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Vinhos Pequenos Rebentos: Inovação e carácter

Comer e beber

Em cada vinho um desígnio que passa por ser original e consistente, constituindo um desafio, tanto para quem o faz como para quem o consome. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre os vinhos Pequenos Rebentos

Registámos nesta coluna, ia a primavera a meio, o lançamento do vinho Pequenos Rebentos Loureiro 2018 – um DOC Vinho Verde branco, aromático, fresco, elegante – e, entretanto, chegaram ao mercado outras criações de Márcio Lopes, igualmente dignas de menção: Pequenos Rebentos Vinhas Velhas Loureiro DOC Vinho Verde Branco 2018, Pequenos Rebentos “À Moda Antiga” DOC Vinho Verde Branco 2018 e Pequenos Rebentos Atlântico DOC Vinho Verde Tinto 2018. Além de enólogo, Márcio é pequeno produtor com um projeto baseado no lema “experimentar, fazer, concretizar”. Estes três vinhos, de produção diminuta, exemplificam os seus propósitos. Distinguem-se pela originalidade e pelo carácter, por isso se justifica falar deles e dizer, também, alguma coisa sobre quem os faz.

Márcio Lopes nasceu no Porto, em 1983, mas cresceu com os avós, que sempre trabalharam na agricultura e lhe infundiram um “espírito de ruralidade”, que faz questão de reivindicar. Em 2005, começou a trabalhar com o enólogo Anselmo Mendes, em Melgaço, um ano antes de concluir a licenciatura em Engenharia Agronómica. Em 2008 e 2009, acrescentou ao currículo duas vindimas na Austrália, antes de lançar, em 2010, os projetos Pequenos Rebentos e Proibido, aos quais havia de juntar, em 2017, o da Ribeira Sacra, na Galiza. No projeto Pequenos Rebentos, recolhe uvas de pequenos viticultores que trabalham quase sem uso de herbicidas, maioritariamente com as castas Alvarinho, em Monção e Melgaço, e Loureiro, em Ponte de Lima, Barcelos e Braga. Fruto dessa ligação aos viticultores é a recuperação, quer de ramadas de produção de uvas tintas (com que faz o Atlântico) quer da casta Azal, nas tradicionais e históricas vinhas de Enforcado (é sobretudo com ela que faz outro vinho notável, o Selvagem). No total, produz cerca de 80 mil garrafas por ano.

Pequenos Rebentos Vinhas Velhas Loureiro Vinho Verde DOC Branco 2018
Aspeto brilhante, cor esverdeada, aroma limpo de média intensidade com delicado toque floral, paladar intenso e muito fino com volume e frescura marcantes, final longo e persistente. Decididamente gastronómico. Beber já ou guardar, o mais possível. €17,50

Pequenos Rebentos “À Moda Antiga” Vinho Verde DOC Branco 2018
Uvas das castas Alvarinho e Arinto, em partes iguais, deram este vinho de cor citrina, aroma limpo e forte a frutos, sobretudo cítricos com reminiscências tropicais, paladar intenso e vibrante, final longo e sedutor. Mesa e garrafeira, pede o vinho. €17,50

Pequenos Rebentos Atlântico Vinho Verde DOC Tinto 2018
Feito com uvas das castas Cainho Tinto, Pedral e Alvarelhão, é um tinto de cor ligeira, aroma discreto com notas florais e frutadas, paladar elegante e fresco com boa fruta a marcar presença, final longo, insinuante. €15