fajita. “Quase tudo é feito diariamente por nós, com produtos frescos e outros importados do México, como os picantes habanero, ancho e jalapeños”, salienta. R. da Moeda, 2, Lisboa > T. 21 403 6185 > seg-qui 12h-24h, sex-sáb 12h-1h

6. Izcalli, Lisboa: Uma minúscula antojeria

É provavelmente o restaurante mais pequeno de Lisboa. Com apenas 13 metros quadrados, no Izcalli, alinham-se apenas sete comensais (ou oito, se forem todos do mesmo grupo), sentados no balcão em madeira (mais dois lugares na esplanada). Para se sentar nesta antojeria (o nome que se dá aos restaurantes que servem comida simples, mas com sabores pronunciados), há que fazer uma reserva obrigatória no site, explica o chefe e proprietário Ivo Tavares que, depois de ter vivido no México, regressou a Portugal para abrir o seu primeiro projeto a solo. A ementa é composta por “pratos fáceis de comer, que podem saborear-se por todo o México e que dão muita atenção aos produtos e ao detalhe”.

Sem regras nem sugestões fixas, Ivo vai acrescentando novos pratos, haja criatividade e produtos disponíveis. Por isso, não é à toa que, num ano, esta seja já a 15ª carta que Ivo põe à disposição. Das várias sugestões de agora, o aguachile de camarón (€14), preparado com um molho à base de lima e vegetais e os chillis tostados (que lhe conferem o tom acastanhado), obriga a um olhar mais demorado. Já no topo, veem-se os camarões marinados, rodelas finas de pepino, rábano e cebola. Também a tostada salpicón de venado (€12,50), que chega em dupla, feita com pedaços de veado e legumes, apresenta sabores acentuados e ligeiramente picantes. R. de Alcântara, 13A, Lisboa > qui-sáb 13h-15h (pontualmente), ter-sáb (2 turnos) 19h-21h, 21h-22h30 > reservas em www.izacalli.pt

Tanto o Pistola y Corazón como o Tacos Shop #1 são geridos por Damien Irizarry e Marta Fea

Tanto o Pistola y Corazón como o Tacos Shop #1 são geridos por Damien Irizarry e Marta Fea

7. Pistola y Corazón, Lisboa
As filas de espera não passam despercebidas, no Pistola y Corazón, no Cais do Sodré, em Lisboa. Como não se aceitam reservas, o primeiro a chegar senta-se numa das mesas livres. Mas não é preciso desesperar: é de copo na mão, com um cocktail de mescal ou de tequila, que se aguarda pela vez, e isso já serve de consolo. Aqui, nesta taqueria onde o amor pela tradição mexicana é “quase uma obsessão”, serve-se “comida sin verguenza” (“comida sem vergonha”, como dizem Damien Irizarry e Marta Fea. “A ementa inspira-se nalgumas regiões mexicanas, mas também nas nossas memórias, desde a comida da nossa taqueria favorita até à das nossas avós.” R. da Boavista, 16, Lisboa > seg 18h-24h, ter-sex 12h-24h, sáb-dom 13h30-24h

8. Tacos Shop #1, Lisboa
Ainda no Cais do Sodré, onde o Tejo quase entra portas dentro, abriu uma extensão do Pistola Y Corazon, o Tacos Shop #1. Mistura cultura hip hop, obras de arte, numa seleção de Musica por Cholos e DJ Glue, que no piso superior tem um pequeno estúdio. Da ementa, saliente-se o prato chilaquiles com ovo (€4), as tortilhas fritas de milho, com salsa de chili ancho, cobertas de queijo seco, cebola e natas azedas, e as carnitas de porco, com queijo derretido, banhadas com uma cremosa salsa verde e guacamole e servidas com salsa valentina (€9,50). Para acompanhar, há cocktails com álcool em versão gelada e ainda outras bebidas, como a água de Horchata, feita com leite de arroz, canela e amêndoa (€2,50), que nenhum mexicano dispensa. R. da Cintura do Porto de Lisboa, Armazém A, Lisboa > terça-dom 13h-21h30

Carlos Mañé, o chefe de cozinha mexicano responsável pelo Sicario, em Matosinhos
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Carlos Mañé, o chefe de cozinha mexicano responsável pelo Sicario, em Matosinhos

Lucília Monteiro

Taco pastor
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Taco pastor

Lucília Monteiro

Enchiladas verdes
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Enchiladas verdes

Lucília Monteiro

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Lucília Monteiro

9. Sicario, Matosinhos: Uma taqueria com especialidades de várias regiões mexicanas

A riqueza gastronómica do México não se resume aos tacos. Apesar de ostentar o título de taqueria, o Sicario tem propostas que vêm das ruas, das praias e da casa da avó, assim divididas no menu. “Aqui tenho sugestões de norte a sul do País”, conta Carlos Mañé, o chefe de cozinha mexicano, convidado a abrir o restaurante no final de julho, em Matosinhos, após dois anos a trabalhar em Lisboa. Propõe, por exemplo, filete tampiqueña (€13,50), bife de vaca com batatas assadas, feijões fritos e cebola grelhada; cochinita pibil (€7,90), iguaria com raízes maias; pescado a la veracruzana (€13,50), robalo fresco com alcaparras, azeitonas, tomate e pimento serrano; ou pollo morita (€12,50), peito de frango com molho de amendoim fumado.

