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Bom gosto e simpatia no restaurante Malveiro, no Algarve

Comer e beber

Uma cozinha inspirada nos receituários português e moçambicano com produtos, culinária e serviço de qualidade. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Malveiro, em Almancil

No Algarve do sol, da praia e da animação própria dos circuitos turísticos também há lugares bucólicos que seduzem com a beleza simples das coisas naturais, como é o caso do restaurante Malveiro, em Vale das Éguas. Fica à beira da estrada, cerca de quinhentos metros depois da saída da variante de Almancil em direção à serra, identificando-se facilmente pela galeria envidraçada a que os ingleses, clientes assíduos, chamam conservatory, e não sem razão, pois lembra um jardim de inverno. Além de esplanada, faz de sala principal, quando há bom tempo. Tem outra sala no interior igualmente agradável com decoração de estilo colonial, em que as madeiras, as malas de viagem e as fotos de animais selvagens se evidenciam. É uma casa de família, gerida com muito carinho pelo casal Cátia e Leonel Malveiro, desde 2000 (sucedendo ao pai dele, que a criou, em 1980). Ela trata da cozinha e do apuro dos sabores portugueses e moçambicanos, ele da sala, com acolhimento e serviço exemplares.

O camarão de Moçambique (com um molho delicioso obtido por redução das respetivas cascas e cabeças, e temperado com alho, piripíri e limão) e o camarão fresco têm qualidade inquestionável, tanto nos produtos como nos sabores

O camarão de Moçambique (com um molho delicioso obtido por redução das respetivas cascas e cabeças, e temperado com alho, piripíri e limão) e o camarão fresco têm qualidade inquestionável, tanto nos produtos como nos sabores

A ementa ajusta-se tanto à pequena dimensão do restaurante, com oito entradas, além da sopa diária, treze pratos principais e oito sobremesas doces, como à exigência autoimposta, e salutar, em servir todos os pratos principais ao mesmo tempo (em cada mesa). Nas entradas, o camarão de Moçambique (com um molho delicioso obtido por redução das respetivas cascas e cabeças, e temperado com alho, piripíri e limão) e o camarão fresco (cozinhado num molho feito com as cascas do marisco e coentros) têm qualidade inquestionável, tanto nos produtos como nos sabores, mas as chamuças também são muito apelativas.

Com três unidades, em vez de uma, o camarão de Moçambique e o fresco passam de entrada a prato principal, acompanhados com arroz branco. Neste setor, porém, os grandes destaques vão para o caril de camarão (em duas versões, com camarão pequeno e com camarão médio), do mais cremoso e suave que se pode encontrar; o caril de frango, espesso, escuro, diferente do anterior, mas também muito bom; a moqueca de tamboril, com lombinhos do peixe, camarão, leite de coco e óleo de palma numa harmonia sublime; o mar e terra, com bife do lombo grelhado, muito tenro e suculento, e camarão de Moçambique; a vitela na caçarola, carne barrosã num estufado muito bem feito; e o cabrito na telha, embora feito no tacho. Tamboril no forno, lombinho de porco, bife do lombo e bife de peru completam a oferta, que é convincente.

Boa doçaria, quer regional, como a tarte de figo com mel e amêndoa flamejada e o gelado de figo e amêndoa, quer caseira, como a tarte de maçã crocante com gelado de baunilha e o bolo de chocolate com gelado de baunilha e chocolate quente. Garrafeira pequena e personalizada que foge aos estereótipos e guarda surpresas.

Malveiro > Vale d’Éguas, 169, Almancil, Loulé > T. 91 782 4131 > seg-sáb 19h-22h > €30 (preço médio)