Entre os inevitáveis tacos, destaca-se o pastor (€7,90), com carne de porco repleta de especiarias, cozinhada lentamente no espeto, e ananás – disposto na mesa, há uma edição de Tacos para Totós, uma explicação bem-humorada de como comer os ditos (e sem medo de lambuzar os dedos). Alegria é o que não falta na decoração do restaurante (sugerimos uma espreitadela à casa de banho dos homens, com um ataque a Donald Trump), com papel picado pendurado no teto e exuberantes exemplares de arte huichol, caveiras de animais cravadas de missangas coloridas a destacarem-se nas paredes pintadas de negro. Para ajudar à festa, provem-se os cocktails, com muita tequila, como o Sicario, com a maçã decorativa a imitar a faca usada pelos bandoleros mexicanos. J.L. R. Roberto Ivens, 340, Matosinhos > T. 22 766 8382 > ter-sáb 12h30-15h30, 19h30-24h

A decoração do Frida, no Porto, convoca a vida e a obra da pintora Frida Kahlo, com muito artesanato à mistura
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A decoração do Frida, no Porto, convoca a vida e a obra da pintora Frida Kahlo, com muito artesanato à mistura

Lucília Monteiro

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Lucília Monteiro

Codornizes em pétalas de rosas, o prato recriado por Sol Calvillo a partir do best-seller Como Água para Chocolate
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Codornizes em pétalas de rosas, o prato recriado por Sol Calvillo a partir do best-seller Como Água para Chocolate

Lucília Monteiro

10. Frida, Porto: Cozinha mestiça, com um toque de autor

A criatividade de Sol Calvillo, chefe de cozinha e proprietária do Frida, fez com que a comparassem com Tita de La Garza, a personagem do best-seller Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel. Um dos episódios do livro é dedicado à receita de codornizes em pétalas de rosas, recriada agora por Sol à sua maneira – não garante ter os efeitos afrodisíacos descritos no livro –, no restaurante aberto há quase seis anos com o marido, o português João Marques, no Porto. “No início, estávamos receosos, porque os clientes não encontravam aqui os pratos que associavam, às vezes erroneamente, à comida mexicana, mas fomos ‘doutrinando’ e, felizmente, temos tido bastante êxito”, conta João.

A autenticidade, acredita, tem sido o segredo. Praticam a cocina mestiza – um cruzamento das diferentes culturas reunidas no México –, classificada como Património da Humanidade, pela UNESCO, em 2010, com um toque autoral. Da carta consta a explicação dos pratos, como o mole de zarzamora com magret de pato (€19,50), os chiles en nogada (€13,50), o pescado tatemado (€14,50) ou o aguachile de camarón (€10,50). Para acompanhar, há cocktails tradicionais e uma vasta oferta de cerveja mexicana. A decoração convoca a vida e a obra da pintora Frida Kahlo, com muito artesanato à mistura. J.L. R. Adolfo Casais Monteiro, 135, Porto > T. 22 606 2286 > seg-dom 20h-24h

E ainda mais México:

11. La Siesta, Lisboa
Aberto em 2002, La Siesta foi um dos primeiros restaurantes mexicanos em Lisboa. Edifício La Siesta, Passeio Marítimo de Algés, Lisboa > T. 21 301 1522 > seg-sex 12h-1h, sáb-dom e feriados 12h30-1h

12. Las Ficheras, Lisboa
Há horas especiais, no Las Ficheras. Tome nota: de segunda a sexta, o menu de almoço composto por um burrito e bebida custa €10; das 16 às 20 horas, a happy hour inclui duas margaritas Las Ficheras por 9 euros. Já nas noites de quinta, por um taco do dia e uma bebida (exceto cocktails), o cliente paga 12 euros. R. dos Remolares, 34, Lisboa > T. 21 347 0553, 92 518 4900 > seg-qua, dom 12h-1h, sex-sáb 12h-3h

13. El Clandestino, Lisboa
Grande parte da ementa deste restaurante, aberto em 2015, recai nos tacos. Há uma dúzia à escolha, mas também não falha o pico de gallo, o guacamole, a enchilada ou a quesadilla. R. da Rosa, 321, Lisboa > T. 91 283 2777 > seg-dom 19h30-2h

14. Boteco Mexicano, Porto
A comida de rua do México e do Brasil juntam-se neste restaurante, com ambiente mi casa es su casa. Há coxinhas e tacos, picanha e guacamole, tequila e cachaça, samba e mariachis. Campo dos Mártires da Pátria, 38/41, Porto > T. 96 424 9974 > dom-qui 12h30-23h30, sex-sáb 12h30-00h30